...e assim caminha a humanidade...

"Não tenha medo da perfeição. Você nunca vai atingí-la." (Salvador Dali)
"Et quacumque viam dederit fortuna sequamur." (Virgílio)
"Always think about a coloured tequila sunrise life." (Felipe Edlinger)
"Foda-se a balada, o que importa é a companhia." (Felipe Edlinger)
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domingo, 9 de março de 2008

[MovRev] Escrito nas Estrelas

(Serendipity)

Directed by Perte Chelsom

Serendipity significa, de acordo com a protagonista do filme, uma feliz descoberta por acidente. Com base nisso, então contarei uma pequena história: desde que assisti esse filme pela primeira vez, venho procurando por todos os cantos o DVD para comprar, de lojas especializadas à lojas virtuais, até sebos e lojas de usados, porém nunca consegui encontrar uma cópia sequer, por mais incrível que possa parecer, ainda mais nos dias de hoje com estoque infindáveis na internet. Até que, um dia qualquer, seis anos depois, o encontrei em uma liquidação do tipo ponta de estoque por 12,90, quando eu nem ao menos esperava acontecer.

O fato é que gostei tanto desse filme, que ele se tornou um dos meus favoritos pela trama simpatissíssima, acalentadora de corações apaixonados (assim como o meu) ou que querem se apaixonar perdidamente (assim como o meu), com um clima água com açúcar e de mágica e química latente e fácil de sentir.

John Cusack é Jonathan Trager, um editor da ESPN, que conhece a psicóloga britânica Sara Thomas (Kate Beckinsale), durante suas compras de Natal, em plena Nova York. Ambos procuravam pelo presente perfeito para seus amores e acabam, por coincidência, escolhendo o mesmo par de luvas pretas, ao mesmo tempo. Seus corações e mentes se conectam no primeiro olhar e eles passam uma noite inacreditável durante um dia de inverno na cidade.
A questão é que Sara, que acredita em destino, não crê que era o momento para eles ficarem juntos e, após muita insistência de Jonathan, resolve fazer a prova para descobrir se o destino os quer juntos. Ela, então, pede para que ele escreva o nome e telefone dele em uma nota de USD 5.00, que é passada adiante, enquanto ela escreve nome e telefone dela em um livro de segunda mão, que também é passado adiante, em uma loja de livros usados. Caso eles achem os dados um do outro, significa que, aí sim, o destino deseja que eles virem um casal.
Porém, isso não acontece e, alguns anos depois, eles vivem vidas separadas até o momento em que começam, cada um em seu canto, a se questionar sobre a vida e sobre o que teria acontecido se eles tivessem ficado juntos.

Se você acredita ou não em destino, fatos ou sinais da vida, este filme é um prato cheio para quem quer sonhar. Independente de crença pessoal, é um filme que deixa um traço de felicidade descompromissada e sincera no rosto de cada um. Se a vida é um conjunto de coincidências, não importa, o que importa é que a felicidade sempre bate à nossa porta, uma vez ou outra, e as oportunidades não podem ser perdidas por meros preciosismos.

As situações nas quais os dois personagens se colocam são deliciosas e tão descontraídas, alegres e apaixonadas que deixam qualquer coração saltitando de felicidade e satisfação. Nunca uma comédia romântica foi tão comédia e tão romântica como esta, o que aumenta, em muito, as chances do filme ganhar um lugar na prateleira de muita gente. Já ganhou um na minha.

A trama se passa, em sua maioria, na cidade de Nova York, que é apresentada da maneira mais charmosa e romântica possível, fazendo frente à Londres de Um Lugar Chamado Notting Hill. É impossível não sentir simpatia por um filme que mostra a Grande Maça como este mostra: interiores de lojas tradicionais de departamento na época do Natal, bares aconchegantes, pista de patinação no Central Park, corais de trombones, o tradicional hotel The Waldorf Astoria, ou ainda uma cena de Jonathan deitado no meio de um lago congelado, observando as estrelas.

John cusack (Alta Fidelidade, Procura-se um Amor que goste de Cachorros, Queridinhos da América) é, definitivamente, um de meus atores favoritos, assim como o de mais um quintilhão de cinéfilos. Seu personagem boa praça, bacana e cool cativa à todos que vêm seus filmes. Neste, o desespero e a insanidade de seu personagem, por encontrar o tal livro com os dados de Sara,
vale o preço do filme, mesmo se fosse o mais caro da loja.

Já Kate Beckinsale (Pearl Harbor, O Aviador, Click) está linda como sempre, ainda mais neste filme quando ela tinha apenas 28 anos. Com uma presença marcante e cativante, e um jeitinho simpático demais que faz qualquer marmanjo gamar e cair de paixões, ela não só conquista John Cusack, como a todos da platéia.

O carisma da dupla principal talvez tenha sido a maior sacada, ou pura coincidência, da produção.

E a musicalidade do filme é fantástica e deliciosa, criando o clima perfeito para cada cena vista na tela. Entre os destaques estão músicas charmosas e românticas (eita palavra bonita!!!), como Never a Day (Wood), Moonlight Kiss (Bap Kennedy), January Rain (David Gray), Waiting in Vain (Annie Lennox), entre muitas outras, além de algumas engraçadinhas como Cool Yule (Louis Armstrong).

O diretor Peter Chelsom não tem muita experiência em produções como esta e, talvez o seu filme mais conhecido seja Sempre Amigos, com Sharon Stone. Porém, ele consegue a sonoridade perfeita para deixar casais jovens e velhos, adultos e idosos sonhadores, com os olhos grudados na tela, com um sorriso no rosto e uma palpitação no coração.

Nota: 8/10

Felipe Edlinger
09 de março de 2008

[Felipe's MFQ] Serendipity

Dean Kansky:
"Do you remember the philosopher Epictetus? Remember what he said? He said 'If you want to improve, be content to be thought foolish and stupid'. That's what you've done."

2001. Jeremy Piven in Serendipity

sexta-feira, 7 de março de 2008

[MovRev] O Diabo Veste Prada

(The Devil Wears Prada)

Directed by David Frankel

Puro e simples, direto ao ponto: o filme é realmente muito bom, e faz direito a todo o frissón que causou desde sua estréia no cinemas. Dois fatores para tal: 1) a linda e cativante Anne Hathaway e 2) a exuberante Meryl Streep que é, bem, Meryl Streep.

Para aqueles que pensam que a moda é apenas uma coisa banal que fabrica desejos e atribui status, meus parabéns, você acertou em cheio. Porém, assim como a publicidade, é um indústria poderosa que dita as regras de boa parte do mundo moderno, com tendências e regras que são obsessões para quem aprecia o tema, criando egos inflados e conflitos de marca maior.

Anne Hathaway é Andrea Sachs, jovem recém formada em jornalismo, que consegue o emprego que toda garota (e garotos) fã de moda gostaria de ter, o de segunda assistente de Miranda Priestly (Meryl Streep). Cínica, egoísta, egocêntrica e poderosa, Miranda é a executiva da revista de moda Runway. Ela é conhecida por abominar e maltratar todas as outras pessoas a sua volta, e faz exatamente a mesma coisa com a nova funcionária, que resiste duramente aos mal tratos e humilhações do cotidiano para provar que poder vencer os desafios e superar as expectativas da grande megera.

Meryl Streep, mais uma vez, está maravilhosa em um papel que lhe rendeu outra indicação ao Oscar (desses ela já tem dois, um por A Escolha de Sofia e outro por Kramer vs. Kramer). Sua personagem transpira prepotência e maldade, mas de uma maneira que não é, necessariamente, fácil de odiá-la. Ela não é estúpida, mas uma arrogante discreta e que demonstra seu poder com o mínimo gesto. Porém, não poupa esforços para rebaixar as pessoas e mostrar sua superioridade; e isso tudo, sem perder a classe e a elegância. Os gestos, os olhares, as poucas palavras deixam bem claro quem manda no lugar.

Anne Hathaway é a mesma de Diário de Princesa 1 e 2 e é uma versão mais nova de Liv Tyler com Penélope Cruz, ou seja, uma menina linda com talento latente. Vem melhorando a cada filme que faz e neste fez jus ao destaque dado pela mídia internacional. Ela é a garota simpática e linda que não se importa com o que os outros do ramo da moda se importam: glória, pedestais e holofotes. Ela apenas quer fazer um bom trabalho como jornalista.

Para quem curte a área, o filme é um banquete para os olhos. Na verdade, até mesmo para quem não entende nada de moda, é impossível não se deslumbrar com os protagonistas (aliás, todos os personagens, praticamente) desfilando o tempo todo com modelos Armani, Gucci, Dulce & Gabbanam Chanel, Valentino, Louis Vuitton, Calvin Klein e, claro, o Prada do título da produção.

O filme é baseado em uma história real, de Lauren Weisberger, que foi assistente de Anna Wintour, a editora-chefe da revista Vogue América. Fica complicado até imaginar trabalhar na vida real com uma pessoal do porta da personagem de Meryl Streep, sem perder as estribeiras ou ter um derrame cerebral.

A personagem central de Anne Hathaway evolui ao longo da trama como uma nave espacial sendo lançada no Cabo Canaveral. Ela passa de mocinha bonitinha com roupas mal combinadas de segunda mão, com franjinha e rosto cru, para uma mulher arrasadora, sexy, com longas e exuberantes madeixas e maquilagem digna de desfiles de moda; tudo exaltado ainda mais pelos belos olhos grandes e castanhos da atriz, assim como a maravilhosa boca carnuda, que qualquer mulher gostaria de ter e qualquer homem gostaria de beijar. Um arraso.

As beldades que desfilam pela tela também recheiam a produção com imensa beleza e leveza, mesmo que cercadas de inveja, competição danosa e desespero de todos pelo alcance da excelência na moda. Outros coadjuvantes, de bom talento, também colaboraram com seus devidos papéis. Emily Blunt é Emily, a também graciosa, porém ambiciosa primeira assistente de Miranda; Stanley Tucci é Nigel, um dos acessores de Miranda que sempre fica a sombra dela; Adrian Grenier é o dedicado namorado de Andrea, Nate, que fica em segundo plano quando ela aceita o emprego na revista; Simon Baker é outro executivo do ramo jornalístico que joga seu charme para cima de Anne e a ajuda em algumas oportunidades. E ainda contamos com a nossa Gisele Bundchen fazendo uma ponta e interpretando muito mais em 2 minutos do que tudo o que ela não fez em seu outro filme, Taxi.

Um excelente filme, com uma história e roteiro excelentes, com excelentes intérpretes. E, como diria a personagem de Meryl Streep: "Isso é tudo!".

Nota: 8/10

Felipe Edlinger
07 de março de 2008

quinta-feira, 6 de março de 2008

[MovRev] Escola de Rock

(School of Rock)

Directed by Richard Linklater

Qualquer filme com Jack Black já tem meu voto de confiança para ser eleito como um bom filme e, provavelmente, cult, cool, bacana, ou qualquer outro adjetivo para alguma coisa que gostamos e que sempre queremos rever e contar e indicar aos nossos amigos.

Apesar de uma carreira extensa com mais de 70 filmes, Jack Black apareceu realmente como o Barry de Alta Fidelidade, com John Cusack, baseado no romance homônimo de Nick Hornby. A partir daí, construiu uma carreira sólida com filmes como Orange County - Correndo Atrás do Diploma, King Kong, O Amor é Cego, Nacho Libre (meu favorito), O Amor Não Tira Férias, entre tantos outros.

Seus personagens são sempre marcantes, com gags típicas de cada arquétipo que ele cria para as produções nas quais se envolve. Com senso de humor legítimo e original, muitas vezes ácido irônico e sarcástico, ele consegue, com seu carisma, um espaço cativo junto ao seu público. Ponto pra ele.

Somado ao experiente diretor Richard Linklater, que domina as técnicas de direção e entregou alguns filmes já cult, também, como Jovens, Loucos e Rebeldes, Antes do Amanhecer, Antes do Pôr do Sol, A Scanner Darkly, entre outros, conseguem colocar comédia simpática e honesta em um roteiro bacaninha com história simples e facilmente digerível pelo grande público.

Dewey Finn (Jack Black) é um roqueiro aficcionado, que é expulso de sua própria banda de rock. Revoltado, não consegue grana para pagar sua parte do aluguel, porém vive como um vagabundo que dorme o dia todo, anda sem tomar banho e não faz nada para mudar de vida. Quando ligam para convocar seu amigo e colega de apartamento, Ned Schneebly (Mike White) para ser professor substituto em uma escola tradicional, ele resolve tomar o lugar do amigo para fazer algum dinheiro. Lá descobre pequenos talentos para a música e resolver montar sua própria banda de rock 'n' roll com as crianças que deveria educar.

O personagem escrotão e criança de Jack Black conquista o coração de qualquer um com seu estilo debochado e bonachão de ser. Folgado ao extremo, e muito vagabundo, ele tem o poder de cativar a audiência mesmo sendo um idiota total. E são poucos os atores que podem se dar ao luxo de ter tamanho talento para comédia.

As cenas de ensaios musicais são o máximo e nos fazem ter vontade de sair tocando todos os instrumentos musicais por aí a fora. Guitarra, baixo, teclados, bateria. A empolgação de Black realmente cativa a todos, uma vez que ele mesmo é músico na sua banda de rock Tenacious D; suas caras e bocas deixam claro que ele se diverte enquanto trabalha.

Todas as crianças, na faixa de 10 a 12 anos, surpreendem na atuação e transbordam talento, sem contar que todos são músicos de verdade e tocam seus instrumentos de maneira extraordinária. Destaque para Miranda Cosgrove, a mandona estudadente Summer que faz o papel de empresária da banda, Brian Falduto, o aluno com algumas tendências suspeitas, que vira o estilista do grupo, e Maryam Hassan, uma das back vocals da turma, que tem uma voz incrível e poderosa para uma criança de 10 anos.

O filme é, praticamente, uma aula de música e história da música, de Led Zeppelin à Steve Nicks, de produção à efeitos especiais e estrutura de uma banda de rock. Groupies, seguranças, back vocals, técnicos de efeitos, estilista.

Como coadjuvante, Joan Cusack faz o papel de Rosalie Mullins, diretora da escola, que é vista por todos como uma ditadora repressora. E é preciso apenas Jack Black para derreter todo o gelo e colocar a catedrática professora para dançar e relaxar ao som de rock 'n' roll.

A coleção de músicas é, com certa obviedade devido ao tema, um dos pontos altos deste filme com musicalidade a flor da pele. Estão presentes clássicos como The Who, The Doors, Led Zeppelin, T-Rex, Cream, The Ramones, No Vacancy e Steve Nicks, a favorita do personagem de Joan Cusack, com Edge of Seventeen. Além deles, ainda cumprem tabela novos talentos, como The Darkness e The Black Keys.

Uma comédia para animar a galera e encher o coração de alegria e, acima de tudo, a alma com a chama do rock 'n' roll. Com direito a mosh de Jack Black e tudo o mais.

Nota: 7.5/10

Felipe Edlinger
06 de março de 2008

quarta-feira, 5 de março de 2008

[MovRev] Kung Fu Futebol Clube

(Siu lam juk kau / Shaolin Soccer)

Directed by Stephen Chow

Em 2002, recebi um vídeo pela internet que mostrava jogadores de futebol fazendo acrobacias e malabarismos em campo, durante uma partida. Lembro-me que achei o máximo os efeitos especiais daquela brincadeira. Mas, no final, fiquei sabendo que era um filme de verdade, dirigido por um dos mais talentosos diretores de Hong Kong.

Aquele trecho de filme era parte desta produção muito boa, chamada, em inglês, Shaolin Soccer que, infelizmente (mais uma vez!), recebeu um título cretino no mercado brasileiro, Kung Fu Futebol Clube. Uma pena que apenas pude ver o filme, oficialmente, em 2004, quando ele finalmente foi lançado no Brasil. A vergonha reside no fato de ter sido lançado diretamente em vídeo, sina da maioria dos filmes asiáticos que não têm Jackie Chan ou Jet Li como estrelas.

Com vários sucessos na carreira, seja dirigindo ou atuando, e sendo um dos atores asiáticos mais populares depois de Jackie Chan, Stephen Chow comanda com maestria esse filme sobre arte marcial shaolin e... futebol! E diverte o público com comédia honesta, história simples e situações engraçadíssimas. Apenas para constar, ele chegaria a um estrelato ainda maior, na América, com seu filme de 2004, Kung-Fusão (título cretino de novo!!!).

Stephen Chow, também ator em todos os seus filmes, é "Poderosa Perna de Aço" Sing, lutador detentor dos conhecimentos shaolin de luta marcial, que quer disseminar sua arte para o mundo. Junto com outros amigos lutadores e "Perna de Ouro", ex-estrela do futebol chinês (e aleijado), que estavam encostados pelos cantos da cidade, ele participa de um campeonato de futebol, no qual utilizam todas as suas habilidades e técnicas de mestres shaolin para se sagrarem campeões.

Fã confesso de Bruce Lee, Chow começou a desenvolver habilidades no estilo de luta Wing Chun, uma das especialidades de Lee. Com isso, e mais seu timing para comédia, teve matéria prima suficiente para fazer seus filmes, que conquistaram as maiores bilheterias de Hong Kong. Neste Kung Fu Futebol Clube, a incorporação de efeitos especiais em CGI contribuiu para gerar as cenas mais bacanas dos jogos.

Além das cenas de luta contarem com coreografias muito bem ensaiadas e executadas, por todos os atores, as situações inusitadas de comédia, em que eles se colocam são tão engraçadas que só vendo, mesmo. As reproduções das partidas conseguem ser muito convincentes, mesmo com todas as firulas shaolin com que são apresentadas. Antes o meu time de coração tivesse atacantes com a mesma habilidade...

A galeria de personagens não deixa pra menos e é um dos destaques do filme, com tantos personagens únicos. Unicamente esdrúxulos. Começando com o próprio Stephen Chow, que tem o poder shaolin de um super chute. Além dele, ainda são apresentados "Cabeça de Ferro", que trabalha em uma casa noturna; "Camisa de Ferro", que trabalha com estatística; "Mãos de Relâmpago", que está desempregado; "Peso Leve", um gordão que vive comendo e trabalha em um supermercado; e "Perna Enganchadora", que vive como lavador de pratos.

Juntos, eles eram um time de jovens mestres de artes marciais, donos de técnicas únicas. Após resistência inicial dos amigos, que contrariavam o uso dos ensinamentos sagrados em um esporte com propósitos comerciais, os seis, mais alguns antigos rivais, se transformam na equipe Kung Fu.

Como em todo filme de Stephen Chow, ainda são apresentadas cenas e números musicais, e paródias de produções de outros gêneros, que também garantem a graça do filme até o final, quando jogam/ lutam contra o Time do Mal. Destaque para algumas músicas "clássicas", como Celebration e (óbvio!) Kung Fu Fighting.

Destaque mesmo é para as cenas de jogos entre o time Kung Fu e as outras equipes, como a primeira que nem sabe o que os atingiu, a equipe de mulheres de bigode, e o último confronto contra o time de jogadores produzidos e modelados pela ciência. Além disso, o diretor consegue misturar muito bem pretensas cenas de drama como piadas imediatas para quebrar o clima totalmente. Ponto para a comédia!

Para nós, brazucas de plantão, que não estamos acostumados com a língua chinesa, é apenas mais um motivo para achar graça porque, preconceitos e brincadeiras a parte, o idioma falado se torna engraçado para quem não entende nada do que estão falando. E para quem gostar, recomendo, sinceramente, que assistam a produção mais famosa de Chow, Kung-Fusão (título cretinooooooo!!!).

Nota: 7.5/10

Felipe Edlinger
05 de março de 2008

terça-feira, 4 de março de 2008

[PP] Criatividade em Embalagens

Mais uma da série Criatividade. E dá-lhe publicitários!!!







[MovRev] Jamaica Abaixo de Zero

(Cool Runnings)

Directed by Jon Turteltaub

Não tenho como negar que um dos filmes que sempre me emocionaram, quando eu era criança, foi este simpático Jamaica Abaixo de Zero. E, para falar a verdade, continua me emocionando.

Nunca fui nenhum destaque nos esportes quando criança, ao contrário de alguns conhecidos que "comiam a bola", mas sempre idolatrei meu país com orgulho imensurável. Tanto que fantasiava participar de uma competição importante representando a minha bandeira.

Sonhava em concretizar o ideal do esporte por si só, ver a nobreza dos homens e a importância da competição saudável. Apesar de, após participar de inúmeros campeonatos e torneios quando adolescente e adulto, e ver que a realidade pouco tinha a ver com os sonhos, continuava com as filosofias dos ideais, da superação de limites, do espírito de equipe e da honra pela equipe e, acima de tudo, pelo minha nação.

E tudo isso se refletiu, em algum momento de minha vida, neste filme, que conta a história verídica do primeiro time jamaicano de trenó tentando conquistar um lugar nas competições das Olimpíadas de Inverno. Quando Derice Bannock vê suas chances de conquistar um ouro olímpico se desfazerem após se envolver em um acidente bobo nas eliminatórias dos 100 metros rasos, ele vislumbra uma nova oportunidade de consumar seu grande sonho, só que desta vez em uma Olimpíadas de Inverno, dirigindo um trenó sobre o gelo.

A simpatia dos cinco protagonistas, com o falecido John Candy interpretando o treinador do inusitado time jamaicano, garante o charme e a graça desta produção dos estúdios Disney. O obstinado e perseverante Derice (Leon Robinson), o engraçado e destrambelhado Sanka (Doug E. Doug), o mimado Junior (Rawle D. Lewis) e o brutamonte Yul Brenner (Malik Yoba) formam o quarteto-comédia que busca, na improvável missão de se classificar para as XV Olimpíadas de Inverno de Calgary, Canadá, seu lugar ao sol.

Jon Turteltaub, diretor de carteirinha dos estúdios Disney (Duas Vidas, A Lenda do Tesouro Perdido), consegue recriar uma história que poderia ser considerada como lição de moral, cheia de passagens peculiares de contos de motivação e auto-ajuda. Mas a comédia é tão leve que nada chega a ser comprometido devido ao tom natural da história verdadeira dos quatro amigos da ilha de Bobby Marley.

As situações cômicas tiram risadas até dos mais carrancudos espectadores e fica praticamente impossível não torcer pelos destemidos heróis. Inclusive, algumas das cenas são tão emocionantes que até fazem lágrimas brotarem nos olhos.

A trilha sonora é um episódio a parte de tão deliciosa que é, contando com sucessos de Jimmy Cliff, Wailing Souls, Diana King, tiger e Super Cat. Isso sem contar com o instrumental empolgante do alemão Hans Zimmer, outra celebridade do cinema (Piratas do Caribe, Batman Begins, Madagascar, entre tantos outras produções).

E confesso que todas as vezes em que assisto à produção não consigo me conter e ficar sem chorar na cena final, em que desvalorizados viram iguais, e párias se tornam heróis.

Definitivamente, uma produção com todos o padrão de qualidade Walt Disney, para toda a família, dos garotos sonhadores aos adultos de coração mole. E para os de coração duro, também, que, consequentemente, amolecem como manteiga.

Nota: 6/10

Felipe Edlinger
04 de março de 2008

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