...e assim caminha a humanidade...

"Não tenha medo da perfeição. Você nunca vai atingí-la." (Salvador Dali)
"Et quacumque viam dederit fortuna sequamur." (Virgílio)
"Always think about a coloured tequila sunrise life." (Felipe Edlinger)
"Foda-se a balada, o que importa é a companhia." (Felipe Edlinger)
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sábado, 29 de março de 2008

[MovRev] Jumper

(Jumper)

Directed by Doug Liman

Quem nunca teve seus dias de garoto deslocado, seja na escola, em casa, no trabalho ou perto de alguma mulher? Quem nunca encarou dias de estranheza e descontentamento que, no final, nos fazem querer desaparecer? Eu já; e aposto que você, também.

E se você pudesse ter um único poder de super heróis, qual seria? Capacidade de vôo, visão de raio-x, super força, ultra velocidade, qual seria? O meu, provavelmente, seria o mesmo poder apresentado pelos personagens desta nova produção de Doug Liman.

Imagine alguém que possa estar em qualquer lugar do mundo, a qualquer momento, sem impedimentos, somente por desejar. Estar onde a diversão está, almoçar no topo da esfinge do Egito, pegar as melhores ondas em qualquer praia do planeta, morar em diversas cidades do mundo, conhecer lugares inimagináveis para pessoas comuns. Este é David Rice, um saltador.

David é um adolescente deslocado, de visual estranho, apaixonado por uma amiga de ginásio e rechaçado pelos colegas de escola. A mãe dele o abandonou aos 5 anos de idade e o pai não lhe dá a mínima atenção. Tudo parece ser do avesso na vida do garoto até que ele desenvolve o poder de, literalmente, saltar no espaço para qualquer lugar em que ele já tenha estado ou visto em fotos. Com esse poder, ele passa a viver a vida dos sonhos de qualquer pessoa, dono de seu próprio destino e vontade.
Porém, sua vida de aventuras irresponsáveis não dura muito e ele se depara com uma organização secreta, de pessoas nomeadas paladinos. Presentes no mundo desde tempos medievais, os paladinos acreditam que os saltadores não têm seu lugar no mundo e que a ordem natural das coisas não pode ser modificada. Conseqüentemente, os caçam por todos os cantos do globo.

Doug Liman, já experiente em dirigir alguns filmes considerados cool, faz deste Jumper mais uma atração descompromissada que mexe com a imaginação dos espectadores. É uma soma de várias características e fatores que o diretor, de apenas 43 anos, já apresentou em outros filmes, como Swingers - Curtindo a Noite, Vamos Nessa, Identidade Bourne e Sr. & Sra. Smith.

Hayden Christensen, que interpreta o protagonista David, finalmente começa a se livrar do estigma de Anakin Skywalker e Darth Vader, porém com personagens vazios e sem carisma. Apesar de já ter construído um personagem muito bom no ótimo Shattered Glass, ele ainda não encontrou seu lugar no mundo de Hollywood. Porém, para os que pensam que ele se mostra descontente com seu personagem na série de George Lucas, ele, pelo contrário, confessa em entrevista que tem consciência que, se não fosse pelo seu papel em Star Wars, poderia nem ao menos ter uma carreira.

Seu personagem não é nenhum santo e utiliza seus poderes apenas para benefícios próprios, inclusive para assaltar bancos e conseguir verba para suas mordomias ao redor do mundo. Sem escrúpulos no começo, David Rice está mais para um anti-herói do que para o típico personagem de histórias em quadrinhos. Afinal de contas, o que um moleque que sempre se ferrou na vida, é pobre e rejeitado faria se tivesse o poder que ele tem. Roubar bancos foi apenas uma forma de se garantir e que, com certeza, seria a primeira opção de muitos. Antes de viajar o mundo, claro.

As locações do filme não são menos do que fantásticas. Enquanto a trama começa na feia e poluída Detroit, nos Estados Unidos, os protagonistas saltam para Roma, Egito, Tóquio, Nova York, os Pólos, e até a uma ficcional Chechênia.

Os efeitos especiais, por sinal uma das boas vertentes de Doug Liman, são de primeira linha, com cenas de ação de tirar o fôlego, câmera rápida e pouco tempo para raciocinar, incluindo lutas entre os saltadores e paladinos e um passeio a la Velozes e Furiosos pelas ruas da capital japonesa.

O filme ainda conta com a presença da gracinha Rachel Bilson, a Summer da série sucesso-pop The O.C., fazendo o papel da menina pela qual o anti-heróis sempre foi apaixonado. Porém, ela também encontra dificuldades para escapar do estereótipo de Lil’ Miss Vixen, do seriado.

Quem parece estar querendo pagar algumas contas é Samuel L. Jackson, dono de uma carteira invejável de personagens (alguns toscos, é verdade...), que interpreta o vilão Roland, um paladino que caça saltadores há muito tempo. Se ele pensou que um vilão negro de cabelos brancos tingidos seria um personagem cool, pode ter se enganado fortemente.

O papel de destaque vai para Jamie Bell (do ótimo Billy Elliot) que faz Griffin, um saltador inconseqüente, pirado e ciente de sua missão no mundo: a de matar paladinos. Experiente, ele sabe os perigos que uma vida de saltos pode trazer para ele e resolve caçar os caçadores, utilizando seus poderes para desmantelar a organização.

No geral, um filme legal e uma diversão descompromissada de curtos 80 minutos. E, como ninguém é bonzinho o suficiente para não cometer nenhum pecado, vamos torcer pelos anti-heróis.

Nota: 6/10

Felipe Edlinger
29 de março de 2008

quinta-feira, 27 de março de 2008

[Web] Felino Ninja

O bom e velho cachorro nunca perderá seu espaço na minha casa e no meu coração, principalmente quando eles já fazem parte da família. Meus bons amigos sabem que odeio gatos de paixão, mas este aqui é ninjaaaaa!!!

quarta-feira, 26 de março de 2008

[Jokes] O Advogado Judeu

Uma instituição de caridade nunca tinha recebido uma doação de um dos advogados mais ricos da cidade, um judeu. O diretor da instituição decidiu ele mesmo ir falar com o advogado:
- Nossos registros mostram que o senhor ganha mais de R$ 3.000.000,00 por ano e mesmo assim nunca fez uma pequena doação para nossa caridade. O senhor gostaria de contribuir agora?
O advogado respondeu:
- A sua pesquisa apurou que minha mãe está muito doente e que as contas médicas são muito superiores à renda anual da aposentadoria dela?
- Ah, não, murmurou o diretor.
- Ou que meu irmão mais novo é cego e desempregado? - Continuou o advogado.
O diretor nem se atreveu a abrir a boca.
- Ou que o marido da minha irmã morreu num acidente e deixou-a sem um tostão e com cinco filhos menores para criar, sendo que um deles tem Down? - Falou o advogado judeu já com ar de indignação.
O diretor já se sentindo humilhado disse:
- Eu não tinha a menor idéia de tudo isso...
- E a sua pesquisa apurou que meu pai é diabético, cardiopata e que está na cadeira de rodas há mais de dez anos?
- Não senhor...
- E foi, por acaso, verificado que eu tenho dois sobrinhos surdos-mudos? - Perguntou o judeu. Silêncio do diretor.
- Além de tudo isso - disse o advogado - vocês já sabem que meu irmão mais velho pediu falência e perdeu todos os seus bens?
- Não, absolutamente não, senhor! - Respondeu o diretor totalmente envergonhado com o papelão que fazia.
- Pois então - disse o advogado - SE EU NÃO DOU UM TOSTÃO PARA ELES, POR QUE EU IRIA DAR PARA VOCÊS?!?!?!?!?!!??

domingo, 23 de março de 2008

[Cron] O absurdo dos carrinhos de supermercado

Hoje é domingo, pouco depois das 22h e acabei de chegar de um feriadão prolongado de Páscoa. Após uma deliciosa viagem ao litoral, enfrentamos a cansativa tarefa de retornar para casa junto de inúmeros outros trabalhadores que enfrentaram algumas horas para chegar à praia.

Depois de cansaço, impaciência das pessoas com o trânsito, buzinadas de final de semana, farofada na praia, abusos de motoristas embriagados (e outros nem um pouco), inconseqüências de jovens, adultos e idosos, irritação de todos os tipos de pessoas e irresponsáveis de todos os números, gêneros e graus, ainda tive a enorme força de vontade de fazer algo que normalmente fazemos nos dias de semana ou nas manhãs dos sábados: compras em supermercados.

Então resolvo adiantar um pouco a segunda-feira vindoura e fazer uma compra rápida, sem dor, sem filas e sem a lerdeza dos supermercados nos dias de semana.

A minha expectativa era única de supermercado vazio, assim como o estacionamento e os caixas para pagamento. Infelizmente, apenas 66% dela foram realizados. Quando me deparei com a situação do estacionamento do supermercado às 21h30 deste domingo, percebi que algo estava errado; não com o supermercado ou o estacionamento em sim, mas com a nossa sociedade.

Quase todas as vagas perto das entradas do estabelecimento estavam ocupadas, não por carros ou motos, mas por carrinhos de supermercado. Um carrinho atrás do outro, inclusive aqueles em que é possível colocar crianças para uma compra divertida com elas. A cena mais parecia um holocausto dos melhores filmes de Hollywood, quando as cidades foram abandonadas após um grande cataclismo. Era impossível estacionar um veículo de verdade devido a número absurdo desses acessórios de compras parados (jogados seria a palavra correta!) em lugares não devidos.

Independente se o lugar é um Carrefour, um Pão de Açúcar, um Extra ou quaisquer mercadinhos de bairro, a questão não é específica dos estabelecimentos, mas das pessoas que o utilizam e que fazem esse tipo de absurdo por onde passam.

Fiquei imaginando se seria falta de educação, ignorância, cara de pau, pressa ou pura filhadaputice, mesmo, que levam as pessoas a fazer isso. Utilizar um recurso praticamente público, que outras pessoas virão a utilizar da mesma maneira, e depois largá-los, como que não tivessem mais nenhum valor, no meio das ruas do estacionamento, no meio de outras vagas, até mesmo na entrada do supermercado, mas poucos nos devidos lugares.

Imaginei que talvez tivesse sido apenas um lapso de final de feriado, porém quando entro no supermercado, não consigo nem visualizar onde estão as cestinhas de compras, utilizadas por aqueles que não comprarão tantos produtos para utilizar um carrinhos de compras. Todas se encontravam jogadas em frente aos caixas ou nos corredores dentro do supermercado, menos no lugar destinados à elas.

Mais um sinal de desrespeito, sem contar a enorme quantidade de carrinhos vazios ou de carrinhos com alguns produtos abandonados nos corredores do estabelecimento.

Porém, ainda me surpreendi (quantas surpresas para um final de noite) quando estava procurando os produtos de minha lista de compras. Encontrei algumas mercadorias um pouco estranhas em lugares inusitados, como absorvente íntimo junto às sopas instantâneas, mouse de computador no meio dos amaciantes de roupas, e até extrato de tomates no meio de sabonetes. Bem, talvez seja apenas uma nova fragrância...

Quando penso um pouco mais à respeito disso tudo, um certo sentimento de raiva chega a me consumir devido a tamanha insuficiência cerebral por parte de algumas pessoas. Não creio que seja um problema social, de cores ou credos, mas sim, de educação pura e bom senso simples!

Algumas pessoas podem dizer que tudo isso é relativo, porém acredito que certas coisas sejam óbvias demais para não serem levadas em consideração. Pergunto-me ainda, se a casa de cada pessoa reflete seus atos. Se não, realmente é uma falta de respeito para com o próximo, o que já mostra um certo comportamento Neanderthal. Se sim, sinto muito, mas a pessoa infelizmente já deve ser um homem das cavernas.

Depois, o discurso que vemos todos pregarem é o da sustentabilidade, do respeito mútuo, do conceito de reciclagem e de fazer a sua parte. Se para coisas tão simples como esta de guardar carrinhos de compras e produtos em seus devidos lugares, após utilizá-los ou não comprá-los, as pessoas não o fazem, imaginem para para algo que implique no futuro do nosso pobre mundinho. Se me dissessem que fazem isso porque outras pessoas são pagas para arrumar suas bagunças, diria apenas que é o pensamento mais escroto que podem ter.

Se as pessoas se sentem bem quando alguém desfaz seu trabalho e depois precisam refazê-lo uma vez depois da outra, até darei razão para essas pessoas. Porém, duvido que um número minimamente considerável de pessoas se comporte dessa maneira.

O pior é saber que existem pessoas que pensam "ah, mas fui somente eu que fiz". Mas, na verdade, foi apenas ela e a torcida de um time de futebol toda. E, desta maneira, estaremos todos, com o perdão da palavra, ferrados! E tudo isso porque era um feriado, dia em que o movimento é bem menor do que os dias normais de semana.

Bem, como não adianta nada fazer discurso sem ação e, para completar meu raciocínio, não apenas fiz a minha parte em arrumar o que utilizei, como também levei mais três outros carrinhos, que se encontravam perto do meu carro, para a área deles. Cada um faz a sua parte, mas também nos vemos na necessidade de fazer a parte dos outros, também. Mais ou menos como dirigir defensivamente.

E no dia em que não existirem mais assaltos, ou seqüestros, ou ainda lixo sem ser reciclado; daí, talvez, apenas talvez, acredito que as pessoas não largarão mais produtos e carrinhos de supermercado fora de seus devidos lugares.

Felipe Edlinger
23 de março de 2008

sexta-feira, 21 de março de 2008

[MovRev] Harry Potter e a Ordem da Fênix

(Harry Potter and the Order of the Phoenix)

Directed by David Yates

O quinto livro do mega-sucesso mundial Harry Potter é um dos mais longos e cansativos da série, na opinião da grande maioria dos fãs. A obra é focada na realidade dentro de Hogwarts e no cotidiano dos alunos durante o período letivo na escola de magia e feitiçaria; pouco contato com o mundo exterior e poucas grandes aventuras são explicitados durante toda a trama. Todo esse tempo é utilizado para compor e delinear um pouco mais alguns dos personagens coadjuvantes da série, como o Professor Severo Snape, e para aprofundar alguns questionamentos dos personagens principais.

Talvez seja por isso que o filme tenha ficado tão legal e, ao mesmo tempo, tão mais adulto, uma vez que a "criançada" tem que lidar com situações mais independentemente, assumir riscos e tomar decisões importantes que podem influenciar no futuro de todos. Resumir um livro de 700 páginas, que não contém tanta ação como as obras anteriores, ficou muito mais fácil do que ter que povoar um filme de pouco mais de duas horas de duração com todas as histórias e batalhas que estávamos acostumados a ver.

A repetição das discussões abordadas no livro poderia gerar uma obra cansativa, mas o que ocorre aqui é exatamente o contrário porque todo o excesso foi cortado. Na totalidade da obra, não parece que muito foi perdido porque informações que são, na prática, dispensáveis, não duram muito tempo nas cabeças dos leitores, nem dos telespectadores.

Nesta aventura, Harry, após o conflito com o senhor das trevas, Lord Voldemort, no quarto volume da série, quando Cedrico Diggory foi morto, tenta convencer a todos de que aquele-que-não-deve-ser-nomeado realmente voltou à vida. O Ministério da Magia, na figura do Ministro Cornélio Fudge, faz tudo a seu alcance para negar o fato, inclusive desmoralizar Harry Potter e Alvo Dumbledore. O garoto, ao lado de seus fiéis escudeiros, Ron Weasley e Hermione Granger, tem que aguentar as provocações e provações durante mais um ano escolar, com o peso e a desconfiança de todos que o cercam.
Em mais uma atitude desesperada do Ministério, Dolores Umbridge é nomeada nova professora de Defesa Contra as Artes das Trevas. Quando ela se recusa a ensinar magia prática aos alunos, Harry e mais alguns amigos resolvem treinar por conta própria, com Harry como professor, criando o "Exército de Dumbledore".
A cada dia que passa, os poderes de Lord Voldemort crescem e o que os espera no final é um grande embate entre as forças do bem e as forças do mal.

O bruxinho mais famoso da literatura e do cinema definitivamente entrou em uma fase mais sombria de sua vida, quando os poderes do mal vêm à tona e seu elo com o grande vilão se revela mais forte do que nunca. Todo o clima pesado e assustador do quinto livro de J.K. Rowling é repassado para este filme soturno e adulto, à seu modo. As aventuras deixam de ser meramente um entretenimento infantil, uma vez que as crianças que leram os livros praticamente cresceram juntas com os personagens centrais da trama e, hoje em dia, são adolescentes.

David Yates, diretor mais conhecido pelos seus trabalhos na televisão britânica, consegue capturar tão bem o clima da obra literária que já foi confirmado na direção dos próximos "O Enigma do Príncipe" (ano 6) e a primeira parte de "As Relíquias da Morte" (ano 7). A obra tem uma diferença muito grande se comparada aos trabalhos de Chris Columbus com os primeiros dois filmes, mesmo porque os primeiros livros também eram mais ingênuos. Seu trabalho muito se assemelha com a realização de Alfonso Cuarón, com "O Prisioneiro de Azkaban".
A trama é bem simples se comparada com os outros filmes da série, uma vez que nada de reviravoltas acontecem, é uma história bem linear, eficiente em mostrar a realidade do universo da magia e feitiçaria de Harry Potter e a ascensão dos poderes do mal de Lord Voldemort e dos Comensais da Morte.

Os efeitos especiais e coreografia continuam afiados e são inúmeras as cenas que nos fazem vibrar com a materialização de realidades somente imagináveis pela autora dos bestsellers. Os cenários e figurinos continuam fantásticos e a maquilagem permanece como um dos destaques da produção. Junto com a fotografia impecável (ainda mais por causa das locações), apenas qualificam a produção ainda mais como um ótimo entretenimento.

As crianças (não mais crianças porque algumas delas já se encontram na faixa dos 18 anos de idade) estão melhorando a cada produção e desenvolvendo cada vez mais seus dons artísticos e de interpretação. Daniel Radcliffe está novamente eficiente como Harry Potter, enquanto Rupert Grint está mais maduro e não mais caricato como o engraçado Ron Weasley, e Emma Watson está uma graça como Hermione Granger, uma vez que ela já é uma mocinha, ou melhor, uma bela adolescente, deixando transpirar um pouco mais de sensualidade para sua personagem, a eterna cdf, amiga do protagonista.

As figurinhas carimbadas, então, merecem apenas aplausos porque são poucas as produções que conseguem reunir tamanho elenco de feras no porte de Ralph Fiennes, que conseguiu dar a face do mal a Lord Voldemort, Gary Oldman, que personifica Sirius Black, padrinho de Harry, com paixão e coração, Michael Gambon, como o doce e poderoso Alvo Dumbledore, e Alan Rickman, sempre perfeito como o asqueroso e odiável Severo Snape.

Mas, apesar de todo esse esquadrão de "monstros" do cinema e teatro, ninguém tem como discordar que, se este filme tem um dono, essa pessoa é Imelda Staunton, intérprete da Professora Dolores Umbridge, grande responsável pela censura e pelo pesadelo instaurados em Hogwarts pelo Ministério da Magia. Dona de uma carreira respeitável com quase 70 filmes no currículo, nomeada ao Oscar e a mais de 30 prêmios, sendo ganhadora de mais de 15 deles, ela entrega uma performance impressionante e odiável, ao mesmo tempo, transformando seu personagem em um dos mais irritantes que já apareceram no universo de J.K. Rowling.
Ela consegue, com sua postura prepotente, com suas roupas rosas e cerâmicas de gatinhos na parece e, acima de tudo, com seu riso forçado e cínico, ser muito mais detestável do que o próprio Professor Snape, eterno carrasco de Harry e seus amigos.

Isso, sem contar que ela faz (boa parte do mérito é do roteiro, também) quase todos os outros personagens adultos do filme virarem figurantes de luxo, como Brendan Gleeson (Professor Alastor Moody), Maggie Smith (Professora Minerva), Julie Walters (Sra. Weasley), Jason Isaacs (Lucius Malfoy), Emma Thompson (Professora Trelawney), Warwick Davis (Professor Flitwick), Robbie Coltrane (Rúbeo Hagrid), Helena Bohan Carter (Bellatrix Lestrange), entre outros grandes do cinema e do teatro britânicos.

Mesmo não sendo tão bom quanto o terceiro e o quarto filmes da série, HP e a Ordem da Fênix é uma adaptação muito de parte da obra que vem cativando leitores de todas as idades em todos os cantos do globo. Resta agora a ansiedade da espera pela adaptação de "O Enigma do Príncipe" e "As Relíquias da Morte", dois livros de porte parecido, porém com muito mais história, ação e informação para serem transcritas. E, até onde vejo pelos livros, quase nada será descartável.

Nota: 7,5/10

Felipe Edlinger
21 de março de 2008

terça-feira, 18 de março de 2008

[MovRev] Cruzada

(Kingdom of Heaven)

Directed by Ridley Scott

É inevitável comparar uma outra obra do diretor Ridley Scott, comandante deste Cruzada, com esta produção. Talvez, algumas pessoas devam ter ouvido falar de um tal filme pequeno chamado Gladiador, com um certo "desconhecido" Russell Crowe.

Se o diretor queria mais um filme épico no currículo, ele conseguiu, e foi só. Ele compete contra uma versão muito melhor dele mesmo, datada da virada do milênio. Se forem colocadas na ponta do lápis todas as qualidade das duas produções, é mais do que óbvio que a saga de Maximus Aurelius sairia vencedora do embate. Começando pelo enredo e pelo elenco, a disputa seria até injusta.

A história gira em torno de Balian de Ibelin (Orlando Bloom), um ferreiro que acabou de perder mulher e filho, em uma aldeia medieval. Quando Godfrey de Ibelin (Liam Neeson), um nobre cavaleiro, se revela seu desconhecido pai, Balian inicialmente descarta a possibilidade de seguir com ele mas, como não possui mais motivação na vida e está quase perdendo sua fé, ele resolver tentar vida nova. Com a morte de seu pai, ele herda, por direito, todos os seus bens e passa a morar perto de Jerusalem, a terra sagrada dos muçulmanos, ocupada à força pelos cristãos há séculos. Lá, ele se depara com intrigas que culminam em uma guerra sangrenta contra os muçulmanos, liderados por Saladin. Na luta entre os dois povos, resta saber pelo que luta o coração e a alma dos cavaleiros.

Apesar da fotografia fantástica, com paisagens e planos maravilhosos, a aventura parece apenas mais uma superprodução histórica, baseada em fatos reais. O grande pesar da produção é contar uma história confusa e de maneira muito rápida, que dificulta a assimilação pelo público. Enquanto na outra obra do diretor, os personagens são muito bem definidos, com papéis delimitados, e com enredo bem elaborado, esta não cumpre o mesmo papel.

As cenas de batalha deixam a desejar e parecem muito mal ensaiadas, principalmente para quem já viu Gladiador, Coração Valente ou Ben-Hur. Os lutas parecem carecer de coreografia, realismo e vontade, sendo reduzidas a um aglomerado de figurantes com armaduras e sangue escorrendo.

A trama corre muito rápida e o personagem central de Orlando Bloom evolui muito rápido para se tornar o herói que se pretende mostrar durante o filme. Infelizmente, muitas pontas ficam soltas e muito se é cortado (ao menos, parece), deixando o roteiro com enormes furos.

Na verdade, é a típica história de liderança, mostrando um homem comum que guia seu povo rumo a um objetivo em comum, longe de seus opressores. Porém, o próprio protagonista não passa o carisma de um grande líder para o espectador, comprometendo o crédito da história.

Orlando Bloom tem porte de grande ator e se comporta como um grande ator, porém, simplesmente, não o é. Apesar de ser bonito e ter participado de produções enormes, de grande apelo comercial e que renderam uma legião de fãs, além de mares de dinheiro, ele ainda parece insosso, quando liderando (Coincidência? Não, irônico e proposital da minha parte...) um filme de grande porte, como protagonista.
É muito mais fácil ser um coadjuvante de luxo, com papéis bacanas, de outros verdadeiros grandes atores, como Jonnhy Depp (trilogia Piratas do Caribe) e Viggo Mortensen e Ian McKellen (trilogia O Senhor dos Anéis).

O que também me deixa chateado são os papéis atribuídos para bons atores como Liam Neeson e Jeremy Irons, praticamente fazendo pontas na produção. E, ainda mais, a cretinice dos ditos vilões da história, atribuídos a Brendan Gleeson (Harry Potter e o Cálice de Ouro) e ao, então gordinho, Marton Csokas. E o pior é a participação de Edward Norton como o Rei Baldwin, atrás de uma máscara durante toda sua participação, e apenas reconhecido devido a sua voz indefectível.

Uma produção que tem suas qualidades, porém apenas nas partes técnicas. Poderia ser muito melhor se o diretor, e também produtor, não tivesse ficado tão desleixado para aprovar alguns dos absurdos vistos em cena.

Nota: 5.5/10

Felipe Edlinger
18 de março de 2008

sábado, 15 de março de 2008

[MovRev] Rocky Balboa

(Rocky Balboa)

Directed by Sylvester Stallone

Assim como em Rambo IV, fiquei com certo receio com relação a este Rocky Balboa, quanto Sylvester Stallone, já sessentão, resolve reviver seu maior personagem, dentre seus mais de 50 filmes. Felizmente, tudo não passou apenas de desconfiança, e garanto que este é o melhor filme da série, junto com o original.

É sempre bom ouvir a música tema do filme, novamente, principalmente em uma produção inédita, e ver que Stallone não esqueceu a personalidade e o coração do personagem, que continua um tanto quanto bruto, porém simples e simpático como antes, o traz à tona o Rocky Balboa de antigamente.

Stallone, mais uma vez, escreve e dirige a produção do filme do lutador da Philadélphia, que conquistou o mundo por duas vezes. Com exceção da direção do quinto filme, que ele mesmo considera o pior da série (e realmente é), ele assinou todos os outros com a diração e roteiro. O primeiro filme levou o Oscar de melhor filme com méritos, tendo competido com os excelentes Todos os Homens do Presidente, Rede de Intrigas e Taxi Driver.

Neste sexto filme, apesar da destacada performance de Sylvester Stallone, o que merece os louros do sucesso é o roteiro escrito por ele. Com certeza, o maior acerto da produção, não possui pontas soltas (com exceção de que, até agora, não entendi o que aconteceu com o problema que Rocky tinha cabeça no quinto filme, que o impedia de lutar e que o poderia até matar) e transmite um carisma sem precedentes na série.

Na história, Rocky vive uma vida normal como dono de seu restaurante Adrian's, onde rala duro para mantê-lo bem freqüentado. O boxeador de coração mole vive sozinho e sonha com as glórias do passado, porém a vida é cruel com algumas pessoas, quando lhes dá muita coisa na juventude e na velhice as toma de volta. Eis, então, que uma simulação de computador coloca Mason Dixon, o atual e desprestigiado campeão dos pesos pesados, lutando contra o lendário Garanhão Italiano, Rocky Balboa. Quando o Rocky virtual derrota o campeão por nocaute, os fãs ficam em polvorosa e os empresários de Dixon vêm uma oportunidade de aumentar o carisma do lutador e ganhar uma grana preta em uma luta de exibição entre eles. Depois de desconversar, Rocky aceita o desafio e começa a treinar para a luta de sua vida.

Sly acertou na trama do filme ao não focar no lutador, em cenas de luta ou em superação como desportista mas, sim, ao priorizar a vida do personagem, os acontecimentos do dia a dia, as intempéries que assolam alguns amigos e a vida dele com as vitórias do passado.

Ele capturou a alma do personagem de uma maneira muito mais carismática e convincente do que em todos os outros filmes, inclusive o primeiro. Enquanto em Rocky - Um Lutador, ele mostra a garra de um rejeitado em virar alguém na vida, desafiando campeões e superando limites, neste Rocky Balboa ele é simplesmente alguém que luta para viver uma vida ordinária, dia após dia, sem muitas emoções além das histórias que conta a seus clientes no restaurante. Sem a esposa Adrian, já falecida, e sem o filho Robert Jr., que não o considera, ele vive uma rotina traquila da casa para o restaurante e depois o caminho de volta.

Sly prova que a história não acaba quando a velhice chega, mas sim que todos têm a possibilidade e a chance de um novo início, seja na carreira, no amor, na família, nos amigos, na sociedade, na vida, em si. Ele mostra o renascer de tudo na vida do lutador, dos afetos com uma velha conhecida (que era novinha quando ele lutava) à reaproximação com entes queridos e o saciar dos desejos da alma.

Ele está ótimo como o lutador que envelheceu e que se tornou sábio com o tempo e com a experiência, mesmo que ainda continue com um pouco de teimosia e com o sangue italiano fervente como sempre, mas com um coração cada vez mais maduro, bom e esperançoso.

Novamente, vemos a série de treinamentos empolgantes do desportista, que deixam os fãs com vontade de lutar, também, com direito a uma reconfiguração da mais famosa cena de seus filmes, quando ele sobe a escadaria do Museu de Arte da Filadélfia, que se tornou um dos marcos do cinema. Além disso, o filme contém cenas de flashback de todos os outros filmes, com exceção do quinto, por razões já colocadas aqui.

Burt Young volta como o querido Paulie, assim como Tony Burton, como Duke, que o ajudam na sessão de treinamentos. Milo Ventimiglia, mais conhecido como o Peter Patrelli da série Heroes, interpreta de maneira eficiente o filho que tem dificuldades em lidar com o fato de o pai ter sido um grande campeão. O lutador, campeão do mundo dos meio-pesados (na vida real), Antonio Tarver, agrega realidade à produção como o antagonista da trama, Mason Dixon.

A cena derradeira da luta do filme é de uma enorme qualidade, que não faz feio perto de nenhuma das outras dos filmes anteiores (vs. Apollo, vs. Clubber Lang, vs. Draco, vs. Tommy Gunn) e, talvez, seja até melhor do que a maioria delas. A coreografia é excelente e torna verossímil a luta entre o velha guarda e o jovem dínamo. Os efeitos em preto e branco conferem um tom de desespero e arte para o embate, enquanto os ângulos de cena favorecem o Garanhão Italiano e não nos deixa perder a esperança durante os quase 15 minutos de luta.

Curiosidade que a última cena foi a primeira a ser gravada porque Stallone estava no auge de sua forma física, surpreendente (não tem como não achar isso) para um astro com a idade dele. Vide Arnold Schwarzenegger, um ano mais novo que Sly.

Isso tudo mostra que a velha guarda está sempre disposta a provar, mais uma vez, que tem seu valor, e que pode enfrentar um último desafio. É apenas uma questão de vontade, confiança e de fé. Um filme emocionante com uma atuação e história dignas da grandeza do personagem. Surpreendente e cativante.

Nota: 8/10

Felipe Edlinger
15 de março de 2008

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