...e assim caminha a humanidade...

"Não tenha medo da perfeição. Você nunca vai atingí-la." (Salvador Dali)
"Et quacumque viam dederit fortuna sequamur." (Virgílio)
"Always think about a coloured tequila sunrise life." (Felipe Edlinger)
"Foda-se a balada, o que importa é a companhia." (Felipe Edlinger)
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sábado, 24 de maio de 2008

[MovRev] Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal

(Indiana Jones and the Kingdom of the Crystal Skull)

Directed by Steven Spielberg

Há 19 anos que venho esperando por este filme, desde quando assisti Indiana Jones e a Última Cruzada pela primeira vez, em VHS. Nunca tive a oportunidade de ver o maior dos heróis no cinema porque era apenas um moleque quando o último filme foi lançado e, em termos de experiências cinematográficas, isto passou a ser um sonho. Conseqüentemente, as expectativas foram aumentando, depois de séries e jogos com o nome de Indiana, e um simples release do trailer do novo filme me fazia vibrar a ponto de ficar cantarolando o tema principal do filme. Convenhamos, o toque do meu telefone é o tema principal do filme. Ou seja, sou fã de carteirinha, com direito a todos os filmes em VHS e DVD, e até posteres da trilogia. Se sou nerd, não sei, acredito que não, mas somente sei que queria ser arqueólogo quando criança por causa desse tal Dr. Jones. E não é para menos que assisti ao quarto filme duas vezes, nas versões legendada e dublada, simplesmente para relembrar como era ver os filmes originais (dublados, claro) pela primeira vez.

Cortando o barato de todos os manés e críticos de plantão, que andam dizendo por aí que Indiana Jones não é mais o mesmo, que não é mais tão bom, que esperavam mais da produção, eu apenas digo que Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal é um filmaço em todos os aspectos. E é preciso levar em conta que ele é o quarto filme de uma série e que Os Caçadores da Arca Perdida está muito longe de ser batido. Só não é um filme perfeito porque Steven Spielverg cometeu alguns deslizes e andou pisando feio na bola em alguns aspectos que o fizeram fugir um pouco da essência dos outros três originais da série. Caso já tenham visto o filme, o "adendo" da resenha (contando com spoilers) se localiza nos comentários.

Vamos lá, o que faz de Indiana Jones, Indiana Jones? São diversos itens que poderíamos ir riscando de um checklist e descobriríamos que ele voltou a toda, sem dúvidas!

Número 1: Personagem marcante, canastrão e engraçado, ácido-irônico-sarcástico, valente mas não idiota, herói humano e não super-herói?
Para o deleite de todos os fãs, Harrison Ford ainda é Indiana Jones com todos os atributos. Aliás, ele nunca deixou de ser! Ele voltou com gás de moleque e excelente forma física para reviver seu personagem mais famoso no cinema. Ele corre, salta, distribui socos e pontapés, pilota carros em alta velocidade, atira. Ele continua fazendo de tudo o que fez durante a vida toda, porém, agora com duas décadas a mais nos ombros.

Número 2: Um objeto místico em comum, que guia toda a trama, normalmente com poderes sobrenaturais?
Sim, o tal McGuffin, como Spielberg gosta de chamar, está presente na forma da Caveira de Cristal referenciada no título da obra. Infelizmente, ela não é tão forte quando a Arca da Aliança, o Santo Graal, ou até mesmo as Pedras Sankara. Mas ainda assim é algo que chama a atenção e consegue fazer desenrolar toda a trama.

Número 3: Cenários incríveis, locações imensas e ambientação quase como um outro personagem da trama?
Dos desertos do Novo México até a floresta amazônica no Peru e as cataratas do Iguaçu, na fronteira entre Brasil e Argentina, a magia dos cenários impressionantes está de volta, boa parte em CGI. Cada nova curva na aventura revela mais um ângulo visual da trama que tira o fôlego dos espectadores.

Número 4: História cercada de ação e reviravoltas?
Bingo! Todos os elementos presentes nos outros três longas também estão de volta. Das perseguições de carros aos socos e pontapés, das piadas sobre cobras aos enigmas a serem resolvidos por Indiana, do amigo que se mete em enrascadas as armadilhas das quais os heróis têm que se safar a cada cena. A ação continua não nos deixa respirar nem um minuto.

Então, em que Spielberg pisou na bola. Calma, no final dessa resenha você ficará sabendo e, se quiser, verá algo mais nos comentários.

Nesta aventura, Indiana Jones (Harrison Ford) é capturado por russos, a mando de Stalin à América, para encontrar um artefato que os permitam utilizar como arma durante a Guerra Fria, contra os Estados Unidos, do mesmo modo que Hitler o queria em Os Caçadores da Arca Perdida. Comandados por Irina Spalko (Cate Blanchett), agente da KGB, os russos vão atrás da Caveira de Cristal de Akator, encontrada pelo Professor Oxley (John Hurt), em viagem ao Peru. Fugindo dos russos, Indy se une a Mutt Williams (Shia LaBeouf), grande amigo de Oxley, seguindo os passos do Professor até as entranhas da floresta amazônica. Entre fugas para escapar da morte e a curiosidade pelo artefato perdido, ele encontra alguns conhecidos, entre eles Marion Ravenwood, antiga paixão dos tempos de Caçadores.

O roteiro do filme é bastante coeso e faz todos os links entre uma cena e outra da aventura. Apenas as paradas obrigatórias entre as partes da aventura estão faltando. Como nos outros filmes, normalmente, há um "refresco" das cenas de ação, que não duram por muito tempo. Os protagonistas param, dormem, Indiana estuda, dialoga. Neste aqui, a ação é incessante, o que, às vezes, pode não ser um ponto pró. Tanto que os 124 minutos parecem voar, literalmente. Não que isso seja ruim, mas ficou um pouco fora do padrão dos outros filmes da série. Porém, com relação aos absurdos do filme, não acredite em comentários do tipo: "nossa, o roteiro é irreal" ou "tem falhas geográficas"; estamos vendo Indiana Jones mais uma vez e nada do que é mostrado é verossímil. São, simplesmente, elocubrações sobre um tema, assim como em todos os outros episódios.

A direção conta com a experiência de um gênio que, mesmo com alguns deslizes continua um gênio. Basta ver as seqüências de lutas e perseguições para perceber que ele ainda é quem dá as cartas.

Os efeitos especiais são excelentes, um ótimo trabalho do pessoal da Industrial Light & Magi, empresa de George Lucas que, desde Guerra nas Estrelas, vem trabalhando em seus filmes. Ao contrário do que muitos podem dizer, os efeitos não se sobrepõem aos atores e não são a atração principal do filme. As cenas são, sim, fantásticas, mas nada mais do que isso. Se alguém disser que os efeitos são exagerados, basta relembrar outros absurdos dos filmes anteriores, como o salto do avião em um bote salva-vidas, ou a perseguição em carrinhos de mina. Os exageros fazem parte da mitologia do nosso arqueólogo favorito e, sem eles, ele seria apenas mais um filme.

Os atores continuam sendo o grande peso (no bom sentido) da produção. Harrison Ford, como já foi dito, mantém toda a glória e empatia de seu personagem. Shia LaBeouf é o contraponto perfeito para Indy e tem algumas das linhas mais engraçadas do filme, cobrindo a lacuna deixada por Sean Connery (Professor Henry Jones), John Rhys-Davies (Sallah) e Denholm Elliott (Dr. Marcus Brody, falecido em 1992). Karen Allen está de volta à um papel de destaque, depois de quase 20 anos sem fazer nada muito significativo no cinema; sua personagem está deslumbrada com a possibilidade de estar jundo à Indiana Jones mais uma vez. Cate Blanchett encarna uma personagem interessante como agente russa à serviços de Stalin, porém, não é tão marcante quando o Major Toht, de Caçadores, ou Mola Ram, de Templo da Perdição. John Hurt está ótimo como o Professor Oxley, que encontra a Caveira de Cristal e o caminho para o dito reino. Ray Winstone e seu George "Mac" McHale é um misto do egípcio Sallah e do francês Belloq, algo entre amigo e adversário.

Uma grande sacada (e algo que não poderia ser feito diferente) foi colocar Indiana Jones em suas atuais condições de homem sexagenário, e refletir a devida época da aventura com relação a idade do personagem. Apesar dos nazistas serem os inimigos favoritos, os russos comunistas estão à altura para enfrentar o Dr. Jones. Ele não é mais um moleque ou um quarentão brincando de pega-pega, mas sim, um senhor de 65 anos que ainda consegue dar seus pulos e distribuir suas pancadas. Mas ele, acima de tudo e de todos, também é falível, e isso fica evidente ao longo da trama. Ponto para o roteiro. As ligações com as outras produções também ficam evidentes e apenas agradam ainda mais os fãs, como a aparição da Arca da Aliança de relance ou as perseguições parecidíssimas entre Indiana e seus opositores. A trilha sonora ainda conta com a maestria de John Williams, que recupera não só o tema central, como as bases de todas as outras aventuras e as transforma em algo novo, com som de "uau, eu conheço essa música".

Porém, para os fãs de carteirinha, algumas coisas podem fazer o filme perder alguns pontos, principalmente levando-se em consideração a expectativa (inclusive a minha, imensa!) gerada pelos trailers e pela própria mística criada sobre o tema "o quarto filme de Indiana Jones". O foco de muitas cenas não está sobre Indiana, mas sim, sobre Mutt Williams, personagem de Shia LaBeouf. Indiana não utiliza tanto seu chicote (a arma mais bacana que já vi sendo utilizada por um herói) como nos outros filmes. O próprio McGuffin, a Caveira de Cristal, foge do tema religioso dos outros filmes, o que faz perder um pouco a unidade e o charme com relação a trilogia. Mas isso não é nada frente a maior pisada de bola de todas. Veja nos comentários. No final, é o filme mais fraco da série: Caçadores é 10, sem sombras de dúvidas; A Última Cruzada leva um louvável 9,5; O Templo da Perdição fica com 8,5 e este O Reino da Caveira de Cristal acaba com um singelo 7,5. Uma pena, poderia ser melhor se crenças pessoais não interferissem no produto final.

Mas Indiana Jones ainda é Indiana Jones e isso é o que importa. Com 65 ou 40 anos de idade, ele é o cara que alegrou as matinês de nossas infâncias e conseguiu arrancar sorrisos honestos de nossas mentes infantis, assim como deixou nossos olhos arregalados frente a cada novo mistério e desafio. E, felizmente, pude ver isso pela primeira vez nos cinemas. Duas vezes. Longa vida a Indiana Jones! E a Harrison Ford, também, é claro!

Nota: 7.5/10
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por Felipe Edlinger
24 de maio de 2008
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quinta-feira, 22 de maio de 2008

[MovRev] Semi-Pro

(Semi-Pro)

Directed by Kent Alterman

Este é o mais novo filme de Will Ferrell, só que desta vez ele voltou para uma comédia mais tradicional, chegando até a ser um pouco ingênua, evitando o exagero, por exemplo, do dispensável e ruim Escorregando para a Glória.

Fugindo um pouco do estilo Saturday Night Live de ser, Will Ferrell entrega uma comédia mais retrô, sem nada escatológico, idiota ao extremo ou ofensivo. E com um tema mais plausível, ao menos conhecido do grande público, exatamente o contrário do que a esdrúxula trama de seu filme anterior com John Heder apresenta, onde eles encarnam duas super estrelas de patinação artística no gelo.

Will Ferrel é Jackie Moon, cantor de um único sucesso, que vive dos dividendos de seus 5 minutos de fama e acaba realizando seu sonho em vida: ser dono de uma equipe de basquetebol. Ele é o dono, treinador, jogador, promotor e animador de torcida dos Flint Tropicals, de Michigan. Apesar de seu time ser o pior da liga ABA de basquetebol, ele tenta manter o espírito de equipe vivo. Quando anunciam que a ABA se fundirá com a NBA (liga profissional de basquetebol americana) e apenas quatro times farão parte da fusão, a única resposta para os problemas da equipe parece vir de onde eles menos esperavam: do simples ato de vencer partidas.

O clima setentista (o filme se passa em 1976) calibra o visual retrô da produção e a sensação de nostalgia de quando o basquetebol ainda era jogado por pura dedicação ao jogo, garantindo um certo carisma do filme. Cabelos black power, rímel, roupas extravagantes, música disco, esse é o universo em que Jackie Moon e os Tropicals vivem.

Com um roteiro bem simples e com bons atores como coadjuvantes, esse filme dirigido pelo estreante Kent Alterman, ficou em primeiro lugar nos Estados Unidos durante suas primeiras semanas em cartaz, o que confirma o que o nome de Will Ferrell pode fazer. Woody Harrelson (Assassinos por Natureza, Homens Brancos não sabem Enterrar) e André Benjamin, da banca Outkast, mantêm o bom nível dos personagens.

Para quem entende do jogo, fica ainda mais engraçado quando eles inventam uma nova jogada durante uma partida. E ainda conta com um pedaço da história de ascenso de times da ABA para a NBA, como os Spurs de Santo Antonio, os Nets de New Jersey, os Nuggets de Denver (time do brasileiro Nenê) e os meus favoritos, os Pacers de Indiana.

Apesar de não ser o típico filme de sempre de Will Ferrel, ele continua com algumas situações absurdas que garantem a diversão ao seu estilo. Ele salta de patins por cima de líderes de torcida no melhor estilo suicida, luta com um urso-cinzento em pleno ginásio, e passa rímel para tentar distrair os adversários durante uma partida. Apenas o estilo com cabelo cacheado do personagem prova o quão sem noção ele é. Detalhe: o urso-cinzento com o qual ele luta matou o próprio treinador com uma mordida no pescoço, após as filmagens. Sem noção!

Não é dos piores filmes de comédia do ex-astro do Saturday Night Live, mas também está longe de ser dos melhores. Tem seu charme como uma produção "de época" e pela trama, até certo ponto, inocente. Vale dar uma espiada, assim como (normalmente) em qualquer comédia de Will Ferrell.

Nota: 6/10 ______________________________________________________________

por Felipe Edlinger
22 de maio de 2008
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[MovRev] Planeta Terror

(Planet Terror)

Directed by Robert Rodriguez

Esta é a segunda metade da parceria de Robert Rodriguez com Quentin Tarantino chamada Grindhouse, como as clássicas sessões duplas de cinema existentes nos Estados Unidos nos anos 70.

Os amigos diretores mantém a unidade, a estética e a coerência da homenagem ao cinema de quando ambos eram crianças, realizando ambos filmes (este Planeta Terror e a obra de Tarantino, À Prova de Morte) com uma qualidade inferior de filmagem proposital, típicas dos antigos filmes B. Isso significa chiados no áudio e ranhuras no vídeo, além de cortes abruptos e mal feitos. Porém, este aqui ganha no quesito porque no meio do filme, um pedaço da película simplesmente queima e a cena é cortada em aparentes 10 minutos.

Uma grande sacada da obra de Rodriguez foi a apresentação de falsos trailers utilizados antes da atração principal, como o bacana Machete, com Danny Trejo (frequente figurinha nas produções do diretor), que tem tudo para virar um filme de verdade. Apresentado no mesmo padrão tosco do filme que precede, já nasceu cult, mesmo sendo um trailer de uma obra fictícia.

Enquanto À Prova de Morte, de Tarantino, é uma homenagem aos filmes de perseguição da década de 70, Planeta Terror é uma clara revisitação ao gênero do terror apocalíptico, tão em moda nos filmes de zumbis de antigamente. É uma homenagem a Retorno dos Mortos Vivos e vários outros filmes de George Romeno.

No meio do nada, um estranho grupo de militares liderado por Muldoon (Bruce Willis) liberam uma arma biológica que transforma seres humanos em zumbis, ou algo parecido, sedentos por carne humana. Quem se mete com eles, ou morre, ou vira um deles. É aí que uma galera, comandada pelo Xerife Hague (Michael Biehn) e por Wray (Freedy Rodríguez) se impõe e tenta acabar com os zumbis malvados. Pronto, é isso aí, nada mais, nada menos; apenas um fiapo de roteiro.

O elenco compensa a falta de história, mesmo para um filme intencionalmente tosco. Bruce Willis está muito caricato como seu personagem de ação tradicional, porém, malvado; Josh Brolin (Os Goonies, Onde os Fracos Não Têm Vez) está irreconhecível; Fergie Ferguson, da banda Black Eyed Peas, mostra todos os seus, digamos, atributos. Uma pena que todos eles não durem mais do que cinco minutos em cena. Além dos tarimbados, Rose McGowan (da série Charmed), Freddy Rodríguez (da série A Sete Palmos) e Michael Biehn (do primeiro Exterminador do Futuro) garantem os personagens centrais. Como curiosidade para os fãs, Naveen Andrews (o Sayid Jarad da série Lost) também faz uma ponta.

O amigo Tarantino, como é padrão em seus próprios filmes, faz uma aparição na produção de Rodriguez, prato cheio para os fãs quando o vêm no filme. O mesmo vale para o diretor, que também faz um pequeno papel, este sim, imperceptível.

As atuações estereotipadas garantem mais um momento de referência aos pseudo atores que estrelavam as sessões de terror (que mais soam como terrir) das décadas passadas.

Planeta Terror é um filme nojento, sim, e é recomendado apenas para quem não tem estômago muito fraco. Porém, todas as cenas têm um tom de visível inverossimilhança, uma vez que tudo é mal feito e exagerado, intencionalmente. Mas mesmo assim, as cenas são fortes como os toscos filmes B do saudoso Cine Trash da Rede Bandeirantes.
As mortes são igualmente podres, com efeitos dignos de troféus Framboesa (um prêmio oferecido para os piores do ano) de efeitos especiais. São tão toscos que, às vezes, a vontade de rir é maior do que a de se assustar. Porém, continuam nojentos.

Algumas piadas inoportunas que, com certeza foram muito bem pensadas por Rodriguez e companhia, aparecem de vez em quando, como a cena em que o policial que perde o dedo tenta recolocar a aliança, ou a outra em que Cheery Darling, após perder uma perna, deita-se com Wray, ou ainda quando o médico de Josh Brolin discute sobre amputações, entre tantas outras pérolas do mau gosto.

No final, não é tão brilhante quando um Tarantino, apesar do que outras pessoas possam falar à respeito. Porém, tem seu "charme" e seus méritos, como a perna metralhadora de Cherry Darling que, além de dar o toque de originalidade da trama, virou comissão de frente para a divulgação da obra.

Nota: 6/10
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por Felipe Edlinger
22 de maio de 2008
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quarta-feira, 21 de maio de 2008

[MovRev] Speed Racer

(Speed Racer)

Directed by Andy & Larry Wachowski

Os irmãos Wachowski (da trilogia Matrix) fizeram a lição de casa. Como legítimos fãs das aventuras da família Racer, eles estudaram a obra de Tatsuo Yoshida e conseguiram transpor para a película todos os aspectos do desenho animado sensação da década de 1960, que continua fazendo sucesso até hoje. E não deixaram de lado nem um pouco da tecnologia que os deixaram famosos com sua mitologia da Matrix.

Também autores do roteiro, montaram uma trama coesa, simples e com uma história com início, meio e fim (será?) que não deixaria nem novos nem antigos fãs com um ponto de interrogação sobre a cabeça. E, claro, incluindo o mistério do Corredor X. Mostraram o bom trabalho de sempre que, apesar de se resumir basicamente a série de Neo, Trinity e companhia, também já adaptou o excelente V de Vingança, graphic novel de Alam Moore, para as telonas.

Speed Racer (Emile Hirsch) é um jovem que pensa apenas em uma única coisa: corridas de automóveis. Ele vem de uma família de aficionados pelo esporte, entre eles o próprio pai, Pops Racer (John Goodman), o irmão mais velho, Rex (Scott Porter), e o irmão mais novo, Gorducho (Paulie Litt). Ele tem em seu irmão mais velho o ídolo que serve de exemplo para todos. Depois que seu irmão morre em uma corrida clandestina, ele resolve se tornar um piloto tão bom quanto ele era para homenageá-lo. Quando um grande patrocinador tenta contratá-lo para arrumar os resultados das corridas, ele se nega a correr fora da equipe Racer Motors. Após alguns problemas de sabotagem, Speed se une ao Corredor X (Matthew Fox) para desmascarar as Indústrias Royalton e seus esquemas de trapaças.

Um dos grandes pilares que os Irmãos Wachowski conseguiram para o filme, e que acaba sustentando toda a trama, é o excelente elenco, em especial, que compõe a Família Racer. O surpreendente Emile Hirsch (Um Show de Vizinha, Na Natureza Selvagem) encontra a alma de Speed Racer e é fiel ao personagem original. Completando a família, Susan Sarandon é a mãe de Speed e o sempre ótimo John Goodman é Pops Racer, patriarca da família. Christina Ricci interpreta Trixie, namorada de Speed e Matthew Fox, o Doutor Jack Shepperd, da série Lost, interpreta o misterioso Corredor X. A interpretação de todos é de primeira categoria, mas a semelhança física de todos eles é algo que também ajuda a criar uma atmosfera adequada para quem já era fã do desenho.

Porém, o grande atrativo é, na verdade, os efeitos especiais, reunidos de uma maneira que nunca haviam sido vistos. Nada é inteiramente novo, uma vez que filmes como Uma Cilada para Rogger Rabbit, A Fantástica Fábrica de Chocolates (2006) e Sin City, entre outros, também já utilizaram parcialmente a mesma linguagem visual que os Wachowski utilizaram nesse filme.

Mas a experiência é única, com tantas cores, neons e luzes refletindo de um lado para o outro, em velocidade mach 3, rápida demais para os meros olhos humanos. Parece um grande parque de diversões depois de uma boa dose de ácido lisérgico. E o efeito demora a passar. É a criação de um enorme anime (termo utilizado para os desenhos animados japoneses), porém, com atores de verdade. Não, a intenção dos diretores não era simplesmente criar um filme com os personagens do desenho, mas colocar os atores dentro do anime.

Os cenários mirabolantes, totalmente fora da nossa realidade, são bastante coesos com a fábula do Speed Racer original, deixando qualquer um com o maxilar aberto frente os ambientes digitais criados pela equipe de efeitos especiais. Os carros, então, são um espetáculo a parte, em particular o próprio Mach 5 e o número 9, carro do Corredor X, com ar retrô e detalhes modernosos.

Para os saudosistas, pode parecer uma reprodução dos antigos jogos Micro Machines e Rock 'n' Roll Racing, com um toque recente de HotWheels. Inclusive, já fui presenteado com uma miniatura do carro do protagonista. Ueba!

O único porém é o excesso dos excêntricos Irmãos Wachowski. O filme inteiro parece muito do mesmo, depois de uma hora de efeitos mirabolantes. Com 135 minutos de tudo o que foi dito acima, a atração começa a cansar e o impacto passa a ser um pouco mais negativo do que positivo. É preciso ter paciência, ainda mais porque as cenas de corrida, inicialmente interessantes, acabam girando em cima de uma mesma variável: "jogue o outro fora da pista e ganhe a corrida" ou "destrua Speed Racer". Por outro lado, não tente justificar que as manobras de Speed e companhia não respeitam as leis da física ou "partes integrantes da nossa realidade"; o desenho não era assim e o filme muito menos o é. Seria a mesma coisa assistir a Missão: Impossível e tecer um comentário dizendo que as cenas de ação são absurdas.

Os puristas irão gostar, assim como os novos fãs que não conheciam o desenho. Independente disso, parece que alguma coisa ficou faltando, ou que há algo sobrando. Acredito que seja a segunda opinião. Talvez seja um filme longo demais, ainda mais para os desenhos "curtinhos" de 30 minutos. Talvez o visual canse, mesmo. Talvez seja muita informação ao mesmo tempo para o espectador. Talvez. Tire sua própria conclusão.

Um grande peso contra a produção reside na campanha de marketing de massa da Warner Brothers, que colocou Speed Racer entre os mais esperados da temporada. O excesso de lobby e de expectativa criada apenas contribuíram para que eu saísse do cinema com o seguinte pensamento: "é legal, mas não tão bom quanto anunciaram". Só espero que minha expectativa incrivelmente exacerbada quanto a Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal não me deixe equivalentemente decepcionado.

Nota: 6.5/10
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por Felipe Edlinger
21 de maio de 2008
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terça-feira, 20 de maio de 2008

[PP] Nissan Pathfinder

Aproveitando o sucesso de uma das série mais impactante dos últimos tempos, Lost, a Nissan lança uma propaganda que diz tudo, sem fazer esforço para tal. O único porém é que, necessariamente, precisa-se conhecer a série de J.J. Abrahams. Bacana.


domingo, 18 de maio de 2008

[MovRev] Lara Croft: Tomb Raider

(Lara Croft: Tomb Raider)

Directed by Simon West

Angelina Jolie É Lara Croft, ponto final! Seria necessário algo mais do que isso para um pouco de distração, sem maiores fins, além da pura diversão? A minha resposta é não.

Ela é a encarnação da personagem principal do jogo de ação mais famoso e lucrativo da década de 90. Ela é perfeita, não apenas pelo vestuário, pelo corpo, pela trança ou pela boca e pelos seios deliciosamente esculpidos por algum artesão divino; mas, também, pela atitude.

Com um série de jogos inspirada no sucesso de Indiana Jones, ela é a primeira heroína que consegue trilhar alguns passos do doutor da referida trilogia. Em outras produções, Geena Davis bem que tentou, Tia Carrere, também, Keira Knightley flertou com o papel, mas convenhamos, os empenhos de todas foram muito aquém do lugar onde queriam chegar.

Lara Croft (Angelina Jolie!) é uma "caçadora de tumbas", como bem diz o próprio nome do jogo e do longa-metragem. Dona de uma imensa fortuna e de um ímpeto aventuresco, ela roda o mundo em busca de mistérios e tesouros e, assim, faz sua vida menos "entediante". Ela é um Indiana Jones de saias (apesar de que ela não usa saias, mas micro shorts entuchados, oba!). Entre suas aventuras, ela descobre um relógio escondido por seu pai (Jon Voight), há muito tempo, em sua mansão. O relógio é, na verdade, a fonte de informação para o paradeiro das duas metades do Triângulo da Luz, um artefato místico criado a partir do metal descoberto em uma cratera de meteoro que caiu na Terra há milênios. O Triângulo tem o poder de controlar o tempo e o espaço e já destruiu civilizações no passado, pela qual razão ele foi quebrado e seus pedaços, separados. Desejado pela seita secreta dos Illuminati, que tem como objetivo dominar o mundo (novidade...), Lara precisa ser mais rápida do que Manfred Powell (Iain Glen) para salvar o mundo de mais essa ameaça.

Jon Voight, pai de Angelina na vida real, faz sua ponta competente de sempre (mesmo que aqui não lhe exija um décimo de sua capacidade de ator), como pai da heroína. E como atração, também é possível ver Daniel Craig antes de começar sua carreira como James Bond, mas já dando seus pulos e socos.

Angelina Jolie (sempre ela) não precisa de apresentações, ainda mais com um charmoso sotaque britânico. Dona de uma competência enorme para entregar boas atuações (ela foi laureada com um Oscar pelo papel em Garota, Interrompida), ela consegue ser sexy enquanto atira, corre e distribui socos e pontapés, sem ao menos quebrar uma unha. Seja em um modelito de shorts curtos e camiseta colada (meu favorito), seja em um pijama de seda ou em um traje cambojano, ela é a razão de ser dessa produção. E dos sonhos de muitos marmanjos mundo a fora.

Não importa que o roteiro não seja tão apurado quanto os dos próprios jogos da personagem, em especial o primeiro da série, digno de uma adaptação Hollywoodiana. Não importa que, talvez, os outros atores com quem ela contracene não cheguem aos pés de seus talentos como atriz (novamente, ela É uma excelente atriz!). Não importa que a continuação do filme tenha sido um mero caça-niqueis sem maiores atrativos originais. O que importa é que ela cumpre seu papel, e com méritos.

A música eletrônica de U2, Outkast, Fat Boy Slim, Chemical Brothers e Groove Armada, dita a regra do jogo e comanda a ação incessante com a coreografia mais do que ensaiada de Lara.

Outro grande mérito além da direção agitada de Simon West são as incríveis locações utilizadas no decorrer da trama. Por todos os cantos do mundo, monumentos e lugares exóticos dão o ar do jogo ao filme, que tem praticamente o mesmo ambiente utilizado ao longo da franquia que já tem mais de sete aventuras lançadas.

Os efeitos especiais são bacanas e reproduzem bem tudo o que acontece em 3D nas aventuras originais da caçadora de tumbas. Porém, alguns são bastante forçados e em certos aspectos, até amadores. Mas paciência, nada é perfeito quando não é feito pelos melhores profissionais.

Novamente, não se preocupe em abstrair nada do filme, apenas sente-se, relaxe e curta a ação. E claro, Angelina. Depois, caso não tenha feito anteriormente, aproveite e experimente o jogo. Se já o tinha feito, faça-o mais uma vez. Mas nunca se esqueça que Angelina Jolie apenas interpretou Lara Croft, que não existe no mundo real.

Nota: 6/10
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por Felipe Edlinger
18 de maio de 2008
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sábado, 17 de maio de 2008

[Felipe's MFQ] 21

Philosophical Gambler:
"The way I see it, yesterday is history and tomorrow is a mystery. You got to make it do what it do in the moment baby."

2008. Chritopher Michael Holley in 21

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