...e assim caminha a humanidade...

"Não tenha medo da perfeição. Você nunca vai atingí-la." (Salvador Dali)
"Et quacumque viam dederit fortuna sequamur." (Virgílio)
"Always think about a coloured tequila sunrise life." (Felipe Edlinger)
"Foda-se a balada, o que importa é a companhia." (Felipe Edlinger)
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domingo, 18 de maio de 2008

[MovRev] Lara Croft: Tomb Raider

(Lara Croft: Tomb Raider)

Directed by Simon West

Angelina Jolie É Lara Croft, ponto final! Seria necessário algo mais do que isso para um pouco de distração, sem maiores fins, além da pura diversão? A minha resposta é não.

Ela é a encarnação da personagem principal do jogo de ação mais famoso e lucrativo da década de 90. Ela é perfeita, não apenas pelo vestuário, pelo corpo, pela trança ou pela boca e pelos seios deliciosamente esculpidos por algum artesão divino; mas, também, pela atitude.

Com um série de jogos inspirada no sucesso de Indiana Jones, ela é a primeira heroína que consegue trilhar alguns passos do doutor da referida trilogia. Em outras produções, Geena Davis bem que tentou, Tia Carrere, também, Keira Knightley flertou com o papel, mas convenhamos, os empenhos de todas foram muito aquém do lugar onde queriam chegar.

Lara Croft (Angelina Jolie!) é uma "caçadora de tumbas", como bem diz o próprio nome do jogo e do longa-metragem. Dona de uma imensa fortuna e de um ímpeto aventuresco, ela roda o mundo em busca de mistérios e tesouros e, assim, faz sua vida menos "entediante". Ela é um Indiana Jones de saias (apesar de que ela não usa saias, mas micro shorts entuchados, oba!). Entre suas aventuras, ela descobre um relógio escondido por seu pai (Jon Voight), há muito tempo, em sua mansão. O relógio é, na verdade, a fonte de informação para o paradeiro das duas metades do Triângulo da Luz, um artefato místico criado a partir do metal descoberto em uma cratera de meteoro que caiu na Terra há milênios. O Triângulo tem o poder de controlar o tempo e o espaço e já destruiu civilizações no passado, pela qual razão ele foi quebrado e seus pedaços, separados. Desejado pela seita secreta dos Illuminati, que tem como objetivo dominar o mundo (novidade...), Lara precisa ser mais rápida do que Manfred Powell (Iain Glen) para salvar o mundo de mais essa ameaça.

Jon Voight, pai de Angelina na vida real, faz sua ponta competente de sempre (mesmo que aqui não lhe exija um décimo de sua capacidade de ator), como pai da heroína. E como atração, também é possível ver Daniel Craig antes de começar sua carreira como James Bond, mas já dando seus pulos e socos.

Angelina Jolie (sempre ela) não precisa de apresentações, ainda mais com um charmoso sotaque britânico. Dona de uma competência enorme para entregar boas atuações (ela foi laureada com um Oscar pelo papel em Garota, Interrompida), ela consegue ser sexy enquanto atira, corre e distribui socos e pontapés, sem ao menos quebrar uma unha. Seja em um modelito de shorts curtos e camiseta colada (meu favorito), seja em um pijama de seda ou em um traje cambojano, ela é a razão de ser dessa produção. E dos sonhos de muitos marmanjos mundo a fora.

Não importa que o roteiro não seja tão apurado quanto os dos próprios jogos da personagem, em especial o primeiro da série, digno de uma adaptação Hollywoodiana. Não importa que, talvez, os outros atores com quem ela contracene não cheguem aos pés de seus talentos como atriz (novamente, ela É uma excelente atriz!). Não importa que a continuação do filme tenha sido um mero caça-niqueis sem maiores atrativos originais. O que importa é que ela cumpre seu papel, e com méritos.

A música eletrônica de U2, Outkast, Fat Boy Slim, Chemical Brothers e Groove Armada, dita a regra do jogo e comanda a ação incessante com a coreografia mais do que ensaiada de Lara.

Outro grande mérito além da direção agitada de Simon West são as incríveis locações utilizadas no decorrer da trama. Por todos os cantos do mundo, monumentos e lugares exóticos dão o ar do jogo ao filme, que tem praticamente o mesmo ambiente utilizado ao longo da franquia que já tem mais de sete aventuras lançadas.

Os efeitos especiais são bacanas e reproduzem bem tudo o que acontece em 3D nas aventuras originais da caçadora de tumbas. Porém, alguns são bastante forçados e em certos aspectos, até amadores. Mas paciência, nada é perfeito quando não é feito pelos melhores profissionais.

Novamente, não se preocupe em abstrair nada do filme, apenas sente-se, relaxe e curta a ação. E claro, Angelina. Depois, caso não tenha feito anteriormente, aproveite e experimente o jogo. Se já o tinha feito, faça-o mais uma vez. Mas nunca se esqueça que Angelina Jolie apenas interpretou Lara Croft, que não existe no mundo real.

Nota: 6/10
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por Felipe Edlinger
18 de maio de 2008
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sábado, 17 de maio de 2008

[Felipe's MFQ] 21

Philosophical Gambler:
"The way I see it, yesterday is history and tomorrow is a mystery. You got to make it do what it do in the moment baby."

2008. Chritopher Michael Holley in 21

[MovRev] Quebrando a Banca

(21)

Directed by Robert Luketic

Este filme foi feito para ser cool. Com base em um dos jogos mais tradicionais, famosos, empolgantes e traiçoeiros que existe nos cassinos, ele transpira a adrenalina e a excitação de fazer do jogo não apenas uma distração, mas um estilo de vida.

O Black Jack, ou apenas o famoso 21, é o pano de fundo de uma trama agitada, que logo na abertura, de muito bom gosto, por sinal, dita o ritmo do filme com efeitos simples, mas muito bacanas.

Baseado em fatos reais, é uma aula de como se dar bem em um cassino de verdade, dependendo do seu intelecto, da sua companhia, da sua competência e, principalmente, da sua percepção das situações. Parece uma história fictícia mas é, na verdade, um conto de fadas moderno que, sim, pode se tornar realidade.

Ben Campbell (Jim Sturgess) é um nerd brilhante em todos os aspectos estudantis: aluno nota 10 desde o ginásio, presidente de clubes escolares, aluno brilhante do MIT e já aprovado para ingressar na faculdade de medicina de Harward, seu sonho desde criança. Porém, a única coisa que lhe falta é... bem, dinheiro. Por essa razão, ele depende de uma concorrida bolsa escolar para realizar seu sonho. Quando ele é escolhido pelo professor Micky Rosa (Kevin Spacey) para fazer parte de um grupo muito seleto de alunos, ele vê a sua frente a oportunidade de concretizar seu desejo de infância. Ele passa, então, a integrar um grupo de apostadores de Black Jack, todos alunos do MIT, que contam cartas para sempre fazer as apostas e lances corretos e, no final, faturar alto. Assim que o dinheiro começa a entrar, sua vida vira de pernas para o alto e ele se vê seduzido pelo mar de possibilidades que o dinheiro e o poder lhe trazem. Porém, esse caminho pode não ser tão glamouroso quanto parece.

O elenco jovem, talentoso e eficiente mantém o bom nível da produção ao longo das quase duas horas de história, suportados pelos tarimbados Kevin Spacey (o mentor da galera) e Laurence Fishburne (consultor de uma empresa de "prevenção de perdas", que se torna o algoz da turma de estudantes).

O protagonista, Jim Sturgess, oriundo de produções da televisão, tem um "q" de Tobey Maguire e Jake Gyllenhaal, o que já é um grande elogio. Ele consegue dar sustância ao seu personagem que se vê em um mundo diferente daquele em que um nerd está acostumado a viver. Aliás, algumas piadas dos seus amigos nerds são de deixar qualquer um com um sorriso no rosto (desde que tenha algum conhecimento nerd, é claro). Sem contar que ele é tão nerd quanto se pode ser: preocupado, responsável ao limite e arredio com relação às mulheres, principalmente perto de sua musa inspiradora (e de todos na escola), Jill Taylor (Kate Bosworth).

A Louis Lane, de Superman Returns, também transpira talento e ainda por cima tem uma beleza exótica de primeira categoria. Ainda mais quando interpreta uma quase nerd, que trapaceia em jogos de carteado.

O quinteto de jogadores pode se passar até como uma versão moderna e muito mais cool do quinteto de Clube dos Cinco (Breakfast Club), porém, definitivamente mais charmoso e muito, mas muito mais atrativo. De qualquer maneira, é possível classificar todos eles como os cinco originais do clássico dos anos 80: o nerd (Jim Sturgess), a garota gata (Kate Bosworth), o doidão (Aaron Yoo), o bonzão (Jacob Pitts) e a deslocada (Liza Lapira). Ou quase isso.

É a história do conflito entre fazer o correto e seguir uma vida pelas regras da sociedade, que nem sempre são justas, e arriscar fazendo algo que beira a marginalidade mas não necessariamente é contra a lei. À primeira vista, fazer algo desafiador, perigoso e legal e, acima de tudo, excitante e rentável, parece ser a melhor resposta para os padrões da vida.

O ritmo de videoclipe imposto pela direção esperta de Robert Luketic é a utilização correta das técnicas de linguagem na comunicação, em favor de uma mensagem. Os efeitos tradicionais de aceleração do tempo garantem a linearidade da trama e resumem as partes normalmente chatas de espera. Porém, nada seria possível sem o roteiro azeitado de Peter Steinfied, que tem no histórico produções regulares como Bee Cool, A Máfia Volta ao Divã e Quem Matou Mona?

Mergulhando na aura da cidade luz de Nevada, o fato de todos os personagens usarem disfarces durante as sessões de jogatina, apenas torna a trama ainda mais excitante pois, como diz a personagem de Kate Bosworth, a melhor coisa de Las Vegas é que lá você pode ser qualquer pessoa e ninguém precisa saber disso. Afinal de contas, como no dito popular, o que acontece em Vegas, fica em Vegas.

Jogar cartas nunca foi tão divertido, principalmente se você sempre sabe como bater o sistema e ganhar uma bolada. Mas isso é somente para pessoas que, como diz o protagonista, têm uma mente privilegiada, porque eu não entendi patavinas do maravilhoso esquema de contar cartas. Porém, me deu vontade de dedicar tempo ao estudo para que possa trilhar meu caminho até o mundo lisérgico em direção à pérola do deserto, na qual já tive o prazer de dar, ao menos uma espiadela.

É o sonho de qualquer jovem adulto, facilitar a vida sem ter maiores consequências, e conseguir itudo aquilo que quer, de maneira fácil e divertida. E com uma trilha sonora que conta com LCD Soundsytem, Moby, Weezer e Rolling Stones, talvez pedir mais do que isso, seja pedir demais.

Nota: 7/10
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por Felipe Edlinger
17 de maio de 2008
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sexta-feira, 16 de maio de 2008

[MovRev] Eu Sou a Lenda

(I Am Legend)

Directed by Francis Lawrence

Não é à toa que Will Smith é o cara que mais fatura em Hollywood atualmente, afinal de contas, tudo o que ele toca sai com qualidade, sempre no gênero da ficção científica e da comédia, essencialmente, mas mostrando que o drama também lhe rende um ótimo lugar para mostrar todo o seu talento.

Assim como Tom Hanks, ele segura as pontas em um filme por mais de uma hora, no qual contracena apenas com manequins e com um pastor alemão. Mesmo que Tom Hanks tenha sido reconhecido e premiado com dois Oscar (acredito que merecia um por Náufrago, também), Will não deixa por menos e transmite emoção em seu desespero em uma Manhattan pós-genocídio.

Will Smith é Robert Neville, um cientista militar que se encontra sozinho em plena cidade de Nova York. Ele é, na verdade, o aparente último sobrevivente no planeta Terra, recentemente afligido por uma peste de proporções globais. Três anos antes, o que parecia ser a esperada cura do câncer, baseada na alteração de um vírus para propósitos medicinais, se transformou em uma epidemia que dizimou a raça humana, matando imediatamente mais de 90% da população mundial. Dos 10% restantes, apenas 1% se tornou imune ao vírus, enquanto os restantes se transformaram em mutantes sanguinários, sensíveis a luz solar, como vampiros. Por alguma razão, Robert Neville também é imune e fica na cidade de Nova York, considerada por ele o ponto inicial da epidemia, para estudar e encontrar uma cura para a doença. Sua vida se resume a buscar a fonte da cura durante os dias, e se esconder dos seres da escuridão durante as noites, sempre em companhia de sua fiel cachorra, Samantha, uma bela pastora alemã. É nesse ritmo que ele vai enfrentando não apenas os inimigos físicos monstruosos, mas também a eterna luta contra a insanidade que o confronta todos os dias.

A produção esmerada retrata com perfeição um mundo pós-catástrofe, neste caso, a morte de 90% da população do globo. Os efeitos especiais de primeira categoria mostram que também podem ajudar um filme a ser bom, sem, necessariamente, ter que ser os donos da produção.

A excelente trilha sonora, com músicas de Bob Marley, o verdadeiro criador e disseminador do reggae e da filosofia da música jamaicana, se contrapõe com as situações vividas por Will Smith, mantendo em equilíbrio o seu personagem, e o próprio filme. É o que ele chama de "iluminar a escuridão", como diria Bob. Entre as clássicas, estão Three Little Birds, I Shot the Sheriff, Stir It Up e Redemption Song.

A boa atriz brasileira Alice Braga faz seu début no cinema Hollywoodiano com uma ponta considerável, em um bom filme arrasa-quarteirão. Ela apresenta um inglês sem sotaque (ela também fala espanhol), porém sem as nuâncias de uma pessoa original da terra do Tio Sam. Ela, que não é tão bonita como outros (as) brazucas que já tentaram a sorte nos cinemas americanos, abre caminho rumo a uma carreira internacional, sonho de qualquer ator de presença. Seu próximo filme é Blindness, adaptação do livro Ensaios sobre a Cegueira, do português José Saramago. Isso prova que talento faz a diferença, assim como ter parentesco famoso, no caso, com sua tia Sônia Braga, que fez sucesso nos Estados Unidos na década de 1980.

Apesar da adaptação do livro, em que o filme se baseia, ter sido adiada várias vezes desde a década de 1970, a espera valeu a pena. O próprio Will Smith teve seu papel cancelado, assim como Arnold Schwarzenegger. Na direção, já passaram nomes de peso como Michael Bay e Ridley Scott.

A câmera certeira do diretor nos coloca junto a Robert Neville, na desesperadora realidade do cientista militar, e nos mostra o horror do livro de Richard Matheson. Assim como diversos filmes de terror, as luzes e trevas são muito bem definidas, sendo ansiadas e temidas, como em uma boa trama de vampiros.

Francis Lawrence é um diretor reconhecido de video-clips, com trabalhos realizados para Jennifer López, Green Day, Britney Spears e a banda Ok Go. Mesmo sem experiências prévias em longa metragens até três anos atrás, ele conseguiu adaptar de maneira adequada os quadrinhos de Constantine e dirigiu um bom filme, mesmo com o personagem principal sendo visualmente modificado para ser Keanu Reeves. E agora repete seu trabalho com competência, traduzindo para as telonas a obra de 1954, com roteiro bem amarrado de Mark Protosevich (que está escrevendo Thor, clássico super-herói da MArvel Comics) e Akiva Goldsman (que está escrevendo Anjos e Demônios, a próxima aventura de Robert Langdon), que só comete alguns deslizes perto do final do longa. Porém, nada que comprometa, nem ao menos parcialmente, o trabalho.

A alternância da narração com flashbacks, que contam a história de Neville e a origem do problema mundial com a peste, cadenciam muito bem momentos de ação com fases mais elucidativas, funcionando como paradas obrigatórias para o ritmo frenético que é imposto em horas cruciais da trama.

Mesmo com a boa direção, o bom roteiro adaptado e os bons efeitos especiais, a âncora da produção é realmente Will Smith. Com força e talento, ele representa, de maneira digna, o sofrimento e o desespero de alguém que se encontra sozinho no mundo, por alguns anos, e que permanece sóbrio e são em busca de um bem maior do que ele próprio. As cenas em que ele contracena com manequins são pequenas pérolas na trama, quando é possível ver em seus olhos verdadeiras emoções. Outro destaque se dá quando ele recita os diálogos do filme Shrek quando tenta estabelecer contato com o garoto Charlie Tahan, provando que o homem é um ser social e que precisa de contato com outros de sua espécie para não perecer.

É Will Smith em seu melhor, sendo comercial, eficiente, resultante de boa bilheteria mas, acima de tudo, sinônimo de bom ator. Nada mal para um cara de 40 anos que, até os 28 anos, ainda era mais reconhecido pelo seu papel em The Fresh Prince of Bel-Air (Um Maluco no Pedaço), que não deixava de ser um excelente material de boa comédia. Agora, ele pode escolher seus roteiros e ditar a regra do negócio, estrelando filmes do calibre de Homens de Preto, Ali, Inimigo do Estado, Eu, Robô, Em Busca da Felicidade, entre tantos outros. Resumindo: dá-lhe Will!

Nota: 7.5/10
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por Felipe Edlinger
16 de maio de 2008
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quinta-feira, 15 de maio de 2008

[MovRev] Tesouro Nacional: O Livro dos Segredos

(National Treasure: Book of Secrets)

Directed by Jon Turteltaub

O mundo do cinema estava carente por uma aventura que prezasse pela aventura em si, como um simples atrativo para proporcionar puro entretenimento para o espectador. Até que, em 2004, Nicolas Cage encarnou um aventureiro à moda antiga que caiu nas graças do público.

Como em time que está ganhando, não se meche, principalmente quando se está falando de retorno financeiro, Nicolas Cage está de volta como Ben Gates, um caçador de tesouros moderno, que se vê envolto por mistérios do passado que levam ao esclarecimento de importantes eventos da história da América. Porém, desta vez, o nome da família do protagonista também está em jogo.

O aparecimento de uma página de um diário do assassino John Wilkes Booth incrimina o tataravô de Benjamin Gates (Nicolas Cage) como um dos participantes da conspiração que culminou no assassinato do presidente americano Abraham Lincoln. Ao examinar a página do diário, Gates descobre um código que o leva a outras informações escondidas em diversos lugares ao redor do mundo, de Paris a Londres, finalizando em Washington DC. Junto de seu pai Patrick Gates (Jon Voight) e sua mãe Emily (Helen Mirren), além da ex-namorada Abigail (Diane Kruger) e do parceiro de aventuras Riley (Justin Bartha), ele corre atrás de uma das maiores descobertas históricas da era moderna, além da eliminação das acusações contra seu antepassado.

Desde o Oscar de melhor ator, Nicolas Cage tem tido altos e baixos ao longo da carreira. Bons exemplos são Cidade dos Anjos, 8MM, A Outra Face, Adaptação e O Senhor da Guerra. Porém, os maus exemplos vêm igualmente aos montes: Olhos de Serpente, o remake O Sacrifício, 60 Segundos, e o mais recente Motoqueiro Fantasma. Mesmo assim, ele é sinal de boas bilheterias e isso é mais do que importante para os grandes estúdios. Portanto, porquê arriscar? Nesta produção, ele atua no automático, resgatando muito dos elementos que lhe trouxeram sucesso em outras produções. Mesmo assim consegue ser adequado ao filme. Ele não tem a mínima fração do charme bruto de Harrison Ford na trilogia original do mais famoso arqueólogo de todos os tempos, mas consegue sustentar seu personagem e manter a atenção da platéia com boas doses de humor e ação.

Aliás, o grande destaque do filme são exatamente os coadjuvante de Nicolas Cage, que o suportam por toda a trama. Em termos de interpretação e empatia, dão um show no dono do filme. Diane Kruger, ex-modelo e dona da exuberante Helena, em Tróia, com Brad Pitt e Eric Bana, é competente para ao menos manter o mesmo nível do filme anterior. Porém, Justin Bartha continua extremamente simpático e engraçado como o parceiro nerd de Ben Gates, Riley Poole; nada mal para quem praticamente estreou no cinema em Gigli, com Ben Affleck (na fase canastrão sem talento) e Jennifer "Bumbum" López. Agora, o show mesmo, fica por conta dos oscarizados Jon Voight e Helen Mirren, que interpretam, com graça e empatia, os pais separados do protagonista, que não se viam há mais de 20 anos. A química entre os dois em cena é notável e tão forte, que chega a ser palpável. Isso prova o porquê de eles fazerem parte da lista dos grandes atores e atrizes do cinema de ontem e hoje. Isso sem contar com as boas presenças de Harvey Keitel, retornando como um agente do FBI, e Ed Harris, como o antagonista de Ben Gates.

O roteiro dos Wibberleys, Cormac e Marianne (também roteiristas do primeiro filme), é totalmente dirigido para a ação rápida e comédia descompromissada, o que é mais do que uma atração para o grande público que busca o escapismo do cinema como pura diversão. Funciona bem, mesmo com algumas falhas entre um ato e outro, sem contar com todo o frisson e folclore sobre a história dos Estados Unidos da América.

O diretor Jon Turteltaub, com alguns bons filmes no curriculum, consegue imprimir o ritmo do roteiro de maneira adequada e que não deixa a peteca cair a qualquer momento, com os mistérios sendo resolvidos rapidamente, sem dar tempo para que os espectadores pensem à respeito.

Ao contrário dos filmes de Indiana Jones, este é bastante leve e sem nenhuma linguagem ou atos inapropriados para os pequeninos, tanto que o primeiro filme só foi lançado pelo selo da Disney depois que recebeu a classificação PG (adequado para crianças desacompanhadas). Antes disso, havia planos para ser lançado pela Touchstone Pictures.

Excelente pedida para sessões de matinê com os amigos ou com a própria família mas, com certeza, é um filme que não será lembrado mais para o futuro, mesmo que seja próximo. Se um filme com tais propriedades causou um bom impacto nas bilheterias e na crítica, imaginem como será a recepção do próximo filme de um tal Dr. Jones.

Nota: 6.5/10

Felipe Edlinger
15 de maio de 2008

domingo, 11 de maio de 2008

[MovRev] Strange Wilderness

(Strange Wilderness)

Directed by Fred Wolf

Coloque uma porção de idiotas pra fazer um filme e, provavelmente (com uma margem de quase 100% de certeza), você terá um filme idiota. É exatamente o que acontece aqui.

Strange Wilderness é um filme sem pé e, muito mais, sem cabeça. Aliás, não há nada no meio, também. Não que seja algo que as pessoas procurem em um filme quando querem se descontrair, mas esse aqui realmente não diz nada com nada. Ao menos, a acidez do longa é mais latente do que as piadas idiotas.

Esta é uma reunião de uma gangue de atores que têm muitas comédias podres no curriculum vitae e estão juntos para adicionar mais uma: Steve Zahn, Allen Covert (que está em praticamente todos os filmes de Adam Sandler), Justin Long e Peter Dante.

Não existe roteiro algum, aliás, a história parece ter sido contada por uma criança com sérios problemas de imaginação. E que devia fumar um baseado, também...

Fred Wolf, na direção (que direção?), e Peter Gaulke, no roteiro (que roteiro?), estão juntos para fazer o que sabem de melhor. Ou pior: comédia pastelão. Já vimos Totalmente sem Rumo, Joe Sujo e O Cavaleiro Negro. Strange Wilderness é muito mais do mesmo non-sense.

Steve Zahn é Pter Gaulke (sim, o mesmo nome do roteirista, hahaha) que, junto com seu amigo Fred Wolf (sim, Allen Covert usa o mesmo nome do diretor, hahaha), cuida do programa Strange Wilderness, herdado de seu pai, um famoso e carismático apresentador. Porém, nem sempre filho de peixe, peixinho é, e o show vai de mal a pior, até que o dono da emissora os coloca em aviso prévio, simplesmente porque o que eles apresentam somente pode ser classificado como merda. Então, um amigo aparece com uma história sobre o famoso Pé Grande e, é nela que Peter vê a chance de colocar novamente seu programa no mesmo patamar que seu pai o tinha.

Bom, podemos ver, também, uma ponta ridícula de Robert Patrick, o mesmo T-1000 de Exterminador do Futuro 2, e uma presença descartável da ex-gostosa e sempre gracinha Ashley Scott, que era ainda mais bonita quando era Helena Kyle, na série Birds of Prey.

As piadas são de último calão, com cenas bizarras em algumas casos, quer dizer, em vários. Somente quem é muito fã de comédia baixo nível vai gostar (no final, ainda tem muita gente que curte). Não é como as boas comédias pastelão de Adam Sandler, Jim Carrey ou Will Ferrell, mas tem seu público-alvo.

Mas, no final das contas, a presença de Steve Zahn segura um pouco a possibilidade de se tornar um total desprezo. Uma viajada braba na razão, na emoção e na cara de pau, por parte dos realizadores.

Nota: 4.5/10

Felipe Edlinger
11 de maio de 2008

sábado, 3 de maio de 2008

[MovRev] 10.000 A.C.

(10.000 B.C.)

Directed by Roland Emmerich

Eis mais um filme do diretor Roland Emmerich, que deve ter um ego do tamanho de suas obras. Diretor-rei das mega produções de catástrofe, ele já realizou O Dia Depois de Amanhã, Independence Day, Godzilla, O Patriota, entre outros, todos com muita pompa e pouco conteúdo. Se Michael Bay é o cara que gosta de grandes explosões, Emmerich é o cara que gosta de grandes eventos.

Porém, mais uma vez, ele errou feio (talvez, somente tenha acertado com O Dia Depois de Amanhã), investindo apenas nos grandes efeitos especiais, locações primorosas e fotografia bonita, e esquecendo essencialmente do que seguraria a trama: o roteiro.

D'Leh (Steven Strait) é um caçador da tribo dos Jabal, que reside nas montanhas nevadas e vive da caça de mamutes que por ali aparecem, de tempos em tempos. Quando parte da tribo é levada por guerreiros desconhecidos, ele resolve, junto com alguns companheiros, resgatar os seqüestrados e sua amada, Evolet (Camila Belle). No caminho em direção ao Egito (!), ele precisará da ajuda de diversas outras tribos para se opor ao poder dos deuses terrestres, conhecidos como faraós (!!!).

A trama é bem fraca, não empolga em nada e apenas confunde o espectador. Mamutes, tigres dentes-de-sabre, pássaros pré-colombianos, egípcios, neve, deserto, florestas tropicais. O roteiro todo atrapalhado e pouco conciso, historicamente falho (dizem os especialistas), não consegue manter as partes do filme juntas durante os quase 120 minutos de produção. Apenas para exemplificar, egípcios com barcos a vela datam de milhares de anos depois da ambientação da trama; os pássaros estranhos que aparecem nem ao menos chegaram perto da Europa, Ásia e África; a pimenta somente foi difundida pelos colonizadores portugueses. E ainda tem mais, cavalos domesticados, florestas tropicais ao lado de montanhas nevadas. Realmente, parece que alguém não fez a tarefa de casa.

Os belíssimos cenários monumentais dão o ar de uma grande produção, porém, novamente, o diretor falha em tudo com que pode conduzir a trama. Não é nenhum Apocalypto, muito menos Coração Valente ou Gladiador. Os efeitos especiais são bons, mas nada que Jurassic Park já não tenha mostrado 15 anos antes, em 1993. Apenas uma diferença (aliás, imensa): o homem por trás das câmeras atendia pelo nome de Steven Spielberg.

Os atores pouco conhecidos não têm qualidades para estrelar um pretenso filme épico como esse. A bela Camila Belle (que já havia estrelado outros filmes razoáveis) pode ter uma beleza exótica, quase como uma nova Jordana Brewster, mas não convence nem um pouco como parte do par central. Steven Strait, dos ruins O Pacto e Encontro com o Acaso, também mais parece um clone de Colin Farrell, porém, sem o carisma e o talento do astro.

Pouca coisa se salva em termos de talento humano. Cliff Curtis, que interpreta o caçador Tic-Tic, é um bom ator que já esteve em A Fonte da Vida, Sunshine - Alerta Solar e Encantadora de Baleias. Fora ele, a narração fica por conta do lendário Omar Sharif (como o convenceram a fazê-la, isso eu não sei responder).

O mais impressionante é que todo mundo (os bonzinhos) falam inglês (sem sotaque, claro! Viva a América!) e os maus falam algum tipo de língua desconhecida ou dialeto, como se fosse árabe (viva o preconceito americano!). Bom, depois que o presidente dos Estados Unidos entra em um caça para salvar o mundo, poderíamos esperar qualquer coisa.

Agora, resta esperar a próxima obra do diretor, chamada, por enquanto, de 2012. Nenhum ator está confirmado, as algumas coisas já são dadas como certas: vulcões, tufões e glaciares. É, este é Roland Emmerich.

Nota: 4.5/10

Felipe Edlinger
03 de maio de 2008

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