...e assim caminha a humanidade...

"Não tenha medo da perfeição. Você nunca vai atingí-la." (Salvador Dali)
"Et quacumque viam dederit fortuna sequamur." (Virgílio)
"Always think about a coloured tequila sunrise life." (Felipe Edlinger)
"Foda-se a balada, o que importa é a companhia." (Felipe Edlinger)
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sábado, 8 de novembro de 2008

[MovRev] Zathura - Uma Aventura Espacial

(Zathura: A Space Adventure)

Dirigido por Jon Favreau

É sempre um prazer assistir as adaptações para cinema das obras do escritor infantil Chris Van Allsburg. Especializado em livros de histórias simples, com pouco texto, mas ricamente ilustrados (premiado com a medalha Caldecott por melhor trabalho infantil por Jumanji e O Expresso Polar), três de seus mais de vinte livros ganharam ótimas transcrições para o cinema, com exacerbada produção e merecido sucesso entre as crianças.

Jumanji (1981), um dos primeiros livros do escritor, ganhou vida nas telonas em 1995, co Robbin Williams no papel principal de Alan Parrish e uma jovem Kirsten Dunst, como Judy Shepherd. Apesar de O Expresso Polar ter sido escrito quatro anos depois, em 1985, a adaptação somente se tornou real na fantástica aventura criada com captura de movimentos e estrelada por Tom Hanks, quase vinte anos depois, em 2004. E este Zathura, um dos livros mais novos de Chris, lançado em 2002, ganhou sua versão live-action, rapidamente, em 2005.

Um dos fatores que tornam essas adaptações tão especiais e bem sucedidas é o fato de os livrvos de Chris Van Allsburg apresentarem aventuras inacreditáveis e, ao mesmo tempo, serem escritos para crianças. Ou seja, nada de histórias complicadas, grandes descrições e longos textos; simplesmente, o necessário para tornar a história atraente para o seu público-alvo. Quando os livros são adaptados, a liberdade do roteiro e da produção é muito maior do que as adaptações de obras como Harry Potter e O Senhor dos Anéis, que contam com um nível de detalhamento muito maior do que o que é visto aqui, gerando cortes de informações e a padrão resposta de desaprovação dos fãs mais ferrenhos.

Danny (Jonah Bobo) e Walter (Josh Hutcherson) são dois irmãos que nunca se entendem e vivem disputando a atenção do pai (Tim Robbins), recém separado. Sempre prontos para brigarem, eles conseguem um mínimo de cooperação para jogarem um antigo jogo de tabuleiro, encontrado por Danny, chamado Zathura. Zathura é, na verdade, um passatempo diferente, um jogo que, conforme os jogadores vão avançando as casas, vai modificando o ambiente ao redor deles. No início do jogo, a casa de Danny e Walter é transportada para o espaço sideral, onde eles terão que lidar com monstros alienígenas, salvar um astronauta perdido (Dax Shepard) e tentar, à todo custo, voltar para casa.

Com possibilidades criativas mais amplas, o trabalho do experiente roteirista David Koepp, que também já fez bons trabalhos na direção, como o surpreendente Ecos do Além, ganha as dimensões que seu trabalho merece. Vindo de uma série de bons trabalhos, entre eles Jurassic Park, Missão: Impossível, Spider-Man, Guerra dos Mundos e o mais novo Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal, ele desenvolve os textos do escritor em um roteiro inventivo e aventuresco.

O mesmo pode se dizer de Jon Favreau, que aqui faz o papel de diretor. Um natural multi-talentos, ele também é ator, produtor e roteirista, e iniciou sua trajetória com o bacana Swingers - Curtindo a Noite, que acabou virando cult movie, com méritos. Melhorando suas técnicas, ele passou pela comédia de O Elfo, com Will Ferrell, pela aventura neste Zathura - Uma Aventura Espacial, e chegou ao seu ápice com a ação incessante de Homem de Ferro, sucesso do verão americano deste ano. Isso, sem deixar de atuar, produzir e escrever.

Os atores mirins mandam bem e se sentem muito à vontade protagonizando a odisséia galáctica. Josh Hutcherson já demonstra ser um ator de talento aos 16 anos, depois de produções bacanas como ABC do Amor e Ponte para Terabithia. Mesmo não sendo um Freddie Highmore, o garoto ainda vai longe. Jonah Bobo, seu irmão no filme, é a simpatia em pessoa com seu jeito inocente de irmão mais novo. A bela Kristen Stewart, em plenos 18 anos, adicionou um jeito adolescente rebelde a fita, a la Avril Lavigne. Depois de ter co-estrelado Quarto do Pânico com a tarimbada Joddie Foster, ela vem sendo presença constante como coadjuvante em uma série de produções e, a partir de 2008, começa a protagonizar alguns filmes. No time dos experientes, Tim Robbins, como o pai das crianças, e Dax Shepard, como o astronauta em pergio, completam o time. Curiosidade para a presença do eterno Mestre Yoda, Frank Oz, dublando um robô.

Zathura - Uma Aventura Espacial é um programão para a família toda, em especial, para as crianças, que degustarão cada minuto da aventura. Mas, também é um prato cheio para os adultos que querem voltar, nem que seja por pouco tempo, à época inocente do mundo de aventuras imaginárias. Quem nunca fez seus próprios brinquedos ou imaginou aventuras incríveis com um simples balde de pecinhas Lego, que levante a mão. Assim como os antigos desenhos dos Muppet Babies, a imaginação e a criatividade são mais do que suficientes para desenhar e habitar um universo totalmente novo de diversão.

Nota: 6,8/10

Direção: Jon Favreau
Roteiro: David Koepp & Chris Van Allsburg
Elenco: Josh Hutcherson & Jonah Bobo & Dax Shepard & Kristen Stewart & Tim Robbins
Estréia: Janeiro de 2006
Gênero: Ação & Aventura & Fantasia
Duração: 113 minutos
Distribuidora: Columbia Pictures
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por Felipe Edlinger
08 de novembro de 2008
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quarta-feira, 5 de novembro de 2008

[Felipe's MFQ] The Beach

Richard:
"When you develop an infatuation for someone, you always find a reason to believe that this is exactly the person for you. It doesn't need to be a good reason."

2000. Leonardo DiCaprio in The Beach

[MovRev] A Praia

(The Beach)

Dirigido por Danny Boyle

Sou mochileiro de coração, mente e alma. Tenho desejos e anseios de conhecer os lugares, as pessoas e as culturas que existem mundo à fora, na infindável variedade de realidades que nem ao menos imaginamos existir. Apenas por este fato, posso dizer que meu ponto de visto sobre A Praia não é muito imparcial, mas sim, criado com base em sonhos e devaneios de um eterno aventureiro.

A Praia é uma ambição de vida, é o desapego das amarras da sociedade e uma abraço a todos os significados que a palavra liberdade pode ter. É o desprendimento dos padrões que vemos, usamos e comemos todos os dias e a criação de uma outra filosofia de vida em função da renúncia de nossos paradigmas. E posso dizer, por experiência própria, que isto não tem nada de novo, e permeia a existência de inúmeras pessoas ao redor do globo. E por este motivo é que, a cada dia que passa, fico ainda mais apaixonado por esta concepção de vida.

Richard (Leonardo di Caprio) é um mochileiro de vinte e pouco anos de idade, desligado de suas raízes, que vive viajando pelo mundo à fora. Porém, cansado dos mesmos padrões vistos em todos os lugares, ele se questiona se existe algo realmente novo lá fora, para ser descoberto. Em Bangkok, Tailândia, ele conhece Daffy (Robert Carlyle), um viajante aparentemente lunático, que vive em devaneios sobre uma ilha que guarda uma praia secreta e de raríssima beleza perfeita. Sem acreditar nas palavras do novo conhecido, no dia seguinte o acha morto no quarto ao lado, resultado de suposto suicídio. Ainda transtornado pelo acontecimento, ele acha um mapa para a tal praia secreta, desenhado pelo suicida em questão. Junto com dois novos amigos, os franceses Étienne (Guillaume Canet) e Françoise (Virginie Ledoyen), ele parte em busca do tal paraíso perdido, em uma jornada de descobertas e conflitos, sem saber que o caminho lhes reserva enormes surpresas, nem sempre agradáveis.

Danny Boyle é mais um daqueles que podemos chamar de "o cara"! Tenho enorme respeito pelo trabalho deste britânico de pouco mais de 50 anos, desde sua primeira experiência em cinema, depois de quase 10 anos fazendo obras para televisão. Começando pelo ótimo Cova Rosa, passando pelo clássico cult Trainspotting, ele mantém uma carreira de respeito, com obras de presença com o leve humor negro de Por Uma Vida Menos Ordinária, a viagem conotativa de A Praia, o terror estarrecedor de Extermínio e a jornada interplanetária de Sunshine - Alerta Solar.

Parte das razões dos sucessos de Boyle se deve as parcerias de longo prazo que ele estabeleceu com roteiristas novos, porém de enorme qualidade. Até este A Praia, o diretor havia feito todos os seus trabalhos com o amigo John Hodge (Cova Rasa, Trainspotting, Por Uma Vida Menos Ordinária, A Praia). Em A Praia, que, na verdade é adaptada do primeiro romance do, também britânico, Alex Garland, Boyle encontra seu segundo parceiro de roteiro, o próprio autor do livro. Junto com Garland, Boyle ainda realizou Extermínio e Sunshine - Alerta Solar.

Independente das associações e parcerias, a verdade é que a qualidade das obras de Danny Boyle são indiscutíveis do ponto de vista da originalidade e da transgressão de padrões e valores. As cenas de loucura e psicodelia são constantes em suas produções, assim como os devaneios de seus personagens. Sempre permeados por narrações em off, seus filmes são um deleite para os fãs de um cinema um pouco mais alternativo do que o que vemos no circuito comercial. É verdade que, com a fama, a tendência é que o dinheiro fale mais alto (o que aconteceu com Guy Ritchie, por exemplo) mas, até o momento, Boyle continua a se mostrar o mesmo.

O elenco de A Praia também é elogiável. Leonardo di Caprio é, sim, senhores, um bom ator, apedar do que digam os críticos e outros não-admiradores do trabalho do ator (que, provavelmente, pegaram birra do californiano quando ele fez o Jack Dawson, de Titanic, e todas as menininhas, incluindo as namoradinhas, foram aos cinemas para suspirar pelo astro). Ele não é um camaleão como Brad Pitt, que em minha opinião é um dos mais talentosos e versáteis atores da atualidade, mas sempre fez bons trabalhos, seja no início de carreira em Gilbert Grape - Aprendiz de Sonhador, Diário de Adolescente ou no gracioso Romeu + Julieta, de Baz Luhrmann, quanto na maturidade cinematográfica de O Aviador, Os Infiltrados e Diamante de Sangue. O estereótipo de mocinho bonitinho foi sinônimo de di Caprio somente em Titanic e não faz jus a seu talento e trabalho.

É verdade que Leonardo di Caprio não era a primeira opção do diretor Danny Boyle. Aliás, na verdade, ele foi escalado diretamente pela 20th Century Foz para o papel de protagonista, à revelia do diretor, que quer Ewan McGregor estrelando mais essa obra. Realmente, McGregor elevaria o filme, talvez até a um status de cult movie, assim como o fez com diretor Boyle em duas outras oportunidades, Cova Rasa e Trainspotting.

O grupo de jovens atores coadjuvantes surpreendem pela eficiência, com destaque para os franceses Guillaume Canet e a bela e exótica Virginie Ledoyen. Muito requisitados no cinema e televisão franceses, eles trazem uma diferenciação do padrão americano de interpretação, com seus sotaques e posturas característicos. Ainda como coadjuvantes, Robert Carlyle, o lunático Daffy Duck (ou Patolino, em português) está sensacional em mais um personagem mutante em sua carreira, enquanto Tilda Swinton constrói seu caminho para seus personagens andróginos e sensuais de Constantine e As Crônicas de Nárnia.

A trilha sonora é maravilhosa, com direito a um playlist eclético, com Faithless, New Order, Underworld e Orbital (recorrentes nas obras do diretor), Sugar Ray, The Chemical Brothers, Blur e até All Saints, na ótima e rítmica Pure Shores. Porém, a obra-prima presente no filme é Porcelain, de Moby, uma das músicas mais profundas e inspiradas que já escutei. Totalmente conectada ao tema do filme, apenas escutar a introdução dela já é motivo para despertar aquela vontade de chorar, visando a "busca pelo prazer", como diria o personagem de di Caprio.

Praticamente todo filmado na Tailândia (Ko Phi Phi Leh, Phuket, Bangkok), a ilha com a tal praia existe na vida real, porém extremamente lotada de turistas, principalmente depois do lançamento do longa-metragem. Ele não é realmente como no filme, totalmente cercada por montanhas e penhascos; existe uma fenda imensa entre as montanhas que ficam exatamente na frente da praia, o que foi modificado digitalmente para dar um efeito de exclusividade ainda maior no filme.

Ko Phi Phi Leh foi devastada totalmente no tsunami de 2004, deixando um rastro de estimadas 4 mil mortes. Aos poucos, a ilha vem se recompondo com ajuda internacional para se reestruturar para o turismo.

Cair no mundo, viver na estrada, não ter destino certo, tem seus fascínios e suas ilusões; nem sempre as coisas saem como planejadas, mas o futuro não pertence a Deus, mas sim, a quem deseja inventá-lo e construí-lo. Os altos e baixos fazem parte do pacote, a questão é fazer de tudo (do possível e, às vezes, do impossível) para que o saldo seja sempre positivo. E no final das contas, se deliciar com sua própria jornada.

Nota: 7,9/10

Direção: Danny Boyle
Roteiro: John Hodge & Alex Garland
Elenco: Leonardo di Caprio & Virginie Ledoyen & Guillaume Canet & Robert Carlyle & Paterson Joseph & Tilda Swinton
Estréia: Fevereiro de 2000
Gênero: Aventura & Drama
Duração: 119 minutos
Distribuidora: 20th Century Fox
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por Felipe Edlinger
05 de novembro de 2008
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sábado, 1 de novembro de 2008

[MovRev] Uma Verdade Inconveniente

(An Inconvenient Truth)

Dirigido por Davis Guggenheim

Al Gore é o cara! Não tenho muito mais o que falar de uma pessoa que, aparentemente, é sensata, inteligente e bem-intencionada. E ainda possui uma presença mundial e é ouvido por uma vasta quantidade de pessoas.

Até hoje não consigo entender como ele perdeu as eleições de 2000, pelo fato de que ele nem ao menos merece ser comparado a George Bush. Ok, as eleições foram uma fraude, os Estados Unidos mostraram como podem ser imensamente incompetentes, os democratas foram ludibriados, os votos foram recontados, os resultados foram dados prematuramente, contém o que quiserem.

Ele é um cara que tem conteúdo, personalidade e verdadeira paixão pelo próprio discurso, o que já é uma razão muito boa para respeitá-lo. É possível ver a honestidade dele em seu olhar. Somente depois de seguir suas crenças e divulgá-las publicamente, ele resolveu entrar para o mundo da política, por volta dos 30 anos de idade.

Uma Verdade Inconveniente é um documentário precioso, com tamanha qualidade que há muito não se via. Al Gore, defensor do meio-ambiente há muito tempo, apresenta dados e resultados reais das ações predatórias dos seres humanos, que impactam diretamente no desenvolvimento e no bem estar do nosso planeta e, consequentemente, o nosso próprio.

Al Gore é capaz de fazer piadas com a própria "desgraça", e tem a retórica e a presença de palco que um presidente de verdade deve ter, um exemplo a ser seguido por todos os "grandes" (com ênfase nas aspas) líderes mundiais, entre eles o americano, o britânico e, claro, o brasileiro.

A edição realizada para o longa-metragem casa perfeitamente a famosa palestra de Al Gore para a Apple (elaborada e interpretada ao nível da excelência) com cenas de bastidores e quase making-of das andanças e lutas do ex-futuro-presidente-dos-EUA pelo mundo a fora, ao longo de mais de 300 apresentações.

A empolgação, a melancolia, o sarcasmo, a tristeza, se alternam com precisão para manter um ritmo cadenciado para um documentário que arrepia até o último dos pelos dos braços, de um ser humano normal. A narração em off cria um clima de cumplicidade entre apresentador e espectador que colabora ainda mais para prender nossa atenção à mensagem pedagógica. Ou melhor, andragógica.

Uma produção grandiosa, que une a simplicidade com a assertividade a melhor maneira possível. Tudo é muito bem ensaiado, muito bem composto e, principalmente, muito bem liderado por Al Gore. Nada parece estar fora de prumo, fora de sintonia, fora de alcance. O show tecnológico da apresentação dele não se faz necessário frente a sua facilidade de falar e se fazer entender, mas complementa o discurso, adicionando ingredientes com ótimo sabor. Tudo fica ainda mais fácil digerível.

As colaborações de muitos cientistas tornam o apelo de Gore factível e até o traço de Matt Groening o ajuda a ganhar a simpatia de seu público.

Infelizmente, a verdade inconveniente apresentada neste documentário não é nada especulativa, mas tão real quanto eu ou você. A apresentação de Gore é totalmente baseada em dados científicos e em resultados visíveis a olhos nus. A temperatura dos oceanos bem crescente ano após ano, os níveis de dióxido de carbono atingiram um patamar nunca antes imaginado, os glaciares estão desaparecendo. Onde vamos acabar se não pararmos com tudo isso? A resposta é uma só e todos temos medo de pronunciá-la.

E por mais que a verdade seja estarrecedora, Al Gore é gentil e delicado com relação ao assunto, porém sem nunca perde a seriedade. Como diria Che Guevara: "hei de endurecer, porém sem perder a ternura jamais". É o que ele faz, e muito bem feito, sem ao menos entrar mais fundo no mérito político dos mandatos de George "Newman" Bush. No final, ele completa seu discurso com chave de ouro dizendo, literalmente, que "vontade política é um recurso renovável". É de emocionar qualquer um.

E, se alguém duvida das intenções do ex-futuro-presidente, 50 mil cópias do filme foram distribuídas, gratuitamente, para professores nos Estados Unidos entre 2006 e 2007. Além disso, a caixa do DVD é feita em material 100% reciclado. Sem contar que foi o primeiro documentário "neutro na produção de dióxido de carbono". Isso quer dizer que todo o dióxido de carbono gerado para produzí-lo (emissões de carbono de viagens, produtos, acomodações, etc) foi compensado com ações "verdes", com créditos para energia renovável.

É ótimo saber que existe alguém lá fora fazendo algo pelo nosso planeta, algo que até mesmo nós, que nos dizemos ecologicamente conscientes, não fazemos. Por preguiça, por comodidade, por convicção, é necessário seguir o exemplo de Al Gore. Todos os dias. Mais informações em www.climatecrisis.net

Nota: 8,8/10

Direção: Davis Guggenheim
Roteiro: Davis Guggenheim
Elenco: Al Gore
Estréia: Novembro de 2006
Gênero: Documentário
Duração: 100 minutos
Distribuidora: Paramount Pictures
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por Felipe Edlinger
01 de novembro de 2008
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quarta-feira, 22 de outubro de 2008

[Jokes] Diários - Dela e Dele

DIÁRIO DELA

No domingo à noite ele estava estranho.
Saímos e fomos até um bar para tomar um drink.
A conversa não estava muito animada, de maneira que pensei em irmos a um lugar mais íntimo.
Fomos a um restaurante e ele AINDA agindo de modo estranho.
Perguntei o que era, e ele disse que nada, que não era eu.
Mas não fiquei muito convencida.
No caminho para casa, no carro, disse-lhe que o amava muito e que ele era muito importante pra mim.
Ele limitou-se a passar o braço por cima dos meus ombros.
Finalmente chegamos em casa e eu já estava pensando se ele iria me deixar.
Por isso tentei fazê-lo falar, mas sem me dar muita bola ligou a televisão, e sentou-se com um olhar distante que parecia estar me dizendo que estava tudo acabado entre nós.
Por fim, embora relutante, disse que ia me deitar.
Mais ou menos 10 minutos ele veio se deitar também e, para minha surpresa correspondeu aos meus avanços, e fizemos amor.
Mas depois ele ainda parecia muito distraído e adormeceu.
Comecei a chorar, chorei até adormecer.
Já não sei o que fazer.
Tenho quase certeza que ele tem alguém e que a minha vida é um autêntico desastre.

DIÁRIO DELE

O meu time perdeu.
Fiquei chateado a noite toda.
Pelo menos dei umazinha.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

[MovRev] As Crônicas de Spiderwick

(The Spiderwick Chronicles)

Dirigido por Mark Waters

Um dia, as pessoas dirão o quão grande é o talento de um certo ator chamado Freddie Highmore e a qualidade de suas obras e interpretações. Eu já o digo hoje, ou melhor, há algum tempo. Freddie nasceu em 1992 e com apenas 12 anos começou sua jornada em Hollywood, emplacando consideráveis sucessos, sendo indicado e condecorado em diversos prêmios para jovens atores. Depois de seu primeiro trabalho em Dois Irmãos, conquistou Johnny Depp, simplesmente um dos melhores atores da atualidade, e contracenou com ele em Em Busca da Terra do Nunca e no remake A Fantástica Fábrica de Chocolate. Ele ainda emendou Um Bom Ano, Arthur e os Minimoys, O Som do Coração e A Bússola Dourada. E, como não bastasse, neste As Crônicas de Spiderwick, Freddie Highmore ainda interpreta os papéis de irmãos gêmeos, de personalidades bastante distintas.

Aliado ao talento de Highmore, temos a tendência de sucesso das adaptações de obras de fantasia para o cinema, na onda da repercussão da trilogia O Senhor dos Anéis e dos filmes do bruxinho Harry Potter. Se as obras de C. S. Lewis (As Crônicas de Nárnia), Philip Pullman (A Bússola Dourada) e até Luc Besson (Arthur e os Minimoys) ganharam vida fora do papel, nada mais normal que os livros de Holly Black e Tony DiTerlizzi também ganhassem uma versão live-action.

Passando por dificuldades financeiras depois do divórcio, Helen (Mary-Louise Parker) se muda para uma estranha casa, deixada por um parente, localizada, literalmente, no meio do nada, em uma cidadezinha do interior. Ela leva consigo seus três filhos, os gêmeos Jared e Simon (Freddie Highmore) e a irmã mais velha, Mallory (Sarah Bolger). Lá, com imensas saudades de Nova York e do pai, Jared se poe a vasculhar a casa em busca de coisas interessantes para passar o tempo. Eis que ele encontra um livro, o "guia de campo" que seu tio-avô Arthu Spiderwick (david Strathairn) escreveu, sobre criaturas mágicas que habitam os arredores da estranha casa. A partir daí, os garotos passam a conhecer seres fantásticos como fadas, goblins e hoggobs. Porém, elas também passam a enfrentar a fúria de Mulgarath, um ogro que pretende se aposar do "guia de campo" de Spiderwick para dominar o mundo fantástico e o mundo dos humanos.

A história com ótimo resultado do roteiro adaptado por David Berenbaum (O Elfo, A Mansão Mal-Assombrada) e Karey Kirkpatrick (Fuga das Galinhas, A Menina e o Porquinho), garante uma atração de porte para a criançada e até para adolescentes e adultos. É uma história de fantasia com diversos elementos para agradar aos mais novos, não sendo tão assustadora quanto as histórias de monstros de Harry Potter, O Senhor dos Anéis ou Eragon, mas também não tão infantil como o já mencionado A Menina e o Porquinho, por exemplo. É o meio termo que faz as crianças delirarem.

Bons efeitos especiais permeiam a produção como um todo, com criaturas digitais bastante realistas e bem desenvolvidas em tecnologia de modelagem 3D. A produção do filme também é bastente acertada com cenários bem detalhados (apesar de poucos) e efeitos sonoros convincentes. Tudo na medida certa para as boas cenas de ação das crianças contracenando com os seres imaginários do universo de Spiderwick.

Mary-Louise Parker aparece pouco como a mãe das crianças, mas mostra todo seu charme e beleza, assim como a garota Sarah Bolger (ainda uma criancinha em Terra dos Sonhos, de 2002), linda adolescente que tem tudo para virar a mais nova namoradinha de Hollywood, já mostrando belos traços de mulher. Nick Nolte também aparece bem pouco, como o ogro Mulgarath em sua forma humana, mas é sempre Nick Nolte.

O diretor Mark Waters, acostumado com filmes para adolescentes, como Sexta-feira Muito Louca, Meninas Malvadas e E Se Fosse Verdade, desvia um pouco de seu filão e acaba fazendo uma ótima adaptação de aventuras de fantasia. Nada mal para a primeira experiência no gênero.

Nota: 7,5/10

Direção: Mark Waters
Roteiro: Karey Kirkpatrick & David Berenbaum
Elenco: Freddie Highmore & Mary-Louise Parker & Nick Nolte & David Strathairn & Sarah Bolger
Estréia: Março de 2008
Gênero: Aventura & Fantasia
Duração: 107 minutos
Distribuidora: Paramount Pictures
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por Felipe Edlinger
21 de outubro de 2008
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domingo, 19 de outubro de 2008

[MovRev] Rebobine, Por Favor

(Be Kind Rewind)

Dirigido por Walter Hill

Rebobine, Por Favor é um dos filmes mais originais do ano mas que, talvez, não agrade à gregos e troianos. Redefinindo a frase anterior, é certeza que não agrade a muitas pessoas. Simplesmente porque é diferente dos padrões.

O filme é uma homenagem sincera ao cinema de uma câmera na mão e uma idéia na cabeça, ao pioneirismo da nobre arte, ao improviso e aproveitamento dos recursos que se têm nas mãos para expressar o que está no coração. Rebobine, Por Favor tem muito mais alma do que corpo. E isso é, na verdade, um enorme elogio.

Jerry (Jack Black) é um neurótico que acha que a estação de energia do bairro está causando suas dores de cabeça. Ao tentar sabotar a estação, ele fica magnetizado e acaba, sem querer, apagando todas as fitas VHS da locadora onde seu amigo Mike (Mos Def) trabalha. Desesperados porque uma cliente fiel do Sr. Fletcher (Danny Glover), dono da loja, quer alugar Os Caça-Fantasmas, eles resolvem refilmar o filme, da melhor maneira que podem, para evitar que ela conte ao Sr. Fletcher o que aconteceu. Ao contrário do que esperavam, a "refilmagem" faz enorme sucesso e eles, então, resolvem refilmar uma série de filmes que os clientes pedem.

Rebobine, Por Favor tem a alma pura e sincera das antigas comédias, sem nenhuma apelação, coisa rara atualmente, em um mundo de comédias adolescentes escatológicas e paródias de filmes de sucesso, que tendem cada vez mais para o tosco inimaginável.

O roteiro simplista, que parte de uma grande idéia, se suporta pela simples curiosidade dos filmes refeitos, que eles chamam de "suecados" (isso mesmo, derivado do nome do país Suécia). Mérito de Michel Gondry, diretor e roteirista do filme, que trás grande experiência do mundo dos videoclipes (Bjork, Massive Attack, Chemical Brothers) e do excelente Brilho Eterno de uma Mente sem Memória.

O rapper Mos Def vem se confirmando como num bom ato, presente em um bom número de filmes das últimas safras, como 16 Quadras e O Guia do Mochileiro a Galáxia. Mesmo não sendo um ator nato, ele se vira muito bem nos papéis que lhe são atribuídos, em especial aqueles em que os personagens parecem bobos e descrentes.

Jack Black está quase diferente de seus personagens tradicionais, com exceção de uma recaída ou outra. Ele apresenta um personagem um pouco mais sóbrio, sem deixar de ser engraçado, mas com poucas caras e bocas, com o mesmo jeitão de moleque e viajante que é o mote de quase todos os seus filmes.

As imitações (filmes "suecados") são realmente o ponto alto do filme. São tão engraçadas que, elas por si só, já valem o preço da entrada, da locação e da compra do DVD, quando sair para venda. Os Caça-Fantasmas tem efeitos especiais de chorar de rir, A Hora do Rush 2 tem uma imitação de Jackie Chan que é, no mínimo podre. Robocop usa uma fantasia ridícula e O Rei Leão é a animação mais original com efeitos devastadoramente toscos da história. Isso, sem contar com outras "suecadas", como 2001 - Uma Odisséia no Espaço, King Kong, Carrie - A Estranha, Homens de Preto (ótimo!). Os remakes são tão absurdos que podem até ser interpretados como um ultraje em primeira instância, para quem não tem senso de humor.

Tudo que é minimista no filme é ótimo; das atuações de Danny Glover, como o dono da locadora, e Mia Farrow, como a cliente que que "suecar" Conduzindo Miss Daisy. As locações em Nova Jersey dão o clima do bairro afastado e esquecido do mundo onde a locadora fica. A trilha sonora, que varia do som kubrickiano ao blues de Fats Waller, um dos temas do filme, acompanha com perfeição a trama toda. Até o próprio slogan da locadora, criado pelo personagem de Jack Black, é ótimo: "Be Kind Rewind, Videos a La Carte".

Rebobine, Por Favor mostra a magia do cinema, em transformar verdades em histórias, e histórias em lembranças. O envolvimento das pessoas, a logística, a organização. É claro que tudo é mostrado de maneira parodiada, como é o propósito do filme como um todo, mas que representa toda a arte de fazer arte.

E o cinema é mostrado como a arte que dever ser visto, como a inspiração que faz vidas seguirem em frente, sem o corrompimento da pureza da obra, como testemunhado nos filmes antigos. É uma rechamada ao tempo em que colocar os sentimentos em celulóide era mais importante do que nadar em rios de dinheiro, quando o prazer de atuar era maior do que a ambição de ser o próximo milionário da indústria cinematográfica.

Este filme é uma comédia com uma poesia improvável, que transmite a sensação dos verdadeiros cinéfilos, a paixão incomensurável pela sétima arte. É de fazer o rosto sorrir e o coração se alegrar, com um final na medida para os saudosistas, otimistas e entusiastas.

Nota: 8,1/10

Direção: Michel Gondry
Roteiro: Michel Gondry
Elenco: Jack Black & Mos Def & Danny Glover & Mia Farrow & Melonie Diaz
Estréia: Outubro de 2008
Gênero: Comédia
Duração: 102 minutos
Distribuidora: New Line Cinema
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por Felipe Edlinger
19 de outubro de 2008
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