...e assim caminha a humanidade...

"Não tenha medo da perfeição. Você nunca vai atingí-la." (Salvador Dali)
"Et quacumque viam dederit fortuna sequamur." (Virgílio)
"Always think about a coloured tequila sunrise life." (Felipe Edlinger)
"Foda-se a balada, o que importa é a companhia." (Felipe Edlinger)
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sábado, 11 de julho de 2009

[Cron] A Ilusão que Não Vemos

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por Felipe Edlinger
11 de julho de 2009
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A pureza da alma. O bem de todos. O copo estar sempre meio-cheio. O benefício da dúvida. Todos merecerem uma segunda chance. A verdade estar em primeiro lugar. O amor romper fronteiras.

Eu acreditava.

A cicatriz do cigarro corrompeu a alma. Partiu o coração. Devastou a mente.

Desisti da pureza. Generalizei. Derramei a última gota. Duvidei da honra. Perdi a esperança na felicidade. Questionei a honestidade. Desacreditei no amor. Rompi os sonhos.

De qualquer maneira, perdi.

Repenso se o mundo pode ser realmente melhor.
Eu perdi a fé... só espero reencontrá-la em algum lugar...

segunda-feira, 22 de junho de 2009

[Cron] 22:22

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por Felipe Edlinger
22 de junho de 2009
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- Eu não entendo...
- Não tem o que entender, é assim e pronto!
- Mas a gente tem que procurar um meio termo, ser um casal é ter flexibilidade...
- Pensamento de solteira sempre!
- Pensei que você me amava...
- Nunca precisei de você!
- Só por você pedir, eu tentava me adequar, pra te fazer feliz...
- Então você não tem personalidade!
- Olha o que você está dizendo...
- Me sinto pressionada demais por você!
- Como assim... a única coisa que eu te pedi até hoje foi para tentar entender o pensamento dos outros, também...
- Não está feliz assim?! Então sai andando!
- Mas eu quero te ajudar...
- Não preciso da sua ajuda! Não quero dois pais!
- Não posso ficar sem você...
- Cansei de seus exageros!
- Sempre fiz tudo pra te agradar...
- E quer saber de uma coisa?! Nunca fui tão maltratada por alguém!
- Vou continuar tentando, ainda tenho fé em você...
- Isto é uma opção sua!
- Bom... isto quem decide sou eu...*

* Não, necessariamente, um caso fictício... infelizmente...

quarta-feira, 2 de julho de 2008

[Cron] A Falibilidade da Perfeição

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por Felipe Edlinger
02 de julho de 2008
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- O quê? Bia, quem é esse cara? O que vocês estão fazendo?
- Ah, oi Lucas...
- Oi?!? Vocês estavam se beijando?!?
- Douglas, acho melhor você ir embora, ok?
- Então o safado tem um nome!!!
- Não esquenta Lucas, ele já foi...
- Não esquenta? Eu pego você me traindo na cara dura e não esquenta?
- Não vem não, você também já fez isso...
- Eu? Eu nunca te traí na vida! Aliás, eu nem, ao menos, olhava para outras mulheres!
- Lucas, você sempre chegava atrasado em nossos encontros...
- Nossos encontros? Eu sempre chegava meia hora antes! Você é quem sempre atrasou!
- Mas você nunca me agradava...
- Eu te dava bombons e flores, vez sim, vez não!
- Mas você era abusado demais...
- Nunca passei a mão em você quando estávamos começando a namorar. Sempre queria saber se estava legal pra você!
- Mas a gente vivia de mal...
- Eu sempre fui atencioso com você, não me lembro de ter levantado a voz uma única vez! Nem ao menos brigava com você por causa das suas saídas com suas amigas!
- Mas você saía sempre com seus amigos, também...
- Bia, eu deixava de jogar bola com meus amigos no domingo pra ver TV com você! E você sabe como eu sou fanático por futebol!
- Mas eu lembro das suas histórias de noitadas...
- Ah, tá! Eu parei de beber cerveja por sua causa, por que achava que você se importaria! Cerveja!
- Mas você nunca foi muito flor que se cheirasse...
- Bia, aí já é demais, eu nem ao menos tenho tatuagens. Nunca usei piercing. Nem brinco eu tenho!
- Mas você não gostava da minha família...
- Eu passava mais tempo na sua casa do que você! Eu via jogos na TV com seu pai, cozinhava com a sua mãe, ajudava seu irmão mais novo com a tarefa de casa!
- Mas você...
- Mas o quê, Bia? Juro que não te entendo! Eu fiz de tudo para te agradar! Você tinha o homem perfeito nas mãos!
- Ah, Lucas, quer saber? Esse é o problema! A perfeição é uma merda!!!

sexta-feira, 2 de maio de 2008

[Cron] When You Stop Drinking at Night Clubs

Recentemente, fiz uma promessa que consistia em parar de beber da maneira como eu bebia antigamente. Não que eu seja um bêbado inveterado, daqueles que bebem todos os dias, muito pelo contrário, eu era um bêbado que apenas bebia em dias de festas e baladas, no máximo, uma vez por semana.

Porém, tive meus motivos e os considero mais do que justificáveis, afinal de contas, cada um na sua, mas com alguma coisa em comum (ops, já vi isso antes...). E, de qualquer maneira, não devo satisfações à ninguém e, caso alguém pergunte o porquê das minhas decisões, o mundo terá ganhado mais uma pessoa curiosa.

Como tenho orgulho e realmente consigo perceber melhoras no meu estado, em festas ou não, continuo com a promessa de pé, mesmo depois do prazo de validade ter expirado. E, depois de mais de dez meses de resolução confirmada, aprendi algumas coisas que deveriam ser de domínio público, especialmente daqueles que se acabam nas pistas de drinks... ops, de dança...

Quando você pára de beber nas festas e baladas da vida, você começa a enxergar o mundo noturno por outros olhos, e as coisas parecem ser únicas, e não mais multiplicadas por dois, três ou, em casos extremos, quatro vezes, dependendo de quanto você bebeu naquela noite.

Algumas coisas são engraçadas, outras, nem tanto. Outras, ainda são inexplicáveis e você se pega perguntando como era possível fazer coisas que, agora, você percebe que são ridículas.

Uma coisa que você começa a perceber, para sua infelicidade, é que as pessoas, normalmente, são mais feias do que você lembra no dia seguinte. A velha história do "não existe gente feia, você é que bebeu pouco". Sim, é verdade. As pessoas feias procuram sempre os bêbados, é praticamente uma lei, e os bêbados acabam ficando com essas pessoas feias, simplesmente pelo fato que eles juram ser modelos. Quando você para de beber, você fica intrigado com aquela baranga (ou aquele "barango", no caso das meninas) que continua a te olhar durante a noite toda. Tudo leva a crer que vocês já se conhecem, mesmo que sua memória vá longe e não retorne nenhum resultado. É a vida. Isso sem contar com as pessoas ainda mais feias, que se acham os reis e rainhas do pedaço. Ledo engano, elas só se fazem de difíceis porque não existe outra opção.

Outra coisa interessante é que você começa a entender a musicalidade do ambiente. Na verdade, você compreende que as letras das músicas, mesmo daquelas mais clássicas que todo mundo conhece, são muito mais complicadas do que antes. Mesmo assim, você tenta acompanhar e você se vê fazendo papel de idiota. A banda nem sempre é boa e comete muitos erros na passagem de som e, mesmo assim, todo mundo (os bêbados) estão pulando e cantando a letra errada. E você acha tudo isso engraçado, é claro!

É normal, às vezes, você se revoltar porque existem pessoas que tentam se passar por levantadores de copo de primeira categoria, afinal de contas, você era o cara (ou a cara) que conseguia matar doses e doses e não entrar em depressão logo nas primeiras horas de casa noturna. Para falar a verdade, você já chegava "calibrado" com seus amigos, certo? Mas existem pessoas que gostam de chamar a atenção de outra maneira, como aquele camarada que pede tequila (todo mundo olhando: "uau, ele bebe tequila!"), bebe a dose de gole em gole, não sabe onde coloca o sal ou quando ele deve chupar o limão. Amador. Mas você não bebe mais, lembre-se disso.

Ainda existem aqueles outros que compram um balde de energéticos com uma garrafa de vodka, que custa dez vezes mais do que em um supermercado, achando que vão atrair mulheres com isso. No final, só chamam mais homens para a rodinha. Mas, disso, você já dava risada, mesmo quando bebia bastante. E a sorte, é que agora você não acaba passando mal perto das pessoas, mas corre um sério risco de ter alguém passando mal ao seu lado, como os caras do baldinho.

É verdade que agora você divide mais seu tempo entre a pista de dança e o toilete. Apenas porque você não compra mais os drinks elaborados ou as cervejas long neck de antes, mas sim, sucos, águas e refrigerantes que, com certeza, acabam mais rápido. E mais, você, hoje, sabe como é o banheiro porque você entra sem ajuda dos outros e consegue se manter em pé lá dentro sem se escorar com os ombros em um biombo ou com a cabeça em uma parede. E, agora, ah, agora, você percebe que existem pés saindo por baixo das cabines do banheiro, que só podem significar uma coisa: alguém acabou de conhecer o Hugo.

Quando você se dá conta, você gastou muito menos do que de costume e ainda precisa perguntar quanto falta para acabar sua consumação porque a sua água é quatro vezes mais barata (ou seria meno cara) do que seu drink favorito.

Infelizmente, você fica um pouco mais irritado com os empurrões, os "chega-pra-lá", os tapinhas no ombro pedindo passagem e as duas mãos no peito te afastando do seu lugar. Essa parte é ruim porque você vê que as pessoas são mal educadas, mesmo, e você não curte ser feito de João-bobo enquanto fala com seus amigos.

Agora, sua felicidade se resume a risos em qualidade e não mais em quantidade. Você percebe que quando você bebia você ria de tudo que as pessoas diziam, o que, provavelmente, você não havia entendido, ou que você não se lembrou nas horas seguintes, muito menos nos dias que se sucederam. E, hoje, você continua sem nenhuma pista. Seus passos de dança são menos extravagantes e cabem em um espaço de apenas um metro quadrado, mas você curte mais do que antes porque você fica junto a seus amigos.

Aliás, você fica mais tempo com seus amigos, afinal de contas, eles são seu porto-seguro em qualquer lugar, independente de quão bem ou mal você esteja, de quão engraçado você seja ou que tipo de dançarino você se torna durante a noite. E você começa a valorizar isso cada vez mais. E, na saída, você ainda se lembra da menina com quem conversou e até pede o telefone dela. Você diz boa noite para a menina do caixa e não se debruça sobre ela para falar que não quer os 10%. Você ainda cumprimenta o segurança e faz comentários engraçados sobre as tribos dos bebedores de cachaça. E ele ri.

Você não perde seu cartão de consumação, sua carteira, seu dinheiro ou seu cartão de crédito, muito menos as chaves do carro ou as de casa. Você sabe em qual bolso está cada item do seu inventário e não tem problemas com "dinheiro de bêbado". Você não oferece mais a sua própria carteira para que o flanelinha tire uma nota (porque você não consegue distinguir) e você o paga honestamente, nem muito, nem pouco. Apenas o justo.

No final, você se diverte mais, gasta menos e consegue chegar em casa muito mais cedo e rápido do que de costume, agora você se lembra do caminho.

Você percebe, no dia seguinte, que o acordar vem com mais disposição e não enfrenta nenhum problema de enxaqueca, ressaca ou amnésia alcoólica do dia seguinte. E viva a balada abstêmia!

Felipe Edlinger
03 de maio de 2008

terça-feira, 15 de abril de 2008

[Cron] Mãe é Foda (L. F. Veríssimo)

Mãe é Foda
LuísFernando Veríssimo (será?)

Mãe: Alô?
Filha: Mãe? Posso deixar os meninos contigo hoje à noite?
Mãe: Vai sair?
Filha: Vou.
Mãe: Com quem?
Filha: Com um amigo.
Mãe: Não entendo porque você se separou do teu marido, um homem tão bom...
Filha: Mãe! Eu não me separei dele! ELE que se separou de mim!
Mãe: É... você me perde o marido e agora fica saindo por aí com qualquer um...
Filha: Eu não saio por aí com qualquer um. Posso deixar os meninos?
Mãe: Eu nunca deixei vocês com a minha mãe, para sair com um homem que não fosse teu pai!
Filha: Eu sei, mãe. Tem muita coisa que você fez que eu não faço!
Mãe: O que você tá querendo dizer?
Filha: Nada! Só quero saber se posso deixar os meninos.
Mãe: Vai passar a noite com o outro? E se teu marido ficar sabendo?
Filha:Meu EX-marido!!! Não acho que vai ligar muito, não deve ter dormido uma noite sozinho desde a separação!
Mãe: Então você vai dormir com o vagabundo!
Filha: Não é um vagabundo!!!
Mãe: Um homem que fica saindo com uma divorciada com filhos só pode ser um vagabundo, um aproveitador!
Filha: Não vou discutir, mãe. Deixo os meninos ou não?
Mãe: Coitados... com uma mãe assim...
Filha: Assim como?
Mãe: Irresponsável! Inconseqüente! Por isso teu marido te deixou!
Filha: CHEGA!!!
Mãe: Ainda por cima grita comigo! Aposto que com o vagabundo que tá saindo contigo você não grita.
Filha: Agora tá preocupada com o vagabundo?
Mãe: Eu não disse que era vagabundo!? Percebi de cara!
Filha: Tchau!!!
Mãe: Espera, não desliga! A que horas vai trazer os meninos?
Filha: Não vou. Não vou levar os meninos, também agora não vou mais sair!
Mãe: Não vai sair? Vai ficar em casa? E você acha o que, que o príncipe encantado vai bater na tua porta? Uma mulher na tua idade, com dois filhos, pensa que é fácil encontrar marido? Se deixar passar mais dois anos, aí sim que vai ficar sozinha a vida toda! Depois não vai dizer que não avisei! Eu acho um absurdo, na tua idade você ainda precisar que EU te empurre para sair!

quarta-feira, 2 de abril de 2008

[Cron] Os Tipos da Balada


- Queridaaaaaa!!!
- Flavinha, menina, que prazer em te ver!
- O que você tá fazendo aqui, fofa?
- Amiga, que pergunta é essa? Eu tô curtindo a festa, ué!
- Verdade, Júlia, que idéia a minha...
- Mas e você, aposto que tá curtindo, lógico! Você sempre causava nas baladas!
- E continuooo! Só que hoje vim aqui só pra desanuviar a cabeça...
- Você tá sozinha aqui?
- Pois é, tô sim...
- Quem diria, hein, Flavinha?
- Sabe como é, né, Ju... trabalho, faculdade, família...
- É, eu sei, de vez em quando faz bem, né?
- ô, se faz... e você, também tá sozinha?
- Bem, acho que agora eu não tô mais!!!
- Brigada, querida! Mas você veio sozinha?!?!
- Que nada, Flavinha, vim com um amigo meu, o Cris, você conhece?
- O Cris, alto, moreno, de olhos claros?
- Esse mesmo!
- Gatíssimo, claro que conheço! E cadê ele???
- Então, deve estar por aí... Chegamos não faz meia hora e ele já se enroscou com alguma sirigaita...
- Ah, se fosse comigo...
- Mas você não veio só pra curtir, dar uma espairecida???
- Ah, vim, né, amiga... Mas sabe o esquema, né? Se pintar uma oportunidade, ainda mais se for gatinho... tipo o Cris...
- Ih, mulher, esquece o Cris, ele nunca te deu bola, mesmo...
- Eu sei... uma pena...
- Mas tem muito mais gatinhos por aqui!
- Que nada, até agora não vi nada que prestasse...
- Nossa, e aquele ali, o que você acha?
- Qual?
- Ali, olha só. Aquele alto e loiro.
- Bonitinho, mas pegajoso!
- Pegajoso, como assim, mulher, conhece ele?
- Não, mas ele é do tipo que fica puxando mulher pelo cabelo... Ridículo!
- Não brinca!
- Quer ver, troca de lugar comigo e fica de costas pro corredor.
- Tá bom.
- Ele vem vindo, você vai ver...
- ...
- ...
- Eiii, moleque, tá doido!?!?!?!
- Hehehe...
- Larga o meu cabelo, seu brutamontes!!!!
- Não falei, eu te disse!!!
- Nossa, que furada...
- Eu te disse...
- Oi, tudo bom?
- ???
- Nada, aquele cara ali fica me olhando...
- Ah, não liga, tem de monte assim!
- Aquele outro ali parece ser gente boa, e também é ajeitadinho.
- Ihhh, menina, esse é nerd!
- Como você sabe, ele tem estilo, calça xadrez, cabelo espetado...
- Olha o óculos dele, mulher!!! Não tem como confundir!!!
- Não é possível, eu vou lá falar com ele...
- Tenta a sorte então, vai precisar!
- ...
- ...
- Não acredito, você é foda! Acredita que a primeira coisa que ele me perguntou era se eu já tinha ouvido falar do blog dele?!?!?!
- Na mosca!
- Que merda é um blog???
- História pra outro boteco, amiga...
- Tô vendo que nesta balada não rende nada, mesmo...
- Demorou, hein! Hehehe...
- Hmpf...!!!
- Olha só o outro ali no canto!
- Aquele que já tá no mundo da lua?
- Esse mesmo!
- O que tem ele?
- Conta comigo quantas meninas ele tenta pegar!
- ...uma
- ...duas
- ...três
- ...quatro
- Meu Deus! ...cinco
- ...seis... sete...
- Deixa pra lá, vamos ver outro... Se nem ao menos uma de sete deu bola, não pode ser boa coisa...
- Ei, tá olhando o quê, hein, meu?!?!?!
- De novo, o mesmo cara?
- É... Não para de me encarar...
- Bêbado é uma merda!
- Que tal aquele ali?
- Tá de brincadeira?
- Por quê?
- Olha só no pescoço dele!
- O quê? Aquela correntinha?
- Correntinha?!?!? Esse, com certeza, veio de bike pra balada!!!
- Hahahahaha, de bike!!!!
- E veio ele e mais a turma dele... olha só quantos!!!
- Hahahahaha, eu lembro do meu irmão... ele falava que quando ele saía de bicicleta, ele tinha que tirar o selim, ou a roda, pra não roubarem...
- Pois é, esses aí tiraram a corrente pro ladrão não poder pedalar!!!
- Ai, ai, me mata de dar risada!!!
- E ainda acham que estão abafando... esses meninos...
- Pensando por esse lado, é ridículo, mesmo...
- E aquele ali, cantando todas as músicas?
- Hmmmm...
- Hmmmm, o quê?
- Gato...
- E...
- Ah, tá em um mundinho só dele, nem olha para os lados...
- E parece ser meio metido... Olha a mulherada dando mole, e ele, nada!
- Verdade...
- Pior aquele ali que também tá cantando todas as músicas...
- Nooossa, ele canta tudo errado!!!
- Olha lá, a música parou e ele continua!!!!
- Hahahaha!!!
- Cada um que aparece... Mas o importante é ser feliz!!! Hehehe
- Ihhhhh, olha o tiozão tentando se dar bem!!!
- Nossa!
- É fogo, né...
- Que nada, eu conheço ele!!!!
- Conhece?!?! De onde?!?!? Da balada?!?!
- Que nada, é amigo do meu pai!!!!
- Séééériooo???
- Casado, dois filhos, mora em Sampa...
- Não acredito...
- Fica vendo...
- O quê???
- ...
- ...
- ...
- Caracas, o que você fez?!?!
- Botei ele pra correr, isso, sim!
- Como???
- Cheguei por trás dele e falei no ouvido dele que ele é muito gato. Daí já viu, né? Se achou o pegador e nada hora que me viu, perdeu até a cor...
- Que maldade...
- Maldade é pai de família ficar pagando de gatinho na balada!
- Isso é...
- Querida, muito bom conversar contigo, mas...
- Ahhhh, você de novo!?!?! Me dá sossego, garoto!!!
- Que foi...?
- Aquele mané que fica me encarando...
- Peraí... SEGURANÇA!!!!
- Não exagera...
- É aquele ali, ó! Não deixa a gente em paz, e tá incomodando muito... Manda ele pra fora, poxa!!!!
- Não precisa fazer isso...
- Brigadinha, Marcelo!!!!
- Afffee... Como você é, hein...
- Querida, se ele quiser vai ficar vendo TV de cachorro na frente de padaria, aqui não!
- Você é demais!!! Te adoro!!!
- Bom, Ju, tá bom demais conversar contigo aqui, a música tá boa, mas acho que não vai render nada de bom... Tô indo embora...
- Eu vou com você, também não tô mais a fim de ficar aqui, e o Cris sabe se virar, ele pega carona...
- Ah, se fosse comigo...
- Hahahaha, desencana!
- Vamos indo?
- Claro, vou pagar no cartão...
- Afffeee, olha só aquele ali passando mal... todo vomitado... eeeecaaaa...
- Nojento... iiirc...
- Oi, ah, pode ser no débito, mesmo...
- O meu, também!
- Meu Deus, e olha o outro ali, parece até que tá violentando a menina!!!
- Como que pode uma menina deixar isso...
- Vixe, ela tá quase ficando sem roupa...
- Não quero nem ver!
- Boa noite, Marcelo, a gente se vê por aí, na semana que vem!
- Boa noite...
- ...
- ...
- Querida, foi ótimo te ver!
- Eu digo o mesmo!!!
- Bom, pena que a qualidade hoje não tava tão alta, né?
- Paciência, eu vim só pra acompanhar o Cris, mas fiquei na mão, também...
- É, não tem problemas, eu só vim me divertir... e foi divertido pra caramba!
- Beijinho, amiga!
- Até, fofa!

No dia seguinte:
- Flavinha, de pé tão cedo?
- Oi, Juuuu, tenho que fazer compras... sabe como é morar sozinha, né?
- Claro que sei, nem me fale... e ontem, o que achou da baladinha?
- Demaaaaaissss!!!!
- Gostou, então?
- Como poderia não gostar? Cada gatinho que você viu, né!!! Não sei como não fiquei com ninguém... Acho que foi só porque eu tava com você, quis te fazer companhia.

(Liv, muito obrigado pelo brainstorming... hehehe)

Felipe Edlinger
02 de abril de 2008

segunda-feira, 31 de março de 2008

[Cron] O absurdo dos caixas preferenciais

Mais uma da série "Absurdos da Vida" e, por coincidência, novamente em um supermercado.

Não me levem a mal e não pensem que sou um cara todo certinho e santo. O primeiro, creio que não sou nunca, inclusive acredito que eu erre muito mais do que qualquer outra pessoa; o segundo, nunca fui. Já fiz algumas merdas na vida, mas da maioria me orgulho e não me arrependo.

Apenas gosto das coisas nos seus devidos lugares e não aprecio pessoas que procuram tirar proveito de outras que não são tão espertas. Porém, quando as espertinhas são pegas em flagrante, e posso presenciar o fato, meu dia está ganho.

Foi mais ou menos isso o que aconteceu hoje, mais ou menos às 22h, de uma segunda-feira nublada. Já revoltado com a situação dos carrinhos de supermercado, sempre vou às compras tarde da noite, no limite do horário de fechamento para não enfrentar filas imensas e pessoas estressadas.

Infelizmente, para minha tristeza (o que faz parte da vida, reconheço), todos os caixas estavam lotados e o caixa rápido, como de costume, é rápido apenas no nome, mesmo. Tédio e insatisfação consumados nos primeiros minutos de espera, eis que visualizo o tão cobiçado caixa preferencial, para gestantes, mulheres com crianças no colo, deficientes e idosos, quase vazio.

A razão pesa um pouco quando já são 22h, no começo maçante de mais uma semana. Penso em ir ao caixa, uma vez que há pessoas poucas pessoas, mas resisto a tentação e deixo a ética falar um pouco mais alto, uma vez que havia senhoras de idade e mães com filhos naquela fila.

Acabo caindo em um caixa normal, com uma estagiária em treinamento que, demora, pelo menos, 20 minutos para atender 3 pessoas com poucos produtos nas cestinhas de compras. É aí que, um pai e uma mãe, fanfarrões de marca maior, entram na fila do caixa preferencial, com um filho marmanjo de cerca de 17 anos de idade, fazendo graça ao simular carregar o filho nos braços para alegar que têm uma criança de colo. E, depois disso, a fila do caixa preferencial começou a encher como a do caixa rápido.

Quando, finalmente, consigo passar meus produtos, sendo o mais educado possível, falando "boa noite" e "como vai", ganhando a simpatia da atendente, eis que nos deparamos com uma cena engraçada, mas também, revoltante.

O casal bonachão estava quebrando o maior pau com a atendente do caixa preferencial porque ela não queria passar as compras deles. Por quê, vocês perguntam? Simplesmente, porque havia mais 4 pessoas na fila que faziam parte do público preferencial. Nada mais justo.

E, a partir daí, o bicho começa a comer solto, com discussão, vozes alteradas, chiliques, tudo da parte do casal fanfarrão. Enquanto isso, a atendente e o supervisor dela, que já havia sido acionado, não mudando o discurso. "Vocês não podem passar neste caixa, independente se quando vocês chegaram não havia ninguém atrás de vocês. Agora tem.", era a frase clara proferida pela coesa atendente. E o casal paspalho indignado ao extremo, como se tivessem razão na situação.

Coitado foi o filho dos dois, passando vergonha, sem saber onde se esconder frente a baiana rodada em pleno supermercado, no centro de atenção de todos os outros caixas. Lembro-me de escutar que ele queria entra em uma fila normal, como na que eu estava. Porém, os pais queriam tirar alguma vantagem, com o famoso jeitinho brazuca de ser, que tanto nos vangloriamos, mas que nem sempre ajuda a nosso favor.

Então, é aqui que mora a questão: por quê precisamos sempre tirar vantagem de tudo? Por quê esse casal entrou em um caixa preferencial sem fazer parte do público-alvo? Sendo que eu passei minha compra primeiro do que eles, sem contar o tempo do barraco a lá novela das 20h.

Não sei, não sou dono da verdade. Apenas tenho consciência de que isso é uma febre, com pais, mães, irmãos, até avós, e principalmente amigos tirando vantagem de outros porque eles simplesmente podem. Imaginem os desconhecidos, então. Que atitude mais sem nexo, sem postura correta... O que ganhamos com isso?

É onde tudo começa: ganhar no troco errado e não falar, ganhar na não cobrança do aluguel do filme, ganhar na esperteza de passar outra pessoa pra trás. E onde o mundo vai parar é o que me pergunto. Não sei a resposta, mas tenho certeza de que isso tudo se encaixa na mesma classe de atitudes que nossos amados políticos tanto fazem no Planalto e que tanto abominamos: sacanagem. Apenas em proporções menores.

Independente de gênero, número e grau, o crime é o mesmo tipo para todos, seja tirando vantagem aqui ou ali, o princípio é o mesmo, roubar no troco ou em milhões de dólares, furtar uma bala ou o lugar de alguém na fila, tudo começa de baixo para que que possamos fazer a coisa certa quando chegamos lá em cima. Ou a coisa errada, como fizemos lá trás.

Felipe Edlinger
31 de março de 2008

domingo, 23 de março de 2008

[Cron] O absurdo dos carrinhos de supermercado

Hoje é domingo, pouco depois das 22h e acabei de chegar de um feriadão prolongado de Páscoa. Após uma deliciosa viagem ao litoral, enfrentamos a cansativa tarefa de retornar para casa junto de inúmeros outros trabalhadores que enfrentaram algumas horas para chegar à praia.

Depois de cansaço, impaciência das pessoas com o trânsito, buzinadas de final de semana, farofada na praia, abusos de motoristas embriagados (e outros nem um pouco), inconseqüências de jovens, adultos e idosos, irritação de todos os tipos de pessoas e irresponsáveis de todos os números, gêneros e graus, ainda tive a enorme força de vontade de fazer algo que normalmente fazemos nos dias de semana ou nas manhãs dos sábados: compras em supermercados.

Então resolvo adiantar um pouco a segunda-feira vindoura e fazer uma compra rápida, sem dor, sem filas e sem a lerdeza dos supermercados nos dias de semana.

A minha expectativa era única de supermercado vazio, assim como o estacionamento e os caixas para pagamento. Infelizmente, apenas 66% dela foram realizados. Quando me deparei com a situação do estacionamento do supermercado às 21h30 deste domingo, percebi que algo estava errado; não com o supermercado ou o estacionamento em sim, mas com a nossa sociedade.

Quase todas as vagas perto das entradas do estabelecimento estavam ocupadas, não por carros ou motos, mas por carrinhos de supermercado. Um carrinho atrás do outro, inclusive aqueles em que é possível colocar crianças para uma compra divertida com elas. A cena mais parecia um holocausto dos melhores filmes de Hollywood, quando as cidades foram abandonadas após um grande cataclismo. Era impossível estacionar um veículo de verdade devido a número absurdo desses acessórios de compras parados (jogados seria a palavra correta!) em lugares não devidos.

Independente se o lugar é um Carrefour, um Pão de Açúcar, um Extra ou quaisquer mercadinhos de bairro, a questão não é específica dos estabelecimentos, mas das pessoas que o utilizam e que fazem esse tipo de absurdo por onde passam.

Fiquei imaginando se seria falta de educação, ignorância, cara de pau, pressa ou pura filhadaputice, mesmo, que levam as pessoas a fazer isso. Utilizar um recurso praticamente público, que outras pessoas virão a utilizar da mesma maneira, e depois largá-los, como que não tivessem mais nenhum valor, no meio das ruas do estacionamento, no meio de outras vagas, até mesmo na entrada do supermercado, mas poucos nos devidos lugares.

Imaginei que talvez tivesse sido apenas um lapso de final de feriado, porém quando entro no supermercado, não consigo nem visualizar onde estão as cestinhas de compras, utilizadas por aqueles que não comprarão tantos produtos para utilizar um carrinhos de compras. Todas se encontravam jogadas em frente aos caixas ou nos corredores dentro do supermercado, menos no lugar destinados à elas.

Mais um sinal de desrespeito, sem contar a enorme quantidade de carrinhos vazios ou de carrinhos com alguns produtos abandonados nos corredores do estabelecimento.

Porém, ainda me surpreendi (quantas surpresas para um final de noite) quando estava procurando os produtos de minha lista de compras. Encontrei algumas mercadorias um pouco estranhas em lugares inusitados, como absorvente íntimo junto às sopas instantâneas, mouse de computador no meio dos amaciantes de roupas, e até extrato de tomates no meio de sabonetes. Bem, talvez seja apenas uma nova fragrância...

Quando penso um pouco mais à respeito disso tudo, um certo sentimento de raiva chega a me consumir devido a tamanha insuficiência cerebral por parte de algumas pessoas. Não creio que seja um problema social, de cores ou credos, mas sim, de educação pura e bom senso simples!

Algumas pessoas podem dizer que tudo isso é relativo, porém acredito que certas coisas sejam óbvias demais para não serem levadas em consideração. Pergunto-me ainda, se a casa de cada pessoa reflete seus atos. Se não, realmente é uma falta de respeito para com o próximo, o que já mostra um certo comportamento Neanderthal. Se sim, sinto muito, mas a pessoa infelizmente já deve ser um homem das cavernas.

Depois, o discurso que vemos todos pregarem é o da sustentabilidade, do respeito mútuo, do conceito de reciclagem e de fazer a sua parte. Se para coisas tão simples como esta de guardar carrinhos de compras e produtos em seus devidos lugares, após utilizá-los ou não comprá-los, as pessoas não o fazem, imaginem para para algo que implique no futuro do nosso pobre mundinho. Se me dissessem que fazem isso porque outras pessoas são pagas para arrumar suas bagunças, diria apenas que é o pensamento mais escroto que podem ter.

Se as pessoas se sentem bem quando alguém desfaz seu trabalho e depois precisam refazê-lo uma vez depois da outra, até darei razão para essas pessoas. Porém, duvido que um número minimamente considerável de pessoas se comporte dessa maneira.

O pior é saber que existem pessoas que pensam "ah, mas fui somente eu que fiz". Mas, na verdade, foi apenas ela e a torcida de um time de futebol toda. E, desta maneira, estaremos todos, com o perdão da palavra, ferrados! E tudo isso porque era um feriado, dia em que o movimento é bem menor do que os dias normais de semana.

Bem, como não adianta nada fazer discurso sem ação e, para completar meu raciocínio, não apenas fiz a minha parte em arrumar o que utilizei, como também levei mais três outros carrinhos, que se encontravam perto do meu carro, para a área deles. Cada um faz a sua parte, mas também nos vemos na necessidade de fazer a parte dos outros, também. Mais ou menos como dirigir defensivamente.

E no dia em que não existirem mais assaltos, ou seqüestros, ou ainda lixo sem ser reciclado; daí, talvez, apenas talvez, acredito que as pessoas não largarão mais produtos e carrinhos de supermercado fora de seus devidos lugares.

Felipe Edlinger
23 de março de 2008

segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

[Cron] Mais um ano se vai... e porque não, Feliz Natal e Próspero Ano Novo!!!!

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por Felipe Edlinger
31 de dezembro de 2007
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Outra estação se foi e estou vendo, uma vez mais, os longos e ensolarados dias de verão chegarem. Logo, as águas os levarão de volta e o ciclo se reiniciará novamente.

Nem sempre pensamos nos efeitos que um simples final de ano tem sobre nós e sobre nossas vidas. Nem sempre pensamos em como as pessoas que nos cercam planejam começar a nova fase, em que promessas fizeram, em que desejos apostarão suas fichas, em qual futuro se fará realidade nos próximos dias.

Hoje é um dia para reflexões, para o balanço anual de pensamentos que guiará nosso amanhã. Ou pelo menos, deveria. Ultimamente, passamos por situações tão contrastantes que me pergunto o valor de tudo o que nos ocorreu neste último ano. Somente sei que nos vale de aprendizado.

Foram momentos alegres, e alguns tristes e assustadores, que chegaram com a velocidade de um choque. E alguns deles, permanecem gravados como imagens recentes em nosso córtex. Para o bem ou para o mal. Creio que para o bem. A vida é feita de experiências e o que elas nos trazem de melhor são os ensinamentos raros, muitas vezes imensuráveis. Se algo foi bom, faça novamente; caso contrário, pense diferente, e melhor.

Não gosto de pensar e discutir sobre o que é certo e o que é errado porque isso depende do repertório e das crenças de cada um de nós. Porém, o balanço que fazemos ao final de cada dia é o que nos diz o nosso caráter. Sintam-se bem consigo mesmos.

Gosto de pensar que a vida é um equilíbrio entre forças, portanto não teremos a vida perfeita porque isso faz parte de uma ilusão e, cá entre nós, não teria a menor graça se conseguíssemos tudo sem esforços. E também se alegrem porque o marasmo nunca será eterno. Sem hipocrisia alguma, dias melhores virão. De uma maneira ou de outra, é um grande motivo para sorrirmos sempre.

Natal e o novo ano são, para mim, momentos de tristezas e alegrias. A dubiedade é facilmente explicável; quando um ciclo se fecha, uma parte de nós morre para sempre, mas ao novo início, a renovação trás forças suficientes para um recomeço ainda melhor. Mas as lembranças permanecem e elas também nos fazem continuar, nos fazem olhar para o futuro, nos fazem encarar novos desafios.

Cada momento de tristeza é suplantado por outros de imensa alegria; cada amigo que se vai entrega as chaves para mais outros tantos que ainda não conhecemos; cada decepção é apenas um motivo para nos surpreendermos cada vez mais; cada coração que se parte encontra a cura em mais uma nova paixão.

Tudo isso faz parte de algo que sempre desejo a todos: felicidade. Em minha singela opinião, felicidade é o resumo de tudo que podemos desejar em nossa existência; de grandes amores a dinheiro no bolso, de viagens de férias a bolinhos de chuva, de sucesso na carreira a cheirinho de bebê novo, de animais de estimação a um bom livro, de filmes clássicos a um abraço honesto de amigo. Sucesso. Sucesso na vida. É isso!

Além disso tudo, felicidade é tentar ser melhor, com sinceridade. Cultivar os poucos e bons amigos e fazer de tudo para que eles não deixem de ser importantes para nós. Pensar melhor antes de tecer comentários sobre pessoas com as quais nos importamos. Encarar as conseqüências de nossos atos como pessoas responsáveis. Deixar transparecer quando gostamos de alguém. Cumprir nossas promessas ou, ao menos, tentar verdadeiramente torná-las realidade. Aprender com nossos erros, avaliar nossos deslizes e tentar não voltar a fazê-los. Eu tentarei, mais uma vez.

Façam planos, alguns mirabolantes, outros mais realistas. No final, são eles que moldarão o desejo pela vida e a chama acesa em cada um de nós. Não deixem o stress e o desespero tomar conta do cotidiano, é sempre bom parar um pouco e avaliar a quantas anda nossa saúde. Dediquem tempo às paixões, sejam elas por pessoas, por hobbies, pelo trabalho, ou até mesmo pelos times do coração; apenas me garantam que elas não se tornarão obsessões.

Se a vida parecer a mesma por muito tempo, saiam um pouco da mesmice e da rotina. Pratiquem ações diferentes, sempre que possível. O segredo da vida é não se deixar levar e não permitir que o tédio e o ócio tomem conta de nosso tempo. Comecem devagar, passeiem no parque da cidade, visitem amigos que há tempos não viam, visitem novas cidades, saiam de casa, vocês irão gostar. Não procurem dar valor somente às coisas grandes, mesmo tendo planos mirabolantes, mas preocupem-se também com os detalhes. Acredito que são eles que nos trarão mais sorrisos e boas lembranças. Eternas lembranças.

Sorria. Abrace. Cumprimente. Deseje um Feliz Natal e um Próspero Ano Novo. É isso que faço agora, a todos vocês. Todos meus bons amigos e famílias. Meus amigos da família e minha família de amigos.

E, antes de qualquer coisa, agradeço. Agradeço pelas grandes aventuras, pelas piadas, pelas noites de descontração. Pelos sonhos, pela compreensão, pelas discussões acaloradas, etílicas ou não. Pelos amores, pelo convívio, pelos sacrifícios e pelas realizações. Agradeço pela amizade, pelo carinho, pelo estar ao lado. Agradeço pela vida, acima de tudo.

Um feliz Natal e um (mais do que) Próspero Ano Novo!!!!

quarta-feira, 27 de junho de 2007

[Cron] Eu te amei por cinco vezes

- Ana Flávia?
- Eu, mesma!
- Oi... é o Fábio... lembra de mim?
- Oiiii, Fábio! Claro que lembro, como poderia esquecer! A gente se conhece a tanto tempo.
- Pois é, e põe tempo nisso!
- Verdade, uns 8 anos não é mesmo?
- Não, são mais do que 15. Depois disso, parei de contar.
- Parou de contar? Você contava há quantos anos a gente se conhecia?
- Bem, você sabe que você foi o grande amor da minha vida...
- Séééério??? Mentira...
- Ana Flávia! Você não lembra da festa de 15 anos da Laura?
- Laura? A Laurinha?
- Ela, mesma.
- Nossa, claro! Foi lá no Country Club, não foi? Demais!
- Pois então, você não lembra que eu disse que te amava naquela noite, na décima segunda música?
- Você estava falando sério?
- Não, Ana Flávia, eu adorava brincar com os sentimentos dos outros...
- Ah, bom...
- É claro que estava falando sério, Ana Flávia! Eu te amava perdidamente!
- Mas nós éramos muito novos, eu não sabia... Desculpa...
- Por mais piegas que possa soar, o amor não tem idade!
- ...
- E aquela vez, no terceiro colegial, que nós fomos ao cinema com o pessoal da escola, ver aquele romance que você queria?
- Que filme lindooooo! Nem consegui falar durante a sessão toda!
- Eu sei, cada lágrima que você derramava me partia o coração...
- Como você sabe que eu chorei naquele filme?
- Eu nem me lembro do filme direito, só tinha olhos pra você!
- Você ficou me olhando durante a sessão? Seu bobo...
- Ana Flávia, eu te amava!
- Séééério??? Mentira...
- Eu disse que te amava naquela tarde...
- Acho que me lembro... Você estava falando sério?
- Não entendo como você pode pensar desta maneira.
- Mas eu pensei que você só queria se aproveitar de mim porque eu estava emocionada... Desculpa...
- ...
- Lembro, também, que a gente entrou na faculdade juntos, lembra?
- Claro, Ana Flávia, lembro de cada festa que fomos, inclusive aquela no quarto ano.
- Verdade, aquela festa da Tequila, não foi?
- Essa mesma, você estava linda de mexicana!
- Ai, que vergonha... como você pode lembrar disso?
- Bem, eu também disse que te amava naquela noite...
- Nãããoooo... Naquela hora em que eu fui descansar atrás da barraca, não foi???
- Isso, mesmo! Queria tanto te beijar!
- Mas eu pensei que você estivesse bêbado... Desculpa...
- Ana Flávia, eu nunca havia bebido na minha vida, e você sabia disso...
- ...
- Águas passadas, daí nos formamos e eu fui pra Europa, e só voltei tempos depois.
- Eu lembro, encontrei com você em um bar, no centro da cidade, você tinha mudado bastante. Pra melhor, é claro! 'Tava de barba, bem arrumado.
- Obrigado. Lembro que conversamos muito naquele dia.
- Depois você me levou até em casa. Lembro que você estava namorando.
- Mas lembro também que eu disse que te amava, em frente ao portão da sua casa.
- Você estava namorando!
- Eu disse que ela não era nada pra mim, que minha vida não tinha significado sem você...
- Mas eu pensei que você ainda gostasse dela... Desculpa...
- Ana Flávia...
- Ei, e aquela história do seu noivado de três anos?
- Você, sempre você.
- Como assim?
- Não dá pra entender, eu desmancho um noivado de três anos, perto do casamento, largo tudo e vou correndo atrás de você e, pela quinta vez, disse que te amava... e você... nada...
- Era verdade?
- Como não poderia ser? Não sabia mais o que fazer...
- Mas eu pensei que você só queria afogar as mágoas... Desculpa...
- Ana Flávia, nunca vou te entender...
- ...
- ...
- ...
- ...
- Fábio...
- Oi, Ana Flávia...
- Acho que eu te amo!
- O quê?
- Eu te amo!
- Não, não ama, Ana Flávia!
- Claro que sim!
- Ana Flávia...
- Eu te amo! Agora vejo que fui uma tola por ter deixado você partir...
- Partir? Você me rejeitou por cinco vezes!
- Eu te amo, eu te amo, eu te amo, eu te amo, eu te amo!!!
- A vida não é simples assim...
- Mas nós podemos simplificá-la, se quisermos, Fábio querido!
- Hoje, não creio nisso, Ana Flávia...
- Mas, Fábio...
- Preciso ir, Ana Flávia! Quem sabe a gente se esbarra por aí...
- Fábio, você não pode deixar um mero momento roubar nossa felicidade!
- Ana Flávia, aos 15 anos, você roubou minha inocência. Aos 17 anos, você roubou minha mente. Aos 20, você roubou meu coração. Aos 23, minha alma. E aos 26, minha vontade de viver. Não creio que haja mais alguma coisa para ser roubada...
- Eu juro por tudo o que é mais sagrado, EU TE AMO!!!
- Por favor, não comece...
- Quantas vezes vou precisar te dizer? Mais cinco?
- Você está dizendo a verdade?
- É claro que sim, meu amor!!! Eu te amo!!!
- Bom, Ana Flávia, estou indo... Um abraço...
- Você não escutou o que eu disse???
- Claro que sim, como não poderia...
- E então, vamos ficar juntos?
- Não...
- Como não, e o que eu acabei de dizer??? Não entendo...
- Mas eu pensei que você não tinha falado com o coração... Desculpa...

Felipe Edlinger
27 de junho de 2007

(Inspirado no grande L. F. Veríssimo, se é que os textos publicados na internet são dele...)

quinta-feira, 7 de junho de 2007

[Cron] Os Últimos Segundos de Minha Vida

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por Felipe Edlinger
07 de junho de 2007
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Ontem à noite, quase virei um número. Na verdade, mais um número, mais uma parte de uma estatística da qual ninguém gostaria de fazer parte.
Eu, como todos, também nunca quis, mas talvez tenha esquecido de dizer isso para o lado etílico do meu cérebro, para a baixa resistência e cansaço do meu corpo, e para o poste com o qual me encontrei no acostamento.

Ainda me pego pensando como uma colisão frontal com um poste, que destruiu a dianteira de meu carro, poderia não me deixar um hematoma sequer. E como um simples deslize pode colocar toda uma história a perder, ou melhor, várias histórias, várias existências.
Fico pensando sobre os possíveis desdobramentos de atos como esse, sobre o certo e o errado, sobre as responsabilidades e as inconseqüências.

O peso nos ombros, no coração e na mente é enorme, mas tenho consciência que não é nada quando comparado ao fardo de outras pessoas. Agradeço por nada sério ter ocorrido comigo porque nunca me perdoaria pelo sofrimento das pessoas que tanto prezo e amo.
A vida não é um filme feito para cinema. Apesar das temáticas serem muito parecidas, não são duas horas de entretenimento que resumirão toda uma existência. Uma vida não é feita de 120 minutos, mas pode terminar em muito menos do que isso.

Posso dizer que, hoje, minha vida parece completa, e agradeço muito por todo o sucesso e felicidade que obtive até agora, seja pessoal, profissional ou socialmente. Tenho uma perspectiva de um futuro excelente, tenho uma família que me ama incondicionalmente, e tenho alguns amigos pelos quais me sacrificaria. Então, me pergunto dos porquês desse acontecimento.

Justo eu, que, em termos, desprezo as irresponsabilidades e inconseqüências dos seres humanos, encontro-me sendo martirizado e punido pelo meu pior crítico, eu mesmo. Não me perdôo pelo que aconteceu, pela minha falta de prudência e pela minha auto-confiança. Até ontem não havia feito nada de que poderia me arrepender do fundo de minha alma, mas hoje o ponto de vista já é outro. Culpo-me por tudo, até porque acredito que controlamos a nossa linha do tempo e tudo o que fazemos é de nossa responsabilidade. Felizmente, ainda estou aqui, e talvez, isso tenha uma razão.

Não sou religioso porque não acredito nas instituições religiosas, mas tenho uma boa espiritualidade. Não acredito em verdades e negações absolutas pregadas por fiéis, porém, acredito que existe alguém lá em cima que, de uma maneira ou de outra, olha por nós.
Também não creio que nossa vida tenha um destino pré-definido, mas um caminho superficial que pode tanger toda a nossa existência.
Por outro lado, esse caminho não é um padrão e acredito piamente que podemos mudar o curso da nossa estrada quando quisermos. Hoje, acredito que, de alguma maneira, o meu curso foi mudado.

Hoje, penso nas pequenas coincidências que não transformaram essa minha casualidade em tragédia. O cinto de segurança, a velocidade entre 60 e 70 km/h, a estrada deserta, o fato de não estar acompanhado. As conseqüências poderiam ter sido muito piores e a angústia que me corrói por dentro poderia estar corroendo outras pessoas.

Todos conhecem a expressão que diz que a sua vida inteira passa diante de seus olhos em um momento de proximidade com a morte. Por outro lado, felizmente, poucas pessoas podem dizer que isso é realmente verdade.
Eu diria que a expressão é verdadeira, porém, incompleta. Naquele momento, toda a minha vida até agora realmente passou diante dos meus olhos, as experiências, as pessoas, a família, os amores. Além disso tudo, os momentos que ainda não vieram também estavam lá, os amigos que ainda não conheci, os sorrisos que ainda não foram estampados, os desejos não concretizados, os sonhos não realizados.

Mesmo já amando os detalhes da vida, compreendo hoje, ainda mais, a beleza única de um por do sol, a sinceridade do abraço de meus pais, o amor incondicional de meu irmão, os gracejos de minha cachorra ao amanhecer, a fidelidade de meus verdadeiros amigos, a felicidade e a tristeza de uma lágrima.

Tanto por tão pouco. Felizmente, não tenho um único arranhão em meu corpo, mas a mente já tem suas seqüelas. Por mais que eu não goste de pensar nos "e se" da vida, é praticamente impossível não trazê-los à tona. Pode ser que estes sejam meus únicos demônios de toda a minha estadia neste plano, o que torço para que seja verdade.

Nesta vida, ou em outra qualquer, não existem super homens, não existe "isso nunca acontecerá comigo", não existe "não acontecerá novamente". Somos feitos de carne e osso e, por mais resistentes que pensemos ser, não o somos. Não somos onipresentes, oniscientes, onipotentes. Não somos nada para o mundo, mas podemos ser o mundo de alguém.
Um mundo que pode desmoronar por um simples deslize, por um simples erro, um lapso. Ontem, hoje, ou amanhã. Não sabemos quando, mas podemos tomar providências para que as probabilidades sejam menores.

Eu aprendi uma lição ontem. Aprendi que somos falíveis e que todos temos direito ao erro. Feliz ou infeliz, errei brutalmente, mas esse meu erro não me trouxe conseqüências sérias. Sei que muitos outros podem não ter tido ou não terão a mesma sorte. Agradeço por mim e suplico por eles.

Estou ótimo. Como disse, nem um único hematoma visível mas, com certeza, aqueles nos quais não podem mirar, são os mais pesados para mim e para meus ombros. Sou grato a quem quer que seja, por não ter uma crônica em meu arquivo, com os verdadeiros últimos segundos de minha vida. Pelo menos, não por enquanto. Tenho planos de viver mais setenta e quatro anos e, depois de ontem, tomarei as providências necessárias para que eu chegue ao meu centenário.

Penso em minha amada família e em meus amigos, porque são eles que tornam minha vida agradável e, com certeza, viva, e que, sempre, me fazem querer viver mais. Se eu não tivesse com quem dividir o agora, talvez eu não estivesse aqui neste momento.
Vejo que tenho tanto a agradecer, tanto a repartir, a dizer e a fazer, que não tenho palavras, nem idéias de por onde começar. Tenho uma vida inteira pela frente, e pretendo desfrutá-la da melhor maneira possível.

Hoje, estou vivo. Isso é o que importa.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2006

[Cron] Nenhum amanhecer passa desapercebido

Vinte e cinco anos, um quarto de século.
Isso tem significado para você? Talvez sim, talvez não, talvez, talvez.
Essa tal vez é a minha, é agora, é hoje, é já.
Vinte e cinco anos. Um quarto de século.

Foram vinte e cinco anos de construções e serão mais setenta e cinco de realizações. A partir de 1981 conheci meu caráter, moldei meu senso de humor, construí minha humanidade e minha alma. Hoje, sei que posso olhar para trás e perceber que fiz o bem; não tanto quanto outros, mas o fiz.

Foram vinte e cinco anos de aprendizados e por que não, ensinamentos. Serão mais setenta e cinco anos de aprendizados e por que não, ensinamentos.
Sou aluno e professor desde que nasci e os serei até a morte. Minhas perguntas me trazem respostas que se fazem questionar ainda mais.
Uma lágrima pode dizer felicidade e tristeza, uma de cada vez ou as duas ao mesmo tempo. Resta-nos aprender o quando isso ocorre e ajudar o próximo a também conhecê-lo. Uma lágrima pode ser pergunta e resposta, uma de cada vez ou as duas ao mesmo tempo.
Um sorriso pode fazer o dia de uma pessoa, assim como um olhar pode destruí-lo.
O porquê? Eu não sei, tenho mais setenta e cinco anos pela frente para tentar descobrí-lo. Provavelmente, não conseguirei, mas isso não me impedirá de continuar.

Foram vinte e cinco anos de amor. Com certeza, serão mais de setenta e cinco anos daqui pra frente.
Creio que se você amou e foi amado por pelo menos uma pessoa em toda a sua vida, você já foi digno da existência.
Amei, amo e amarei muito, assim como espero que todos o façam. Amei e amo meus pais, meus avós, meu irmão. Amei e amo meus parentes. Amei e amo meus amigos, e por que não, amei e amo meus colegas. Amei os ditos amores da minha vida, alguns não mais, outros, para sempre.
Cada pessoa tem seu papel no mundo e cada ação influencia minha vida, de uma maneira ou de outra. Não consigo fugir da inevitabilidade e complexidade da teia da existência. Se não amo as pessoas que fazem parte da minha vida, não posso amar a mim mesmo.

Foram vinte e cinco anos de amizades. Tenho confiança de que, quando os próximos setenta e cinco se completarem, algumas delas estarão ao meu lado, dizendo adeus, muito obrigado ou boa sorte.
Nunca quis que milhares de pessoas iluminassem o meu semblante com holofotes. Apenas desejei e ainda desejo que algumas delas iluminem o meu coração, o que felizmente ocorre.
Mais do que qualquer coisa, vocês não estão a minha disposição, eu estou aqui a disposição de vocês.
Talvez eu tenha vinte e cinco bons amigos. Na verdade eu não sei o número exato, apenas tenho consciência de quem eles são e de que eles têm consciência de quem sou eu.
Creio que se eu conseguisse um bom amigo para cada ano da minha existência, provavelmente eu seria uma das pessoas mais ricas do mundo.

Foram vinte e cinco anos de surpresas. E as futuras são incontáveis.
Surpreendi-me com pessoas, com gestos e atos, com a natureza, com o universo, comigo mesmo. Quando menos nos damos conta, somos pegos sem esperar. E novamente e novamente.
Quando tudo vai mal, de repente tudo melhora. Quando tudo vai bem, de repente tudo piora para novamente melhorar. É o ciclo da vida, nenhum pôr do sol dura para sempre e nenhum amanhecer passa despercebido.
Surpresas são a excitação da vida, a adrenalina, a febre, a vontade, o tesão. Surpresas garantem o cotidiano e o futuro, a motivação para seguir em frente.

Foram vinte e cinco anos de sonhos. Creio eles povoarão meus dias e noites por mais algumas dezenas de milhares de vezes.
Sonho acordado mesmo, reconheço, mas pessoas que não sonham não têm futuro.
Sonho para que minha alma sacie minha sede de felicidade e a minha fome de sucesso.
Para quem me conhece, minha concepção de felicidade e sucesso é clara, aliás é uma só. Felicidade é sucesso, e sucesso é felicidade.
Ser feliz é construir e realizar, aprender e ensinar. Ser feliz é amar e ser amado, é ser e ter amigos, é surpreender e ser surpreendido, é sonhar acima de tudo...

Ser bem sucedido é reconhecer a felicidade quando ela bate a porta e não quando ela lhe dá um tapa no rosto e vai embora. Ser bem sucedido é agradecer a tudo e a todos que fazem a vida ser o que é.
Eu agradeço a todos vocês por fazerem parte da minha vida, singela, mas minha vida.
Essa vida é de vocês, também, afinal de contas, não sou ninguém sozinho.
Não sou apenas eu que completo vinte e cinco anos hoje, todos vocês fazem aniversário comigo.
Se são mais novos, meu conhecimento e minha experiência são de vocês. Se são mais velhos, minha mocidade e esperança são os presentes que lhes ofereço. Se temos a mesma idade, somos gêmeos.

Se tenho vocês, sei que já ganhei os melhores presentes que poderiam me ofertar.
Se em algum momento, mesmo que seja o mais ínfimo deles, lhes fiz feliz, sei que a minha passagem por aqui não foi à toa.
Muito obrigado novamente e aguentem-me por mais setenta e cinco anos!

Felipe Edlinger
20 de fevereiro de 2006

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