...e assim caminha a humanidade...

"Não tenha medo da perfeição. Você nunca vai atingí-la." (Salvador Dali)
"Et quacumque viam dederit fortuna sequamur." (Virgílio)
"Always think about a coloured tequila sunrise life." (Felipe Edlinger)
"Foda-se a balada, o que importa é a companhia." (Felipe Edlinger)
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quinta-feira, 20 de novembro de 2008

[MovRev] Jogos Mortais V

(Saw V)

Dirigido por David Hackl

Quatro anos atrás, fomos apresentados à um novo formato de filmes de terror. A obra que introduziu a nova onda de tramas sobre serial killers, foi Jogos Mortais, uma fita que eu somente poderia classificar como genial. Com uma temática diferente dos padrões de filmes do tipo, Jogos Mortais trouxe um assassino em série com justificativas mais humanas para seus atos de barbárie que, nem por isso, deixavam de ser absurdas.

Filme alternativo por natureza, a trama estrelada por Cary Elwes, Danny Glover e Monica Potter, criou um efeito dominó entre os fãs do gênero e virou cult movie imediato. A repercussão rápida fez com que as poucas salas de cinema em que era exibido à época do lançamento lotassem e as vendas dos DVDs estourassem assim que o filme chegou às lojas.

A fórmula tensão crescente + armadilhas elaboradas + final surpreendente fez o mundo conhecer o talento dos jovens James Wan e Leigh Whannell (ambos com 27 anos em 2004), grandes amigos que se conheceram no Instituto de Tecnologia de Melbourne, Austrália. Wan dirigiu e escreveu, ao lado de Whannell, o primeiro filme Jogos Mortais, enquanto o amigo protagonizou a obra.

Porém, no cinema, o sucesso tem seus pontos forte e fracos. Neste caso, a máquina registradora de Hollywood resolveu investir na franquia, o que se tornou algo bom e ruim para os fãs. Jogos Mortais se tornou uma referência para várias outras produções que queriam beber na mesma fonte, com expectativas de igual sucesso, como Armadilhas Mortais, Stay Alive - Jogo Mortal e Jogos Sangrentos, todos de 2006, porém, sem o mínimo da genialidade do original.

Além disso, cinco Halloweens depois do primeiro filme, nos deparamos com o quinto da série, que ainda promete muitos outros pela frente. Pessoalmente, como escrito acima, considero o primeiro filme uma obra genial, partindo do princípio que era original e alternativo. O segundo filme ainda contava com o talento de Leigh Whannell no roteiro e manteve os fãs bastante atentos porque foi possível continuar a trama de maneira lógica. Porém, o terceiro, mesmo com o talento de Wan e Whannell, se mostrou cansativo e repetitivo, o que já antecipava o fundo do poço da série, com o quarto e quinto episódios. Sem a presença efetiva dos criadores da série, as seqüências foram decaindo de qualidade (em todos os sentidos) até este descartável Jogos Mortais V.

Os fãs mais bobos do gênero sempre dirão "o filme é bom", "a trama é diferenciada" ou "o roteirista conseguiu se superar", mas a verdade única é que Jogos Mortais V simplesmente tenta reescrever tudo aquilo que vimos nos primeiros filmes, só que sob uma nova ótica. É uma tentativa de ainda manter o personagem Jigsaw ativo e, possivelmente, justificar mais algumas seqüências descartáveis para os próximos anos.

Os pontos altos dos filmes anteriores nem ao menos são utilizados aqui, como as mortes extremamente elaboradas e a quantidade de sangue jorrando na tela. Nesta continuação, existe uma tentativa de se (re) explicar os crimes cometidos por Jigsaw, utilizando os dois personagens principais de Jogos Mortais IV, o Detetive Hoffman (Costas Mandylor) e o Agente Strahm (Scott Patterson).

Os atores são fracos, incluindo os do filme anterior, a direção de David Hackal é incerta e capenga (ele foi promovido de Designer de Produção para Diretor!), e o roteiro é bastante forçado, dos amigos Patrick Melton e Marcus Dunstan, que fizeram, também, o filme anterior, e a "trilogia" Banquete no Inferno, que tem o terceiro filme programado para 2009. Bem produzido (eis que aparecem os Srs. Wan e Whannell), Jogos Mortais V pensa que é um filme grande, mas é, no final, um grande filme B, ao contrário do original que era quase um filme B reconhecido, mas que ganhou conceito e se tornou uma referência.

Não carece dizer do que se trata a trama, todo mundo já sabe. É mais uma daquelas histórias em que uma porção de gente morre, o mocinho tenta pegar o bandido e, no final "surpreendente", em meio a uma reviravolta, o bandido se safa mais uma vez.

Uma pena que algumas obras diferenciadas acabam recebendo seqüências desnecessárias (com exceção do ponto de vista dos cofres dos estúdios). O ponto é esperar pelo próximo Dia das Bruxas para ver qual será a nova "surpresa" da temporada. Mas, levando-se em consideração que já se foram cinco filmes e, ainda por cima, criaram uma seqüência para o clássico Garotos Perdidos, só nos resta esperar pelo pior. Quem sabe, meus filhos cheguem a assistir a pré-estréia de "Jogos Mortais XXV - O Retorno do Namorado da Filha de Jigsaw".

Nota: 4,7/10

Direção: David Hackl
Roteiro: Patrick Melton & Marcus Dunstan
Elenco: Tobin Bell & Costas Mandylor & Scott Patterson & Betsy Russell
Estréia: Outubro de 2008
Gênero: Thriller
Duração: 92 minutos
Distribuidora: Lionsgate
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por Felipe Edlinger
20 de novembro de 2008
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terça-feira, 18 de novembro de 2008

[Web] Carta à Papai Noel

E, enquanto nós ainda nem começamos a tirar o pó dos enfeites de Natal, para montar as árvores e pendurar as meias na parede, parece que outras pessoas mais importantes já se adiantaram e entregaram em mãos a cartinha com os pedidos deste ano. Nada como um contato esperto de dentro da Fábrica para conseguir acesso ao que se quer.


quarta-feira, 12 de novembro de 2008

[MovRev] 007 - Quantum of Solace

(Quantum of Solace)

Dirigido por Marc Forster

Daniel Craig é realmente o novo James Bond. Como em 007 - Cassino Royale, ele repete a fórmula de não apresentar os exageros impossíveis dos outros filmes mais antigos da franquia. Tudo é um pouco mais plausível do que nas outras aventuras, mas nada que seja simples ou tradicionalmente ortodoxo. É o mesmo agente 007 de sempre, porém, como no filme anterior, com uma roupagem mais moderna e um comportamento muito mais realista do que as piadas e gracinhas dos outros intérpretes da série.

Ele é a nova face do James Bond do século XXI, aquele cara diferente que não usa dispositivos e faz tudo na base da unha. Ótimo atrativo para quem, como eu, não suportava as idiotices e a falta de noção das produções anteriores, em especial as com Pierce Brosnan no papel do agente com licença para matar. Sem ser engraçadinho ou galã, ele é um James Bond amargurado, ranzinza e cheio de si, comportamento esperado para um agente no início de carreira como um 007. Lembre-se de que, em Cassino Royale, ele fez sua primeira missão como agente especial.

Quantum of Solace é mais um filme eficiente de seqüencias de tirar o fôlego, com perseguições de carros, ralis a pé (nos moldes da excitante perseguição inicial do primeiro filme), explosões e peripécias do maior e mais famoso agente do mundo do cinema.

O que peca é o lado "machão insaciável" de James Bond, com o qual estamos acostumados, depois de mais de 40 anos de filmes que assim o estigmatizaram. Aqui, ele nem ao menos fatura a mocinha, a lindíssima ucraniana Olga Kurylenko. Todo seu apetite está voltado para saciar sua sede de vingança pelo seu único verdadeiro amor, a também agente Vesper Lynd, que o traiu em Cassino Royale e depois, se sacrificou para salvá-lo.

Buscando vingança pela morte de sua amada Vesper (Eva Green), em Cassino Royale, James Bond (Daniel Craig) sai em missão solo para impedir um ambientalista sem escrúpulos de tomar posse dos suprimentos de água em um país latino-americano. Ao mesmo tempo, ele tenta desvendar os segredos por trás de uma organização que nem ao menos é conhecida pelo MI6. Poucas palavras para muita, mas muita ação, mesmo!

A boa escolha do nome de Marc Forster para dirigir o 22º filme (oficial) de Bond, James Bond, agradou aos fãs e garantiu a adrenalina que a série merece. Mesmo tendo sido diretor de dramas (muito bons, por sinal) como o perturbador A Última Ceia, o encantador Em Busca da Terra do Nunca, o subestimado A Passagem, o "estranho" Mais Estranho que a Ficção e a adaptação O Caçador de Pipas, o desafio de comandar uma aventura de 007 não o intimidou. Afinal de contas, era algo que até Steven Spielberg queria e que até hoje não conseguiu fazer.

Ainda mais com um roteiro bacana, apesar de complexo (o que pode deixar muita gente com o raciocínio perdido), do oscarizado Paul Haggis (por Crash - No Limite), o trabalho de de entregar um James Bond digno se tornou muito mais fácil. A câmera ágil e inquieta de Forster não nos deixa respirar um segundo sequer, nem ao menos quando Daniel Craig pára para recobrar o fôlego um pouco.

O grande elenco garante ainda mais qualidade ao filme, com presenças sempre eficientes de Judi Dench, pela sexta vez no papel de M., Giancarlo Giannini novamente como Mathis, e Jeffrey Wright, também reprisando seu papel como Felix Leiter. A novidade é Mathieu Amalric, que já havia atuado com Daniel Craig no ótimo Monique, de Steven Spielberg, no papel do vilão Dominic Greene, muito à vontade em seu papel.

Como não poderia deixar de ser, a presença de beldades já é uma tradição e uma lei para as produções o mundo do agente secreto a serviço da rainha. Uma das gostosuras é Gemma Arterton, uma britânica esguia e sensualíssima que interpreta Strawberry Fields, uma funcionária do serviço secreto que, obviamente, não resiste ao charme de Bond. mas quem chama a atenção, é mesmo a deliciosa ucraniana Olga Kurylenko, dona de uma beleza exótica e selvagem, que interpreta Camille Montes, uma boliviana (!) que também busca vingança. Dona de um rosto delicado e, ao mesmo tempo, marcante e forte, ela é um colírio para os olhos dos machões de plantão. Para maiores detalhes do corpo da beldade, uma recomendação é assistir ao legalzinho Hitman - Agente 47, estrelado por Timothy Oliphant.

Se atuar junto a miragem que é a Srta. Kurylenko já deve ser uma dádiva, imagine participar de um filme cujas locações se resumem... bem, se resumem ao mundo todo! De Antofagasta e Deserto de Atacama, no Chile, à Siena, região da Toscana, na Itália, os cenários são fabulosos e à altura da fama e histórico do personagem. Para completar a lista, ainda há Áustria, Inglaterra, Panamá, Espanha e México.

Se alguém descobrir uma profissão melhor do que pegar mulheres lindíssimas e viajar pelo mundo todo, por favor, mandem-me um e-mail.

Nota: 7,7/10

Direção: Marc Forster
Roteiro: Paul Haggis & Neal Purvis & Robert Wade
Elenco: Daniel Craig & Olga Kurylenko & Mathieu Amalric & Judi Dench & Giancarlo Giannini & Gemma Arterton & Jeffrey Wright
Estréia: Novembro de 2008
Gênero: Ação & Aventura
Duração: 106 minutos
Distribuidora: Metro-Goldwyn-Mayer (MGM)
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por Felipe Edlinger
12 de novembro de 2008
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sábado, 8 de novembro de 2008

[MovRev] Zathura - Uma Aventura Espacial

(Zathura: A Space Adventure)

Dirigido por Jon Favreau

É sempre um prazer assistir as adaptações para cinema das obras do escritor infantil Chris Van Allsburg. Especializado em livros de histórias simples, com pouco texto, mas ricamente ilustrados (premiado com a medalha Caldecott por melhor trabalho infantil por Jumanji e O Expresso Polar), três de seus mais de vinte livros ganharam ótimas transcrições para o cinema, com exacerbada produção e merecido sucesso entre as crianças.

Jumanji (1981), um dos primeiros livros do escritor, ganhou vida nas telonas em 1995, co Robbin Williams no papel principal de Alan Parrish e uma jovem Kirsten Dunst, como Judy Shepherd. Apesar de O Expresso Polar ter sido escrito quatro anos depois, em 1985, a adaptação somente se tornou real na fantástica aventura criada com captura de movimentos e estrelada por Tom Hanks, quase vinte anos depois, em 2004. E este Zathura, um dos livros mais novos de Chris, lançado em 2002, ganhou sua versão live-action, rapidamente, em 2005.

Um dos fatores que tornam essas adaptações tão especiais e bem sucedidas é o fato de os livrvos de Chris Van Allsburg apresentarem aventuras inacreditáveis e, ao mesmo tempo, serem escritos para crianças. Ou seja, nada de histórias complicadas, grandes descrições e longos textos; simplesmente, o necessário para tornar a história atraente para o seu público-alvo. Quando os livros são adaptados, a liberdade do roteiro e da produção é muito maior do que as adaptações de obras como Harry Potter e O Senhor dos Anéis, que contam com um nível de detalhamento muito maior do que o que é visto aqui, gerando cortes de informações e a padrão resposta de desaprovação dos fãs mais ferrenhos.

Danny (Jonah Bobo) e Walter (Josh Hutcherson) são dois irmãos que nunca se entendem e vivem disputando a atenção do pai (Tim Robbins), recém separado. Sempre prontos para brigarem, eles conseguem um mínimo de cooperação para jogarem um antigo jogo de tabuleiro, encontrado por Danny, chamado Zathura. Zathura é, na verdade, um passatempo diferente, um jogo que, conforme os jogadores vão avançando as casas, vai modificando o ambiente ao redor deles. No início do jogo, a casa de Danny e Walter é transportada para o espaço sideral, onde eles terão que lidar com monstros alienígenas, salvar um astronauta perdido (Dax Shepard) e tentar, à todo custo, voltar para casa.

Com possibilidades criativas mais amplas, o trabalho do experiente roteirista David Koepp, que também já fez bons trabalhos na direção, como o surpreendente Ecos do Além, ganha as dimensões que seu trabalho merece. Vindo de uma série de bons trabalhos, entre eles Jurassic Park, Missão: Impossível, Spider-Man, Guerra dos Mundos e o mais novo Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal, ele desenvolve os textos do escritor em um roteiro inventivo e aventuresco.

O mesmo pode se dizer de Jon Favreau, que aqui faz o papel de diretor. Um natural multi-talentos, ele também é ator, produtor e roteirista, e iniciou sua trajetória com o bacana Swingers - Curtindo a Noite, que acabou virando cult movie, com méritos. Melhorando suas técnicas, ele passou pela comédia de O Elfo, com Will Ferrell, pela aventura neste Zathura - Uma Aventura Espacial, e chegou ao seu ápice com a ação incessante de Homem de Ferro, sucesso do verão americano deste ano. Isso, sem deixar de atuar, produzir e escrever.

Os atores mirins mandam bem e se sentem muito à vontade protagonizando a odisséia galáctica. Josh Hutcherson já demonstra ser um ator de talento aos 16 anos, depois de produções bacanas como ABC do Amor e Ponte para Terabithia. Mesmo não sendo um Freddie Highmore, o garoto ainda vai longe. Jonah Bobo, seu irmão no filme, é a simpatia em pessoa com seu jeito inocente de irmão mais novo. A bela Kristen Stewart, em plenos 18 anos, adicionou um jeito adolescente rebelde a fita, a la Avril Lavigne. Depois de ter co-estrelado Quarto do Pânico com a tarimbada Joddie Foster, ela vem sendo presença constante como coadjuvante em uma série de produções e, a partir de 2008, começa a protagonizar alguns filmes. No time dos experientes, Tim Robbins, como o pai das crianças, e Dax Shepard, como o astronauta em pergio, completam o time. Curiosidade para a presença do eterno Mestre Yoda, Frank Oz, dublando um robô.

Zathura - Uma Aventura Espacial é um programão para a família toda, em especial, para as crianças, que degustarão cada minuto da aventura. Mas, também é um prato cheio para os adultos que querem voltar, nem que seja por pouco tempo, à época inocente do mundo de aventuras imaginárias. Quem nunca fez seus próprios brinquedos ou imaginou aventuras incríveis com um simples balde de pecinhas Lego, que levante a mão. Assim como os antigos desenhos dos Muppet Babies, a imaginação e a criatividade são mais do que suficientes para desenhar e habitar um universo totalmente novo de diversão.

Nota: 6,8/10

Direção: Jon Favreau
Roteiro: David Koepp & Chris Van Allsburg
Elenco: Josh Hutcherson & Jonah Bobo & Dax Shepard & Kristen Stewart & Tim Robbins
Estréia: Janeiro de 2006
Gênero: Ação & Aventura & Fantasia
Duração: 113 minutos
Distribuidora: Columbia Pictures
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por Felipe Edlinger
08 de novembro de 2008
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quarta-feira, 5 de novembro de 2008

[Felipe's MFQ] The Beach

Richard:
"When you develop an infatuation for someone, you always find a reason to believe that this is exactly the person for you. It doesn't need to be a good reason."

2000. Leonardo DiCaprio in The Beach

[MovRev] A Praia

(The Beach)

Dirigido por Danny Boyle

Sou mochileiro de coração, mente e alma. Tenho desejos e anseios de conhecer os lugares, as pessoas e as culturas que existem mundo à fora, na infindável variedade de realidades que nem ao menos imaginamos existir. Apenas por este fato, posso dizer que meu ponto de visto sobre A Praia não é muito imparcial, mas sim, criado com base em sonhos e devaneios de um eterno aventureiro.

A Praia é uma ambição de vida, é o desapego das amarras da sociedade e uma abraço a todos os significados que a palavra liberdade pode ter. É o desprendimento dos padrões que vemos, usamos e comemos todos os dias e a criação de uma outra filosofia de vida em função da renúncia de nossos paradigmas. E posso dizer, por experiência própria, que isto não tem nada de novo, e permeia a existência de inúmeras pessoas ao redor do globo. E por este motivo é que, a cada dia que passa, fico ainda mais apaixonado por esta concepção de vida.

Richard (Leonardo di Caprio) é um mochileiro de vinte e pouco anos de idade, desligado de suas raízes, que vive viajando pelo mundo à fora. Porém, cansado dos mesmos padrões vistos em todos os lugares, ele se questiona se existe algo realmente novo lá fora, para ser descoberto. Em Bangkok, Tailândia, ele conhece Daffy (Robert Carlyle), um viajante aparentemente lunático, que vive em devaneios sobre uma ilha que guarda uma praia secreta e de raríssima beleza perfeita. Sem acreditar nas palavras do novo conhecido, no dia seguinte o acha morto no quarto ao lado, resultado de suposto suicídio. Ainda transtornado pelo acontecimento, ele acha um mapa para a tal praia secreta, desenhado pelo suicida em questão. Junto com dois novos amigos, os franceses Étienne (Guillaume Canet) e Françoise (Virginie Ledoyen), ele parte em busca do tal paraíso perdido, em uma jornada de descobertas e conflitos, sem saber que o caminho lhes reserva enormes surpresas, nem sempre agradáveis.

Danny Boyle é mais um daqueles que podemos chamar de "o cara"! Tenho enorme respeito pelo trabalho deste britânico de pouco mais de 50 anos, desde sua primeira experiência em cinema, depois de quase 10 anos fazendo obras para televisão. Começando pelo ótimo Cova Rosa, passando pelo clássico cult Trainspotting, ele mantém uma carreira de respeito, com obras de presença com o leve humor negro de Por Uma Vida Menos Ordinária, a viagem conotativa de A Praia, o terror estarrecedor de Extermínio e a jornada interplanetária de Sunshine - Alerta Solar.

Parte das razões dos sucessos de Boyle se deve as parcerias de longo prazo que ele estabeleceu com roteiristas novos, porém de enorme qualidade. Até este A Praia, o diretor havia feito todos os seus trabalhos com o amigo John Hodge (Cova Rasa, Trainspotting, Por Uma Vida Menos Ordinária, A Praia). Em A Praia, que, na verdade é adaptada do primeiro romance do, também britânico, Alex Garland, Boyle encontra seu segundo parceiro de roteiro, o próprio autor do livro. Junto com Garland, Boyle ainda realizou Extermínio e Sunshine - Alerta Solar.

Independente das associações e parcerias, a verdade é que a qualidade das obras de Danny Boyle são indiscutíveis do ponto de vista da originalidade e da transgressão de padrões e valores. As cenas de loucura e psicodelia são constantes em suas produções, assim como os devaneios de seus personagens. Sempre permeados por narrações em off, seus filmes são um deleite para os fãs de um cinema um pouco mais alternativo do que o que vemos no circuito comercial. É verdade que, com a fama, a tendência é que o dinheiro fale mais alto (o que aconteceu com Guy Ritchie, por exemplo) mas, até o momento, Boyle continua a se mostrar o mesmo.

O elenco de A Praia também é elogiável. Leonardo di Caprio é, sim, senhores, um bom ator, apedar do que digam os críticos e outros não-admiradores do trabalho do ator (que, provavelmente, pegaram birra do californiano quando ele fez o Jack Dawson, de Titanic, e todas as menininhas, incluindo as namoradinhas, foram aos cinemas para suspirar pelo astro). Ele não é um camaleão como Brad Pitt, que em minha opinião é um dos mais talentosos e versáteis atores da atualidade, mas sempre fez bons trabalhos, seja no início de carreira em Gilbert Grape - Aprendiz de Sonhador, Diário de Adolescente ou no gracioso Romeu + Julieta, de Baz Luhrmann, quanto na maturidade cinematográfica de O Aviador, Os Infiltrados e Diamante de Sangue. O estereótipo de mocinho bonitinho foi sinônimo de di Caprio somente em Titanic e não faz jus a seu talento e trabalho.

É verdade que Leonardo di Caprio não era a primeira opção do diretor Danny Boyle. Aliás, na verdade, ele foi escalado diretamente pela 20th Century Foz para o papel de protagonista, à revelia do diretor, que quer Ewan McGregor estrelando mais essa obra. Realmente, McGregor elevaria o filme, talvez até a um status de cult movie, assim como o fez com diretor Boyle em duas outras oportunidades, Cova Rasa e Trainspotting.

O grupo de jovens atores coadjuvantes surpreendem pela eficiência, com destaque para os franceses Guillaume Canet e a bela e exótica Virginie Ledoyen. Muito requisitados no cinema e televisão franceses, eles trazem uma diferenciação do padrão americano de interpretação, com seus sotaques e posturas característicos. Ainda como coadjuvantes, Robert Carlyle, o lunático Daffy Duck (ou Patolino, em português) está sensacional em mais um personagem mutante em sua carreira, enquanto Tilda Swinton constrói seu caminho para seus personagens andróginos e sensuais de Constantine e As Crônicas de Nárnia.

A trilha sonora é maravilhosa, com direito a um playlist eclético, com Faithless, New Order, Underworld e Orbital (recorrentes nas obras do diretor), Sugar Ray, The Chemical Brothers, Blur e até All Saints, na ótima e rítmica Pure Shores. Porém, a obra-prima presente no filme é Porcelain, de Moby, uma das músicas mais profundas e inspiradas que já escutei. Totalmente conectada ao tema do filme, apenas escutar a introdução dela já é motivo para despertar aquela vontade de chorar, visando a "busca pelo prazer", como diria o personagem de di Caprio.

Praticamente todo filmado na Tailândia (Ko Phi Phi Leh, Phuket, Bangkok), a ilha com a tal praia existe na vida real, porém extremamente lotada de turistas, principalmente depois do lançamento do longa-metragem. Ele não é realmente como no filme, totalmente cercada por montanhas e penhascos; existe uma fenda imensa entre as montanhas que ficam exatamente na frente da praia, o que foi modificado digitalmente para dar um efeito de exclusividade ainda maior no filme.

Ko Phi Phi Leh foi devastada totalmente no tsunami de 2004, deixando um rastro de estimadas 4 mil mortes. Aos poucos, a ilha vem se recompondo com ajuda internacional para se reestruturar para o turismo.

Cair no mundo, viver na estrada, não ter destino certo, tem seus fascínios e suas ilusões; nem sempre as coisas saem como planejadas, mas o futuro não pertence a Deus, mas sim, a quem deseja inventá-lo e construí-lo. Os altos e baixos fazem parte do pacote, a questão é fazer de tudo (do possível e, às vezes, do impossível) para que o saldo seja sempre positivo. E no final das contas, se deliciar com sua própria jornada.

Nota: 7,9/10

Direção: Danny Boyle
Roteiro: John Hodge & Alex Garland
Elenco: Leonardo di Caprio & Virginie Ledoyen & Guillaume Canet & Robert Carlyle & Paterson Joseph & Tilda Swinton
Estréia: Fevereiro de 2000
Gênero: Aventura & Drama
Duração: 119 minutos
Distribuidora: 20th Century Fox
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por Felipe Edlinger
05 de novembro de 2008
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sábado, 1 de novembro de 2008

[MovRev] Uma Verdade Inconveniente

(An Inconvenient Truth)

Dirigido por Davis Guggenheim

Al Gore é o cara! Não tenho muito mais o que falar de uma pessoa que, aparentemente, é sensata, inteligente e bem-intencionada. E ainda possui uma presença mundial e é ouvido por uma vasta quantidade de pessoas.

Até hoje não consigo entender como ele perdeu as eleições de 2000, pelo fato de que ele nem ao menos merece ser comparado a George Bush. Ok, as eleições foram uma fraude, os Estados Unidos mostraram como podem ser imensamente incompetentes, os democratas foram ludibriados, os votos foram recontados, os resultados foram dados prematuramente, contém o que quiserem.

Ele é um cara que tem conteúdo, personalidade e verdadeira paixão pelo próprio discurso, o que já é uma razão muito boa para respeitá-lo. É possível ver a honestidade dele em seu olhar. Somente depois de seguir suas crenças e divulgá-las publicamente, ele resolveu entrar para o mundo da política, por volta dos 30 anos de idade.

Uma Verdade Inconveniente é um documentário precioso, com tamanha qualidade que há muito não se via. Al Gore, defensor do meio-ambiente há muito tempo, apresenta dados e resultados reais das ações predatórias dos seres humanos, que impactam diretamente no desenvolvimento e no bem estar do nosso planeta e, consequentemente, o nosso próprio.

Al Gore é capaz de fazer piadas com a própria "desgraça", e tem a retórica e a presença de palco que um presidente de verdade deve ter, um exemplo a ser seguido por todos os "grandes" (com ênfase nas aspas) líderes mundiais, entre eles o americano, o britânico e, claro, o brasileiro.

A edição realizada para o longa-metragem casa perfeitamente a famosa palestra de Al Gore para a Apple (elaborada e interpretada ao nível da excelência) com cenas de bastidores e quase making-of das andanças e lutas do ex-futuro-presidente-dos-EUA pelo mundo a fora, ao longo de mais de 300 apresentações.

A empolgação, a melancolia, o sarcasmo, a tristeza, se alternam com precisão para manter um ritmo cadenciado para um documentário que arrepia até o último dos pelos dos braços, de um ser humano normal. A narração em off cria um clima de cumplicidade entre apresentador e espectador que colabora ainda mais para prender nossa atenção à mensagem pedagógica. Ou melhor, andragógica.

Uma produção grandiosa, que une a simplicidade com a assertividade a melhor maneira possível. Tudo é muito bem ensaiado, muito bem composto e, principalmente, muito bem liderado por Al Gore. Nada parece estar fora de prumo, fora de sintonia, fora de alcance. O show tecnológico da apresentação dele não se faz necessário frente a sua facilidade de falar e se fazer entender, mas complementa o discurso, adicionando ingredientes com ótimo sabor. Tudo fica ainda mais fácil digerível.

As colaborações de muitos cientistas tornam o apelo de Gore factível e até o traço de Matt Groening o ajuda a ganhar a simpatia de seu público.

Infelizmente, a verdade inconveniente apresentada neste documentário não é nada especulativa, mas tão real quanto eu ou você. A apresentação de Gore é totalmente baseada em dados científicos e em resultados visíveis a olhos nus. A temperatura dos oceanos bem crescente ano após ano, os níveis de dióxido de carbono atingiram um patamar nunca antes imaginado, os glaciares estão desaparecendo. Onde vamos acabar se não pararmos com tudo isso? A resposta é uma só e todos temos medo de pronunciá-la.

E por mais que a verdade seja estarrecedora, Al Gore é gentil e delicado com relação ao assunto, porém sem nunca perde a seriedade. Como diria Che Guevara: "hei de endurecer, porém sem perder a ternura jamais". É o que ele faz, e muito bem feito, sem ao menos entrar mais fundo no mérito político dos mandatos de George "Newman" Bush. No final, ele completa seu discurso com chave de ouro dizendo, literalmente, que "vontade política é um recurso renovável". É de emocionar qualquer um.

E, se alguém duvida das intenções do ex-futuro-presidente, 50 mil cópias do filme foram distribuídas, gratuitamente, para professores nos Estados Unidos entre 2006 e 2007. Além disso, a caixa do DVD é feita em material 100% reciclado. Sem contar que foi o primeiro documentário "neutro na produção de dióxido de carbono". Isso quer dizer que todo o dióxido de carbono gerado para produzí-lo (emissões de carbono de viagens, produtos, acomodações, etc) foi compensado com ações "verdes", com créditos para energia renovável.

É ótimo saber que existe alguém lá fora fazendo algo pelo nosso planeta, algo que até mesmo nós, que nos dizemos ecologicamente conscientes, não fazemos. Por preguiça, por comodidade, por convicção, é necessário seguir o exemplo de Al Gore. Todos os dias. Mais informações em www.climatecrisis.net

Nota: 8,8/10

Direção: Davis Guggenheim
Roteiro: Davis Guggenheim
Elenco: Al Gore
Estréia: Novembro de 2006
Gênero: Documentário
Duração: 100 minutos
Distribuidora: Paramount Pictures
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por Felipe Edlinger
01 de novembro de 2008
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