...e assim caminha a humanidade...

"Não tenha medo da perfeição. Você nunca vai atingí-la." (Salvador Dali)
"Et quacumque viam dederit fortuna sequamur." (Virgílio)
"Always think about a coloured tequila sunrise life." (Felipe Edlinger)
"Foda-se a balada, o que importa é a companhia." (Felipe Edlinger)
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domingo, 3 de agosto de 2008

[MovRev] A Múmia: Tumba do Imperador Dragão

(The Mummy: Tomb of the Dragon Emperor)

Dirigido por Rob Cohen

Alguém conhece o ditado "um é pouco, dois é bom, três é demais"? Se eu tivesse que aplicá-lo a "trilogia" A Múmia, seria algo como "um é bom, dois é demais, três é perda de tempo".

Pois bem, este novo A Múmia é uma enorme perda de tempo, se comparado com o primeiro filme e até mesmo com o insosso e forçado O Retorno da Múmia. Infelizmente, é aquela velha história: em bolso de estúdio que está ganhando (ou que quer continuar tentar ganhando), não se mexe.

A Múmia: Tumba do Imperador Dragão traz um Brendan Fraser sem a alegria de sempre que vemos em seus filmes, sejam em produções de ação como o próprio A Múmia, ou em comédias como De Volta para o Presente, George da Floresta e Endiabrado. Aqui ele está meio xoxo, sem coragem, sem fibra, sem a comédia que tão bem tem nas veias. Isso sem contar com a participação de Maria Bello, que tenta ser Rachel Weisz (oscarizada por O Jadirneiro Fiel, de Fernando Meirelles), mas que não consegue nem um pouco.

Brendan Fraser é, mais uma vez, Rick O'Connell, caçador de tesouros que agora se encontra aposentado e entediado, distante das aventuras de suas empreitadas anteriores. Junto com a esposa Evelyn (Maria Bello), ele leva uma vida tranqüila (a contra-gosto), sem maiores emoções. Tudo muda quando são convidados para levar a relíquia Olho de Shangri-la para a China. quando lá chegam, são emboscados juntos com o filho Alex (Luke Ford), responsável pela escavação que achou o Imperador Han (Jet Li), há muito transformado em pedra por uma maldição. Juntando forças com a guardiã do templo do Imperador, Lin (Isabella Leong), eles correm contra o tempo e contra um exército de súditos do Imperador, para que não deixá-los fazer com que o antigo governante do mal seja ressuscitado e domine o planeta.

Até mesmo Jet Li, no papel do tal Imperador Dragão, não repete suas performances de sempre, passando mais tempo como um efeitos especial do que como ator de carne e osso. Uma pena que não existam nem ao menos grandes cenas de lutas em que ele possa desenvolver seus verdadeiros dotes: os de lutador de artes marciais.

Todos os atores parecem um tanto quanto deslocados, como o injustificável Luke Ford, como filho do casal de aventureiros (que é apenas 13 anos mais novo do que os "pais"), a bela Isabella Leong, chinesa que interpreta a guardiã do templo do imperador, e até mesmo Michelle Yeoh, de O Amanhã Nunca Morre, Memórias de uma Geisha e O Tigre e o Dragão. O único que, realmente, trás o gosto dos filmes anteriores é John Hannah, irmão da personagem de Maria Bello, que deixa o tom cômico na tela, nas poucas vezes em que aparece. O mesmo pode-se dizer da ponta de Liam Cunningham, como um piloto doidão que é amigo de Rick O'Connell.

Os efeitos especiais são bons, ma com alguns momentos dignos de O Retorno da Múmia e a luta com o Escorpião Rei de Dwayne "The Rock" Johnson, com modelagem e texturas de Troféu Framboesa de Ouro.

O ponto alto, novamente, são as cenas de batalhas com centenas de figurantes, multiplicados por computador, como visto nos dois filmes anteriores. Nada de muito novo, portanto. Os cenários, quase que todos na China garantem um pouco de autenticidade à trama. Mas é só. Um passatempo para crianças.

Infelizmente, Rob Cohen, mesmo com alguns filmes dignos na caderneta, como Coração de Dragão, Daylight, Velozes e Furiosos e Triplo X, deixou-se cair na mesma armadilha que consumiu o trabalho de Stephen Sommers, com o patético O Retorno da Múmia. Muitos efeitos especiais, pouca história, um inimigo desinteressante e... bem, vamos ver no que dá... é isso que acontece deixar o roteiro de uma mega-produção nas mãos de uma dupla que escreveu praticamente toda a série Smallville: vira coisa de criança.

Nota: 5.5/10

Direção: Rob Cohen
Roteiro: Alfred Gough & Miles Millar
Elenco: Brendan Fraser & Jet Li & Maria Bello & John Hannah & Michelle Yeoh & Luke Ford & Isabella Leong
Estréia: Agosto de 2008
Gênero: Ação & Aventura
Duração: 112 minutos
Distribuidora: Universal Pictures
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por Felipe Edlinger
03 de julho de 2008
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sábado, 2 de agosto de 2008

[Felipe's MFQ] Lost Boys: The Tribe

Chris Anderson:
"How do you know so much about vampires?"
Edgar Frog:
"Comic books, my friend, comic books."

Edgar Frog:
"A lot of valuable information can be gained by reading comic books."

2008. Corey Feldman in Lost Boys: The Tribe

[MovRev] Garotos Perdidos 2

(Lost Boys: The Tribe)

Dirigido por P.J. Pesce

A década de 1980 rendeu grandes clássicos adolescentes, de aventuras a comédias besteirol e comédias românticas, passando por filmes de ação extrema e alguns de horror. De Goonies a Quero Ser Grande, com espaço de sobra para Namorada de Aluguel, Clube dos Cinco e até Gatinhas e Gatões. E um filme que tem lugar de honra nesta seleta lista é Garotos Perdidos. E é aqui que algumas pessoas conseguem uma façanha: destruir tudo de cool que uma produção oitentista conseguiu criar.

Garotos Perdidos 2 é um erro do início ao fim, começando pela história em si, passando amplamente pelos protagonistas e finalizando com os efeitos especiais, que de especias têm apenas o nome. Mesmo quando comparado com o filme original e com a tecnologia disponível na época, esta produção não tem o mínimo do charme e do clima que marcou aquela aventura bacana sobre vampiros adolescentes.

Chris Emerson (Tad Hilgenbrink) é um ex-surfista de campeonatos que, junto com a irmã mais nova, Nicole (Autumn Reeser), se muda para a cidade de Luna Bay, na Califórnia, após perderem os pais em um acidente de carro. Recém chegados na nova vizinhança, Nicole se apaixona pelo vampiro Shane (Angus Sutherland) e bebe de seu sangue, transformando-a em uma criatura da noite. Chris, então, precisa deter a gangue local de sanguessugas para que a transformação de sua irmã não se complete. E para tal, ele conta com a ajuda do caçador de vampiros do filme original, Edgar Frog (Corey Feldman).

Se você é um grande fã dos filmes da década de 1980, como eu sou, vai se arrepender no fundo da alma (trocadilho? que nada...) ao assistir esse filme. Nada do que foi criado no primeiro longa metragem foi aproveitado aqui. Nem a atmosfera sombria, nem os personagens bacanas, nada. O mais próximo que essa produção chega do original é ter a volta de Corey Feldman, mais uma vez como Edgar Frog (meu deus, Feldman, por quê?) e a participação de Angus, meio-irmão de Kiefer Sutherland, um dos bandidões do original, mas que não chega aos pés do parente mais famoso.

Na verdade, esse filme era para ser Lost Girls, idéia inicial do diretor Joel Schumacher (que vira e mexe faz porcaria por aí a fora... alguém lembra de Batman & Robin?), responsável pelo primeiro filme. E, com certeza, e por incrível que pareça, ele tinha razão, uma seqüencia sem os personagens principais não funcionaria. Tanto que a Warner demitiu o diretor, contratou outro e lançou o filme direto para vídeo. Ufa!

Nenhum Jason Patric, ou Corey Haim, ou Kiefer Sutherland. Nada de roteiro sombrio, nada de reviravoltas e surpresas no final. Nada de muito engraçado com a dupla de Frogs original, nem a relação dos irmãos Emerson com a mãe, Lucy. Nada de efeitos legais. Aqui tudo é batido, sem graça e nenhuma inovação. Parece mais uma seqüencia de segunda categoria de um filme cult, como o que aconteceu com Um Drink no Inferno, com suas continuações inúteis e sem justificativa. Aliás, é exatamente o que é, com o diretor P.J. Pesce, que dirigiu Um Drink no Inferno 3.

Os atores, então, não merecem muitos comentários, com o cretino Tad Hilgenbrink, que fez Matt Stifler no pior American Pie da série (Band Camp), no papel principal. Angus Sutherland tenta mostrar o mesmo carisma do meio-irmão, mas quem fez apenas uma ponta em Madrugada Muito Louca 2 não merce muito crédito. Autumn Reeser talvez seja a única revelação, deixando de ser a antes chata e depois divertida Taylor Townsend, da série The O.C., para interpretar uma garota mais sensual. Até mesmo Corey Feldman está fora de sintonia, ele que vive de papéis menores desde o sucesso pessoal na década de 1980. Encontra-se mais forçado do que nunca, em um papel que já era dele. A única coisa bacana para os fãs, mesmo, é a presença relâmpago de Tom Savini, o Sex Machine de Um Drink no Inferno, no começo do filme. Nada mais.

Uma pena que as pessoas que têm o poder (leia-se: dinheiro e influência) realmente não pensam nos verdadeiros públicos-alvo. Uma perda de tempo, dinheiro e paciência, e um grande pesar para a memória dos fãs.

Nota: 3/10

Direção: P.J. Pesce
Roteiro: Hans Rodionoff
Elenco: Tad Hilgenbrink & Angus Sutherland & Autumn Reeser & Gabrielle Rose & Corey Feldman
Estréia: Julho de 2008
Gênero: Comédia & Horror
Duração: 94 minutos
Distribuidora: Warner Bros. Pictures
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por Felipe Edlinger
02 de agosto de 2008
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quinta-feira, 31 de julho de 2008

[MovRev] Mandando Bala

(Shoot'Em Up)

Dirigido por Michael Davis

Fantástico! Eu nunca havia visto um filme tão agitado, rápido e de tirar o fôlego como este Mandando Bala. Praticamente um videoclipe de ponta a ponta, é ação incessante, na medida certa para quem gosta muito de filmes do gênero. Com suas perseguições e tiroteios, não chega a ser um clássico, mas com certeza vai satisfazer até os fãs mais exigentes.

Um homem, que atende simplesmente pelo nome de Mr. Smith (Clive Owen), vê uma mulher grávida sendo perseguida pelas ruas por um homem armado. Ele, relutantemente, resolve segui-la e salvá-la. Quando isso acontece, ele se vê no meio de um enorme tiroteio, com duas dezenas de atiradores. No meio do caminho, aliás, do tiroteio, ele realiza o parto do bebê e ainda sai ileso do quebra-pau. Infelizmente, a garota morre. Então, ao lado de Donna Quintano (Monica Bellucci), uma prostituta lactante, ele vai até o fundo do poço para descobrir o porquê de tantas pessoas estarem atrás do filho recém-nascido de uma mulher que ele nem ao menos conhece.

A razão de Mandando Bala ser tão bacana tem três pilares fundamentais: a) a direção esperta e certeira de Michael Davis, b) a atuação autêntica, mais uma vez, de Clive Owen, e c) a trilha sonora fantástica, de apelo pop, inteiramente conectada com as cenas de ação.

Michael Davis, responsável por algumas porcarias sem maior repercussão ao longo da carreira, consegue se redimir de todos os pecados ao acertar na mosca com uma produção ligeira e muito bem coreografada. A câmera nervosa do diretor segue a ação non-stop tão de perto que nos dá a sensação de ser colegas de pancadaria de Clive Owen, utilizando zooms incríveis e panorâmicas vertiginosas. E como não bastasse o excelente trabalho na direção, ele ainda ganha mais créditos por ser o autor do roteiro agitado. Não que seja um trabalho digno de Oscar, mas é show de bola!

Clive Owen é o cara! Dono de atuações viscerais, como em Sin City, Closer e Filhos da Esperança, ele já tem nas costas a série bacanésima de curtas da BMW, The Hire, em que interpreta um motorista em diversas cenas de perigo, sempre no comando do carro alemão. Com cara de mau humorado, ele não pára nunca e sempre tem uma saída para as piores ocasiões. O mesmo acontece aqui, em que nem por um mísero segundo, ele deixa de ter o comando da situação. E tudo de uma maneira quase irônica, que deixa um sorriso no rosto de quem assiste às suas peripécias.

A trilha sonora é um ponto altíssimo, que consegue elevar ainda mais a adrenalina das cenas de ação e acentuar os poucos momentos em que tiros não voam para todos os lados. Paul Oakenfold, Nirvana, Motorhead, AC/DC, Iggy Pop. Quer mais? Além da pauleira comendo solta, DJ Swamp e Midnight Movies fazem as vezes dos momentos mais calmos (que momentos mais calmos?).

A coisa boa é que o próprio filme não se leva muito a sério, tanto que as cenas de ação não param nem mesmo quando Clive Owen faz o parto de um bebê, transa com Monica Bellucci ou senta em um restaurante para tomar café. Algumas das cenas são hilárias que, de tão impossíveis, poderiam estar em uma comédia, mas que ganham um ar totalmente cool nas linhas de Michael Davis e na atuação de Clive Owen.

Os efeitos especiais são de primeira categoria, ainda mais porque, como dito antes, emolduram as cenas exageradas que complementam a graça do filme. Praticamente todas interligadas pelo mau humor e intolerância do Mr. Smith com as coisas mais idiotas. Nas palavras de Monica Bellucci, ele é "o cara mais nervoso do mundo".

Para completar, Paul Giamatti e Monica Bellucci preenchem os papéis de coadjuvantes deste programão, com grandes atuações. Ele, competente como em todas as suas produções e mau como poucas vezes visto. Ela, deliciosa e bela como nunca, mesmo no alto de seus 44 anos.

E depois de assistir a esse show de ação, vocês ainda vai ficar com vontade de comer cenouras. Não me pergunte o porquê, você saberá! =)

Nota: 8/10

Direção: Michael Davis
Roteiro: Michael Davis
Elenco: Clive Owen & Paul Giamatti & Monica Bellucci & Stephen McHattie
Estréia: Novembro de 2007
Gênero: Ação & Aventura
Duração: 86 minutos
Distribuidora: New Line Cinema
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por Felipe Edlinger
31 de julho de 2008
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quarta-feira, 30 de julho de 2008

[Web] Amigo de Fé

Independente das crenças e religiões, é extremamente importante ter alguém que te entenda e que esteja ao seu lado em todas as ocasiões. Nunca estamos sozinhos no mundo. Não pensei em dizer isso algum dia, mas a letra daquela música do Roberto Carlos, "Você meu irmão de fé", é mais do que verdadeira.

[MovRev] Grandes Esperanças

(Great Expectations)

Dirigido por Alfonso Cuarón

As obras de Charles Dickens são atemporais. Também são estranhas, mas adoradas por todos. E há sempre uma liçãozinha de moral ao final de cada um de seus contos. Mundialmente conhecido por suas maiores obras, como Oliver Twist, A Christmas Carol, Um Conto de Duas Cidades e este Grandes Esperanças, essa regra praticamente não muda em cada uma de suas histórias.

Com inúmeras adaptações de seus contos para o cinema e televisão (mais de 250 para dar uma obra de grandeza), em especial A Christmas Carol (ou Canção de Natal, aquela da história dos três espíritos natalinos), ele, de tempos em tempos, recebe mais uma adaptação de seu trabalho. Porém, com este Grandes Esperanças a coisa é um pouco diferente. Com mais de 10 adaptações já na lista, este filme dirigido pelo ótimo diretor mexicano Alfonso Cuarón é uma releitura muito mais livre, aberta e interpretada do que seus semelhantes.

Aqui, Cuarón faz quase o qeu Baz Luhrmann fez com a obra de William Shakespeare em Romeu + Julieta, com Leonardo di Caprio e Claire Danes, porém, acentuando a parte mais sombria e estranha que ele já havia destacado um pouco em A Princesinha e que viria a ser seu teor em produções futuras, como Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban e Filhos da Esperança. Enquanto Luhrmann mostrou o exagero de luzes e cores em Romeu + Julieta, estudo para seu Moulin Rouge!, de 2001, sem alterar os diálogos originais, Cuarón faz o mesmo pelo lado de Dickens, porém, acentuando os contrastes entre luzes e trevas.

Diferente dos dois Oscars do filme de 1946, este Grandes Esperanças é uma enaltação ao estranho e a ausência de lógica, como uma boa obra de Dickens é. Com cenários de beleza nada óbvia, a ambientação da obra em uma realidade retratada nas décadas de 1980 e 1990 muda a perspectiva da obra, mas não sua essência.

Finnegan Bell (Ethan Hawke) é um garoto humilde que, às vezes, trabalha como jardineiro para fazer algum dinheiro. Mora com a irmão Maggie (Kim Dickens) e com o namorado dela, Joe (Chris Cooper). Quando ele vai fazer um trabalho na man~soa da solteirona-maluca Ms. Dinsmoor (Anne Bancroft), ele se apaixona por Estella (Gwyneth Paltrow), menina rica e mimada com quem cresce junto, nutrindo uma paixão platônica arrasadora. Porém, em realidades diferentes, ele sempre fica a sombra da menina e nunca consegue concretizar seu sonho de tê-la em seus braços, servindo apenas para ser atiçado pela crueldade da garota. Separados por anos, depois da adolescência, um benfeitor anônimo o proporciona a oportunidade de ir trabalhar em Nova York, expor seus trabalhos de pintor e ser bem sucedido. E, dessa maneira, ele fica mais próximo de fazer com que Estella, criada para sentir desprezo pelos homens, se apaixone por ele.

Ethan Hawke sempre foi um camarada legal, com bons filmes no curriculum vitae que fazem parte da filmoteca de qualquer romântico que se preze, como Sociedade dos Poetas Mortos, Antes do Amanhecer e Ante do Pôr do Sol. E consegue mais uma vez com Grandes Esperanças, com um papel simples à primeira vista, mas que revela um personagem honesto e mais complexo do que poderia parecer em sua cega obsessão pelo eterno amor platônico.

Sua parceira de cena, a ex-senhora Brad Pitt, Gwyneth Paltrow, é uma graça de pessoa. Mesmo que muitas vezes seja vista como uma profissional "sem sal", ela tem suas qualidade como atriz, mesmo que o seu Oscar de Melhro Atriz por Shakespeare Apaixonado tenha sido um erro enorme da Academia, tendo em vista que Fernanda Montenegro também concorria pelo seu papel em Central do Brasil. Aqui, Paltrow está cruel, seca e etérea como a fonte da paixão do garoto Finn, gerando até certo desprezo e antipatia por parte dos expectadores.

Mas quem rouba a cena (ou as cenas), mesmo em papel secundário, é Anne Bancroft, a eterna Mrs. Robinson, como a solteriona amalucada Ms. Dinsmoor, tia de Estella, que foi abandona no altar, aos 42 anos, por seu noivo. E em uma ponta de luxo, Robert de Niro, sempre ele, se destaca como Lustig, um prisioneiro ajudado por Finn quando criança. Incorporando personagens de grande vigor e presença em cena, eles garantem o tom emocional à trama.

Extremamente teatral, como não poderia deixar de ser, o desenrolar da trama tem um "q" de onírico, principalmente por causa dos cenários, das tomadas mais intimistas e das situações absurdas. Praticamente recitado como uma peça, o filme deve muito à firmeza do diretor e à interpretação no ponto dos ótimos atores.

É uma história de amor como outra qualquer, mas de Dickens. A busca pelo inatingível, o desprezo pelo fácil, a luta pelo que se deseja e o insaciável desejo pelo amor, ou seja, tudo o que gera grandes esperanças. Não deixa de ser uma história crua e cruel (novamente, como toda história de Dickens), mas que vai encantar, e até assustar, alguns corações.

Nota: 7.5/10

Direção: Alfonso Cuarón
Roteiro: Charles Dickens & Mitch Glazer
Elenco: Ethan Hawke & Gwyneth Paltrow & Chris Cooper & Anne Bancroft & Robert De Niro & Hank Azaria
Estréia: Maio de 1998
Gênero: Drama & Romance
Duração: 111 minutos
Distribuidora: Columbia TriStar
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por Felipe Edlinger
30 de julho de 2008
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domingo, 27 de julho de 2008

[MovRev] 60 Segundos

(Gone in 60 Seconds)

Dirigido por Dominic Sena

Nic, Nic, Nic. O que há de errado com você? Um ator de qualidade e competência para estrelar filmes de sucesso que cisma em tentar fazer filmes cool para um público mais abrangente e que, vira e mexe se mete em produções caras e ineficazes. A lista é longa, em especial os mais recentes, como O Sacrifício, Motoqueiro Fantasma e O Vidente. E como não poderia deixar de ser, esta refilmagem do filme de H.B. Halicki, de 1974.

Nicolas Cage é Randall "Memphis" Raines, um especialista em roubo de carros que está afastado da cidade há seis anos. Porém, quando seu irmão Kip Raines (Giovani Ribisi, sem graça alguma), enroscado até o pescoço com um novo mafioso do pedaço, precisa de ajuda, ele corre em seu auxílio e deixa a aposentadoria de lado. Para salvar a pele do irmão, ele tem que conseguir uma façanha enorme, mesmo para o maior ladrão de carros de todos os tempos: roubar 50 carros top de linha em apenas 3 dias. porém, ele não pode fazer nada sozinho e consegue reunir antigos amigos para um último trabalho.

Nicolas Cage, Giovani Ribisi, Angelina Jolie, Delroy Lindo, Timothy Oliphant, Robert Duvall. Atores de calibre grosso e uma porção de carros esportivos de encher os olhos. Não adiantou, mesmo com tantos atrativos, parece que a nova aventura de Randall Raines em uma noite não colou muito. Mesmo com ação rápida, carros em alta velocidade e perseguições de tirar o fôlego, a trama é insossa para um filme que tinha tudo para ser mais um ícone de filmes de carros.

O original consegue ser muito mais charmoso, com direção, roteiro e atuação de H.B. Halicki, que somente fez filmes de carros, que rendeu, inclusive, o roteiro desta produção atual. Coincidente e infelizmente, ele morreu em uma cena de dublês, durante as filmagens da seqüencia do 60 Segundos original, em 1989. E este aqui não tem a principal atração do primeiro, uma cena de perseguição de 40 minutos em que 93 carros são destruídos. Coisa que era (pasmem!) o principal atrativo do filme em sua estréia, três décadas atrás. Impressionante! =)

Todo o charme e atmosfera bacana que apareceu em Velozes e Furiosos (o primeiro claro, não as duas continuações meia-boca), com o carismático Vin Diesel, não aparece por aqui. Nicolas Cage com cabelos claros e arrepiados apenas não é pior do que os implantes de Motoqueiro Fantasma. Angelina Jolie, que tem tudo para ser atração em qualquer filme, está sem graça e deslocada como uma ex-namorada do personagem de Nic Cage. Até mesmo Vinnie Jones, ex-jogador bruto de futebol que despontou nos filmes do inglês Guy Ritchie, marido da Madonna, não consegue o mesmo ar bacana e descolado de suas "performances" anteriores. E Timothy Oliphant em um papel de mocinho é simplesmente errado; ele sempre será o anti-herói.

Dominic Sena, oriundo dos videoclipes de Janet Jackson, apesar de emplacar um filme bacana com Kalifornia, não repetiu o mesmo neste 60 Segundos. Depois dele, conseguiu um produto diferenciado com Swordfish - A Senha, de 2001. Também, com John Travolta, Hugh Jackman, Hale Berry, Don Cheadle, Sam Shepard e Vinnie Jones, o trabalho de "fazer porcaria" fica um pouco mais difícil. Mas depois deste, nada mais até agora.

O roteiro, baseado no original de H.B. Halicki, não consegue empolgar, com exceção das poucas cenas de perseguições, como a final de Nicolas Cage versus Delroy Lindo.

A trilha sonora é um dos poucos pontos que não merecem críticas, além de um comentário do tipo "excelente!". Inclui sucessos de The Cult, Moby, Groove Armada, The Chemical Brothers, Ice Cube, DMX. De rap a música eletrônica, consegue emoldurar muito bem as cenas de ação que permeiam as melhores (?) partes da trama.

O destaque, realmente, vai para os carros de Randall Raines. De Ferraris a Mercedes Benz modernosas, passando por Hummer, Jaguar e Cadillac, a coleção de máquinas é um colírio para os olhos de quem gosta de quatro rodas. A pérola é Eleanor, principal carro a ser roubado por Nicolas Cage, um Mustang Shelby GT-500, de 1967. Para tanta coisa fora do lugar, uma simples corrida dentro do clássico tesouro vale a viagem.

Nota: 4/10

Direção: Dominic Sena
Roteiro: H.B. Halicki & Scott Rosenberg
Elenco: Nicolas Cage & Giovanni Ribisi & Angelina Jolie & Delroy Lindo & Timothy Olyphant & Robert Duvall & Vinnie Jones
Estréia: Agosto de 2000
Gênero: Ação & Crime
Duração: 117 minutos
Distribuidora: Touchstone Pictures
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por Felipe Edlinger
27 de julho de 2008
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